Know the classics? Try these Portuguese dishes next
Para um país geograficamente pequeno, Portugal tem uma cozinha com uma enorme diversidade regional. Ainda assim, a gastronomia portuguesa continua muitas vezes reduzida a um círculo relativamente restrito de pratos mais famosos. Para muitos viajantes, os primeiros contactos com a comida local passam por comer um pastel de nata, provar um prato emblemático de bacalhau, comer sardinhas assadas numa visita a Lisboa durante o verão, ou talvez experimentar a versão portuguesa do tão celebrado frango de churrasco. Claro que todos estes pratos são clássicos por boas razões, mas também podem dar a ideia de que a cozinha portuguesa é mais limitada ou previsível do que realmente é. Na verdade, são apenas exemplos de uma cultura gastronómica muito mais ampla, que muitos viajantes acabam por não explorar tão a fundo quanto poderiam.
Imagem de capa cortesia de Planta
Algumas das coisas mais interessantes para provar em Portugal encontram-se para lá das opções mais conhecidas. Podem partilhar os mesmos ingredientes, pertencer à mesma família de sabores ou nascer de tradições regionais semelhantes, mas continuam a passar mais despercebidos aos visitantes estrangeiros. Ao sugerirmos alternativas a alguns dos pratos portugueses mais populares, não queremos de forma alguma que deixe de provar os clássicos. A ideia é antes despertar-lhe a curiosidade para descobrir outras receitas que também abrem caminho para a vasta cultura gastronómica portuguesa.
Se conhece caldo verde, experimente sopa da pedra

Imagem cortesia de Oliveira da Serra
Para muita gente, o caldo verde é a primeira sopa portuguesa que conhece, e isso faz todo o sentido. É um dos grandes clássicos da comida de conforto em Portugal, associado ao Minho mas consumido de norte a sul, tanto em casa como em festas populares. Feito com batata, cebola, azeite e couve galega cortada em tiras finas, e geralmente servido com rodelas de chouriço, é uma sopa humilde, mas ao mesmo tempo bastante completa.
Se aprecia esse equilíbrio entre simplicidade e saciedade, a sopa da pedra é um passo seguinte muito natural. Tradicionalmente associada a Almeirim, no Ribatejo, é uma sopa bem mais robusta, feita com feijão, batata, legumes e vários enchidos, e ligada à famosa lenda do frade que terá conseguido preparar uma refeição começando apenas com uma pedra.
Enquanto o caldo verde, mais leve e aveludado, costuma surgir como entrada ou refeição ligeira, a sopa da pedra é mais encorpada e substancial, algures entre uma sopa e um guisado, e pode perfeitamente servir de refeição principal. Aliás, é um dos melhores pratos com feijão da cozinha portuguesa. O que estas duas sopas têm em comum é a forma como transformam ingredientes simples em algo profundamente reconfortante, como tantas vezes acontece na cozinha regional portuguesa.
Se quiser provar sopa da pedra em Lisboa, pode passar pela Loja das Sopas, uma cadeia bastante conhecida, especializada em sopas, muito presente nas zonas de restauração de centros comerciais. Se estiver em Lisboa e decidir fazer uma escapadinha até Santarém, vale a pena parar em Almeirim para provar a versão local em restaurantes como O Pinheiro, O Forno, ou O Toucinho.
Se conhece peixinhos da horta, experimente ovos verdes

Imagem cortesia de A Flavorita
Entre os muitos petiscos portugueses, os peixinhos da horta são dos mais fáceis de gostar. As vagens de feijão-verde são envolvidas em polme e fritas até ficarem estaladiças, dando origem a algo leve, salgado e perigosamente viciante, sobretudo quando vêm acompanhadas de um molho como maionese. São habitualmente apontados como o prato português que terá inspirado a tempura, depois da chegada dos portugueses ao Japão no século XVI.
Se aprecia essa combinação entre cobertura crocante, interior macio e formato ideal para petiscar, os ovos verdes também são uma ótima escolha. Fazem-se com ovos cozidos, cortados ao meio, recheados novamente com uma mistura à base de gema e salsa, depois passados por pão ralado e fritos. Embora hoje sejam menos comuns do que os peixinhos da horta, continuam a ser um daqueles petiscos típicos de Lisboa que vale a pena conhecer. Fala-se muito menos deles do que de croquetes ou pastéis de bacalhau, mas merecem igualmente ser provados, até porque são uma excelente opção para viajantes vegetarianos que queiram descobrir sabores genuinamente portugueses.
Tanto os peixinhos da horta como os ovos verdes pertencem a uma forma mais antiga de petiscar em Portugal, ligada ao universo das tabernas, onde se cozinhava com ingredientes acessíveis, técnica simples e muito sabor. Hoje, em Lisboa, recomendamos provar ovos verdes em restaurantes como o Maria Azeitona (Praça de Touros, Campo Pequeno 606D), O Bem Disposto (Av. João XXI 53C), e Água Pela Barba (Rua do Almada 29).
Se conhece sardinhas assadas, experimente carapaus alimados

Imagem cortesia de Caderno de Receitas Sandra no Instagram
Nem todos os grandes pratos portugueses de peixe têm de passar pela grelha, e os carapaus alimados mostram bem isso. São uma forma muito diferente de entrar nessa vertente mais atlântica e ligada ao verão da cozinha portuguesa. Tradicionalmente associados ao sul, sobretudo ao Algarve, fazem-se com carapaus salgados ou ligeiramente curados, depois temperados com azeite, alho e algum elemento ácido.
As sardinhas assadas são um dos símbolos mais visíveis do verão português, sobretudo em Lisboa e em grande parte do centro e sul do país, onde se tornaram quase sinónimo de festas populares, como as de Santo António em Lisboa. Os carapaus alimados também pertencem a esse universo dos peixes gordos, ideais nos meses mais quentes, mas apresentam sabores mais frescos e avivados pela acidez, especialmente quando comparados com o lado fumado das sardinhas assadas. Quem gosta deste tipo de peixe tem tudo para apreciar ambos.
As sardinhas assadas são muito mais omnipresentes em Lisboa durante o verão. Não vai encontrar carapaus alimados nas festas de rua dos Santos Populares, mas consegue pedi-los em restaurantes como o Cravó (Rua da Misericórdia 95 1º andar), no Chiado, onde são servidos com salada de pimentos assados, ou no Puro Sangue (Travessa das Mónicas 28), na Graça.
Se conhece arroz de marisco, experimente arroz de lingueirão

Imagem cortesia de Tuga na Cozinha
Há uma razão para o arroz de marisco ser um dos pratos portugueses de marisco mais conhecidos. É um arroz generoso e aromático, servido malandrinho em vez de seco, feito com caldo de marisco, tomate, ervas aromáticas e uma combinação de mariscos que varia consoante a receita e o orçamento. Para muitos visitantes, é um daqueles pratos obrigatórios numa ida a uma terra costeira em Portugal.
Mas se aquilo que mais aprecia é o sabor a mar e o prazer de comer um bom arroz malandrinho à colher, então o arroz de lingueirão é um passo seguinte ainda mais interessante. Em vez de reunir vários mariscos, concentra-se no lingueirão e, por isso, costuma ser mais mineral e iodado. Ambos os pratos são tipicamente preparados com arroz Carolino, uma variedade portuguesa que vai absorvendo o caldo sem perder aquela textura solta, quase caldosa.
Em sítios como a Comporta, uma excelente escapadinha a partir de Lisboa para conjugar praia e boa mesa, este é um dos arrozes que muita gente procura, precisamente pela proximidade ao estuário. Na própria Comporta, pode prová-lo na Dona Bia, ou então no vizinho Carvalhal, no restaurante Retiro do Pescador, na Carrasqueira. Em Lisboa, também há várias hipóteses. Para uma versão mais simples, experimente o NUNCA (Rua Visc. de Santarém 69B). Se preferir uma versão com gambas, como o arroz de lingueirão com gambas no tachinho, vá até ao Jardim da Luz (Largo da Luz).
Se conhece polvo à lagareiro, experimente filetes de polvo com arroz do mesmo

Imagem cortesia de Restaurante Casa Inês no Facebook
Para muitos visitantes, o polvo à lagareiro é o prato de polvo por excelência em Portugal. Esta receita é feita com polvo cozinhado até ficar tenro, servido com bastante azeite, alho e batatas a murro. Embora esteja fortemente associado à cozinha do norte, sobretudo em regiões onde o polvo tem um papel festivo no Natal, tornou-se hoje um clássico das ementas tradicionais por todo o país.
Os filetes de polvo com arroz do mesmo levam o mesmo ingrediente numa direção completamente diferente. Em vez de o polvo ser assado inteiro ou em pedaços grandes, a carne é cortada em filetes, passada por polme e frita, sendo depois servida com arroz feito com o caldo do próprio polvo. Se aprecia o sabor intenso do polvo à lagareiro, mas também gosta de pratos de arroz malandrinho e de fritos estaladiços, é muito provável que também venha a gostar de filetes de polvo com arroz do mesmo, um prato que, além de delicioso, tem também um nome bastante engraçado.
Em Lisboa, Os Courenses (Rua José Duro 27D) é um dos sítios mais conhecidos para provar filetes de polvo com arroz do mesmo. Outro restaurante que vale a pena procurar por causa deste prato é a Tasquinha do Lagarto (Rua de Campolide 258), embora aqui esta especialidade de polvo apareça sobretudo entre os pratos do dia e não faça parte da carta permanente.
Se conhece bacalhau à Brás, experimente bacalhau à Gomes de Sá

Imagem cortesia de Tastemade
O bacalhau é um dos ingredientes mais apreciados na cozinha portuguesa, e ao longo do tempo deu origem a um repertório impressionante de receitas de bacalhau por todo o país.
Ainda assim, muitos visitantes ficam pelos pratos mais conhecidos, como o bacalhau à Brás, cuja receita pode encontrar aqui. Este prato popular nasceu no Bairro Alto, em Lisboa, e é feito com bacalhau desfiado, cebola e batata palha, salteados e ligados com ovo batido, terminando com azeitonas e salsa. Mesmo para quem não está habituado ao sabor salgado do bacalhau curado nem à textura particular deste peixe seco, o bacalhau à Brás costuma ser uma porta de entrada bastante fácil para o vasto e aparentemente inesgotável universo português do bacalhau.
Se foi esta a receita de bacalhau que o conquistou, então o bacalhau à Gomes de Sá poderá muito bem ser o próximo da lista. Criado no Porto no final do século XIX por José Luís Gomes de Sá, este prato é preparado com lascas de bacalhau, tradicionalmente suavizadas em leite, e depois levadas ao forno com batata, cebola, azeite, azeitonas pretas, salsa e ovo cozido. As duas receitas têm uma base muito parecida, mas o resultado final é bem diferente. Ambas pertencem ao universo da cozinha portuguesa do dia a dia com bacalhau, e tanto se comem em casa como em restaurantes.
Apesar de ser mais típico do norte do país, em Lisboa também é fácil encontrar bacalhau à Gomes de Sá em restaurantes especializados em bacalhau, bem como em casas de cozinha tradicional portuguesa. Se quiser provar esta e outras receitas de bacalhau, recomendamos restaurantes com cartas dedicadas a este ingrediente, como o D’Bacalhau (Zona Ribeirinha Norte, Rua da Pimenta 45), na zona do Parque das Nações, e A Casa do Bacalhau (Rua do Grilo 54).
Se conhece queijo da Serra, experimente queijo de Azeitão

Imagem cortesia de Alivetaste
Para muita gente, o queijo da Serra é o queijo português mais famoso. Produzido na região da Serra da Estrela a partir de leite cru de ovelha, é especialmente apreciado quando ainda novo e macio ao ponto de se comer à colher, em vez de se cortar à faca. Parte do seu caráter vem do facto de ser tradicionalmente coalhado não com coalho animal, mas com flor de cardo, uma técnica que lhe dá uma nota vegetal muito própria por baixo de toda a sua riqueza amanteigada.
É precisamente essa mesma tradição que faz do queijo de Azeitão uma sugestão tão acertada para quem quer aprofundar a descoberta. Também feito com leite de ovelha e tradicionalmente coalhado com flor de cardo, é produzido na zona de Azeitão, no distrito de Setúbal, logo a sul de Lisboa, e tem denominação de origem protegida. A semelhança com o queijo da Serra não é coincidência. No século XIX, Gaspar Henriques de Paiva, um lavrador natural de Monsanto, na Beira Baixa, mudou-se para Azeitão e começou a produzir um queijo de ovelha num estilo semelhante ao do queijo da Serra, movido pela saudade dos sabores da sua terra natal. Trouxe ovelhas bordaleiras e trabalhou com um queijeiro de Castelo Branco, que ajudou a reproduzir e transmitir as técnicas associadas às regiões do interior centro de Portugal. Com o tempo, esses métodos foram sendo adaptados localmente e o queijo tornou-se mais pequeno e mais viável do ponto de vista comercial, evoluindo gradualmente até ao que hoje conhecemos como queijo de Azeitão.
Pode comprar queijo de Azeitão com relativa facilidade em Lisboa, até em supermercados. Se preferir visitar uma loja gourmet especializada, que inclua queijo de Azeitão amanteigado DOP na sua seleção, recomendamos a Manteigaria Silva (Rua D. Antão de Almada 1 C e D), mesmo no centro da cidade. E tenha também em conta que Azeitão fica a menos de uma hora de carro de Lisboa, por isso pode perfeitamente ir até lá para visitar uma queijaria ou, pelo menos, fazer uma prova de vinhos e queijos na região.
Se conhece prego, experimente pica-pau

Imagem cortesia de Momentos Doces e Salgados
Se gosta de carne de vaca, em Portugal deve provar um bom prego. Seja servido no pão ou no prato com acompanhamentos, o prego costuma resumir-se a um bife fino, alho e, consoante o cozinheiro e o gosto de cada um, um pouco de molho ou mostarda, muitas vezes acrescentados já à mesa. É uma opção rápida e satisfatória, fácil de encontrar em cafés, snack-bares e restaurantes informais, bem como em versões de comida de rua quando falamos do formato sandes de carne.
O pica-pau pertence ao mesmo universo, mas apresenta-se como um pequeno prato, normalmente consumido como entrada ou petisco, talvez com pão para aproveitar o molho, mas não propriamente em formato de sanduíche. A carne é cortada em pedaços pequenos e cozinhada num molho intenso com alho, sendo muitas vezes servida com pickles e pensada para partilhar à mesa. Há versões com carne de vaca, porco ou uma mistura das duas carnes, e costuma dizer-se que o nome vem da forma como os pedaços são picados com palitos, à semelhança de um pica-pau a debicar.
Em Lisboa não faltam sítios onde o provar. Apesar de ser um restaurante muito associado ao peixe e marisco, O Pinóquio (Praça dos Restauradores 79 80) é há muito uma das moradas mais conhecidas da cidade para comer pica-pau. Mais recentemente, o Pica-Pau (Rua da Escola Politécnica 27), no Príncipe Real, fez deste prato uma das suas especialidades, incluindo na carta uma versão de pica-pau do lombo.
Se conhece chouriço, experimente alheira

Imagem cortesia de Bísaro
Portugal tem uma enorme variedade de enchidos, e o chouriço é talvez o mais famoso de todos, pelo menos entre os visitantes. Este enchido de porco é muito apreciado pelo seu perfil fumado e carregado de colorau, e pode ser consumido às rodelas em guisados, incluído em pratos de arroz ou servido simplesmente como entrada, por vezes até assado à mesa.
A alheira pertence ao mesmo universo dos enchidos portugueses, mas tem por trás uma história mais curiosa. Tradicionalmente associada a Trás-os-Montes, surgiu no contexto das conversões forçadas dos judeus em Portugal no final do século XV. Como o consumo de porco era proibido pela lei alimentar judaica, aqueles que continuavam a respeitar essas regras em segredo corriam o risco de levantar suspeitas se nas suas casas não houvesse enchidos pendurados, como era habitual nos fumeiros portugueses. A alheira surgiu assim como uma forma de imitar a aparência dos enchidos de porco sem recorrer à carne de porco, usando antes pão e carnes como aves ou caça. Curiosamente, hoje em dia é mais provável encontrar alheiras com carne de porco, por isso, se quiser provar uma versão mais próxima da original, feita com carnes como aves e coelho, deve procurar alheira de caça.
Tal como o chouriço, a alheira pode ser comida sozinha ou integrada noutros pratos, como guisados, aos quais acrescenta mais sabor. O mais comum é comê-la frita ou grelhada, servida com batatas fritas e salada, ou com batata cozida e grelos salteados. Como petisco, pode aparecer grelhada e cortada às fatias, servida simplesmente com pão, ou surgir em preparações como folhados, ovos mexidos, empadas e fritos como croquetes ou outros salgados típicos portugueses.
Em Lisboa, a alheira encontra-se facilmente tanto em contextos mais tradicionais como em espaços mais contemporâneos, aparecendo muitas vezes também como prato do dia em tascas e pastelarias com refeições. Vá ao Mármore (Calçada do Carmo 19) para comer uma alheira grelhada simples, ou ao Serra da Estrela Cantinho Regional (Rua Ten. Ferreira Durão 55B) para provar a alheira caseira com migas. Espaços mais contemporâneos, como o Infame (Largo do Intendente Pina Manique 4), também a incluem como prato principal, servida com ovo a baixa temperatura e legumes.
Se conhece presunto, experimente muxama

Imagem cortesia de Clube de Vinhos Portugueses
A tradição portuguesa dos produtos curados não começa nem acaba no porco. O presunto e os enchidos são talvez os exemplos mais evidentes, mas a conservação através do sal, do ar e do tempo moldou também, desde há muito, a forma como o peixe é consumido, sobretudo no sul do país. Essa tradição mais ampla tem vindo a ganhar nova atenção através de projetos como o Selo de Mar, que trabalha com produtos que descrevem como charcutaria do mar e desenvolve preparados de peixe e marisco curados e conservados, a par de produtos como garum e bottarga.
Muito antes desta nova vaga, porém, a muxama já tinha conquistado o seu lugar na cultura gastronómica portuguesa. Feita a partir de lombo de atum salgado e seco, está particularmente associada ao Algarve, embora também exista em Espanha, onde é conhecida como mojama. A palavra tem origem árabe, e o próprio produto está ligado à longa história da pesca e salga do atum no sul da Península Ibérica, onde influências fenícias, romanas e mais tarde árabes deixaram marcas na forma como o peixe era capturado, comercializado e conservado.
Quem já aprecia presunto tem boas hipóteses de gostar também de muxama. Não têm exatamente o mesmo sabor, mas ambos têm um sabor concentrado e salgado, são servidos em fatias muito finas e valorizados tanto pelo sabor como pela textura. Ao contrário do presunto, a muxama não se come normalmente com pão. A muxama de atum costuma ser servida como entrada, simples ou com um fio de azeite e amêndoas laminadas.
Não espere encontrar muxama em qualquer tasca tradicional de Lisboa. Pode prová-la, por exemplo, no Sol e Pesca (Rua Nova do Carvalho 44), onde lhe juntam umas gotas de limão para equilibrar a intensidade salgada, ou no Terroir (Madalena Beautique Hotel, Rua da Madalena 271), onde a servem desfiada sobre pão. Para comprar muxama e levá-la consigo, vale a pena passar por mercearias tradicionais lisboetas como a Pérola do Arsenal (Rua do Arsenal 94) e o Rei do Bacalhau (Rua do Arsenal 60).
Se conhece frango de churrasco, experimente frango à passarinho
Imagem cortesia de Tata Medeiros no Youtube
Portugal não tem falta de pratos de frango muito apreciados, e o frango de churrasco, frequentemente referido em inglês como peri-peri chicken, é provavelmente o mais conhecido a nível internacional. É grelhado no carvão e conquista pelo sabor fumado e pelos aromas intensificados pelo molho picante à base de piri-piri.
No frango à passarinho, em vez de uma ave aberta ao meio e grelhada sobre brasas, o frango é normalmente cortado em pedaços pequenos, frito até ficar estaladiço e temperado de forma simples, por vezes com alho, ervas aromáticas ou limão. Pode ser servido em pedaços pequenos para petiscar e partilhar, ou com acompanhamentos como batatas fritas ou arroz, para uma refeição mais completa. Enquanto o frango com piri-piri se encontra normalmente em churrasqueiras, o frango à passarinho aparece mais em restaurantes informais e snack-bares, sendo mais provável encontrá-lo como prato do dia do que na carta fixa. Tal como o frango de churrasco, também combina lindamente com uma cerveja bem fresca.
Enquanto passeia por Lisboa, vale a pena estar atento às ementas de restaurantes com pratos do dia, como O Apeadeiro (Rua de Entrecampos 1D), onde este prato aparece com frequência. Caso contrário, vá diretamente a um sítio onde seja mais provável encontrá-lo, como a Cervejaria Malandra (Av. Dom João II).
Se conhece arroz de pato, experimente arroz de cabidela

Imagem cortesia de 24Kitchen
Embora em Portugal se goste muito de arrozes malandrinhos e caldosos, também temos várias receitas tradicionais em que o arroz surge mais seco. O arroz de pato é um dos exemplos mais saborosos dessa vertente. É feito com arroz cozinhado no caldo onde o pato foi previamente cozido, misturado com a carne desfiada e levado ao forno, normalmente com uma camada de enchidos fumados por cima, como chouriço.
O arroz de cabidela pega nesse mesmo gosto português por arrozes intensos e cheios de sabor, mas introduz um lado mais ousado para paladares aventureiros. É tradicional do Minho e é preparado com frango, sendo finalizado com sangue misturado com vinagre, o que dá ao arroz a sua cor escura e o seu travo característico. Sabe-se que este prato existe em Portugal pelo menos desde o século XVI e, embora tenha um perfil bastante antigo, continua a ser muito apreciado por muita gente. Para outros, é um bom exemplo daqueles pratos portugueses que podem parecer mais estranhos à primeira vista.
Tanto o arroz de pato como o arroz de cabidela são pratos ricos e saborosos, em que a gordura e a carne do animal ajudam a dar profundidade ao arroz. O arroz de pato tem um lado mais consensual e refinado, enquanto o arroz de cabidela é mais rústico e um excelente exemplo de cozinha tradicional de aproveitamento.
Em Lisboa, o arroz de cabidela costuma aparecer em restaurantes que levam a cozinha tradicional portuguesa a sério, como a Adega da Tia Matilde (Rua da Beneficência 77), o Solar dos Nunes (Rua dos Lusíadas 70) e O Luís (Rua José Duro 29).
Se conhece pudim flan, experimente pudim Abade de Priscos

Imagem cortesia de A Carvalheira
O pudim flan é uma presença muito habitual nas sobremesas dos restaurantes tradicionais, e a maior parte das pessoas gosta dele pela textura lisa e pelo brilho do caramelo. De uma forma geral, Portugal tem uma verdadeira paixão por sobremesas cremosas e ricas em ovo, como se vê no pastel de nata, no leite creme ou em especialidades mais regionais como a tigelada.
O pudim Abade de Priscos pertence à mesma família de pudins, mas tem muito mais personalidade. Foi criado no século XIX por Manuel Joaquim Machado Rebelo, o Abade de Priscos, perto de Braga, e é hoje uma das sobremesas regionais mais famosas de Portugal. Pode pensar-se nele como um primo mais rico e luxuoso do pudim com caramelo mais comum. Para além de uma generosa quantidade de gemas, a receita leva também bastante açúcar, vinho do Porto e toucinho, o que lhe dá uma textura mais densa e um brilho muito próprio.
Esta é uma das sobremesas mais irresistíveis que pode provar em Portugal e, para o fazer em Lisboa, recomendamos estabelecimentos como o restaurante de peixe e marisco Baixamar (Rua dos Bacalhoeiros 28C), o The Lisbon Club 55 (Rua de Santa Catarina 3), ou o Pigmeu (Rua 4 de Infantaria 68), em Campo de Ourique. Se preferir provar pudim Abade de Priscos sem se comprometer com uma refeição completa, vale a pena visitar a loja de sobremesas Atelier Miguel Silva, em Oeiras.
Se conhece mousse de chocolate, experimente baba de camelo

Imagem cortesia de Pastelaria Online
Para muita gente que anda a descobrir Portugal à mesa, a mousse de chocolate é uma daquelas sobremesas familiares que aparecem vezes sem conta no fim da refeição. Mas, se gosta de mousses, sugerimos que prove também baba de camelo. Esta sobremesa cremosa, cujo nome faz sorrir à partida, é feita com leite condensado cozido e ovos, e pode ser entendida como uma espécie de mousse de caramelo, com um sabor bem marcado. É um clássico, presente nas ementas de tascas e também na seção refrigerada de muitos supermercados, por isso não será difícil encontrá-la em Lisboa. Basta perguntar um pouco à sua volta para perceber rapidamente que esta é uma das sobremesas nacionais favoritas de miúdos e graúdos.
Para além de existir como sobremesa em si mesma, a baba de camelo funciona hoje quase como um perfil de sabor próprio, ainda que não ao ponto do chocolate. Há gelados de baba de camelo, tartes com baba de camelo e sobremesas em camadas em que o habitual creme foi substituído por esta mistura de leite condensado. Até marcas internacionais como a McDonald’s já chegaram a lançar sundae com cobertura de baba de camelo.
Não precisa de ir a nenhum sítio especial em Lisboa para provar baba de camelo. Entre em qualquer tasca de bairro e é bem provável que a encontre. Mas, se estiver na sua última refeição na cidade e não quiser arriscar, vá diretamente a um restaurante como a Laurentina Rei do Bacalhau (Av. Conde de Valbom 71A), ou O Miudinho (Rua Neves Costa 21).
Se conhece pastel de nata, experimente pastel de feijão

Imagem cortesia de Petitchef
Poucos doces portugueses viajaram tão bem como o pastel de nata. Com o seu recheio cremoso envolvido por massa folhada estaladiça e um ligeiro toque salgado que faz apetecer outro mal se acaba o primeiro, é o pastel que a maioria dos viajantes tem na sua lista de coisas a provar em Portugal. É também um dos bolos que nós, portugueses, mais comemos, ao pequeno-almoço ou para acompanhar um café, e discutir onde se come o melhor pastel de nata em Lisboa é quase um dos passatempos da cidade.
Mas, claro, a pastelaria do dia a dia em Portugal não começa nem acaba no pastel de nata. Os pastéis de feijão, por exemplo, também são extremamente comuns e muito apreciados em todo o país. Têm origem em Torres Vedras, a norte de Lisboa, onde beneficiam de Indicação Geográfica Protegida atribuída pela União Europeia. Este doce é feito com uma massa delicada recheada com um preparado doce à base de feijão branco, açúcar, gemas e amêndoa. É um daqueles raros doces de matriz conventual que ainda hoje se encontram com relativa facilidade em muitas pastelarias de Lisboa e arredores, o que faz dele uma escolha bastante quotidiana.
A ideia de feijão dentro de um pastel doce pode soar estranha a algumas pessoas, mas nesta receita o feijão entra sobretudo para dar cremosidade, sem que o seu sabor se faça notar de forma evidente. Tal como no pastel de nata, há um recheio macio envolvido por massa crocante, e esse contraste de texturas é precisamente uma das coisas que mais atrai os mais gulosos. Como acontece com tantas receitas portuguesas, há variações. Nalguns casos, o pastel de feijão é feito com uma massa mais próxima da massa areada. Noutros, aproxima-se mais da massa folhada, com uma estrutura mais laminada. Por vezes, o recheio fica ainda escondido sob uma espécie de pequena tampa de massa.
Os pastéis de feijão encontram-se facilmente por todo o país e, em Lisboa, alguns dos melhores podem ser provados em pastelarias clássicas como a Confeitaria Nacional (Praça da Figueira 18B), ou a Pastelaria Versailles (Av. da República 15 A). Mas como é tão fácil fazer uma escapadinha de Lisboa até Torres Vedras, recomendamos mesmo ir até lá e provar pastéis de feijão em casas tradicionais como a Pastéis Brasão ou a Casa Benjamim.
Como vê, quanto mais se vai além do óbvio, mais gratificante se torna a gastronomia portuguesa. Para ler mais artigos como este e receber dicas sobre o que comer e onde em Lisboa e noutras zonas do país, subscreva a newsletter da Taste of Lisboa.
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