Bairro Alto vs Cais do Sodré: onde comer comida lisboeta autêntica nos dois bairros mais animados de Lisboa
O Bairro Alto e o Cais do Sodré são duas das zonas mais animadas do centro de Lisboa. Ficam suficientemente perto para serem exploradas durante a mesma tarde ou noite, embora cada uma também mereça uma visita própria. O Bairro Alto situa-se numa zona elevada da cidade, numa rede compacta de ruas estreitas onde restaurantes antigos, cafés, bares, pequenas lojas e casas de fado ocupam os mesmos quarteirões. Este artigo inclui também a vizinha Santa Catarina, uma zona mais calma e residencial, conhecida pelos cafés de bairro, pequenos restaurantes e um dos miradouros mais populares de Lisboa. Mais abaixo, o Cais do Sodré é marcado pelo rio, pelas ligações de transportes e pelo Mercado da Ribeira. Entre a frente ribeirinha e as zonas mais altas da cidade, a Bica combina ruas íngremes, edifícios residenciais antigos, cafés, bares e uma identidade própria.
Imagem de capa cortesia de Pap’Açorda no Facebook
As quatro zonas estão muito próximas e os visitantes percorrem-nas frequentemente como parte do mesmo itinerário. É fácil começar em Santa Catarina, atravessar o Bairro Alto, descer pela Bica e terminar junto ao rio, no Cais do Sodré, ou fazer o percurso inverso. A proximidade permite explorá-las em conjunto, mas o ambiente muda de uma zona para outra e, de forma ainda mais evidente, entre o dia e a noite.
Imagem cortesia de Taberna do Bairro Alto no Instagram
O Bairro Alto é sobretudo conhecido pela vida noturna, embora tenha um carácter bastante diferente durante o dia. De manhã e à hora de almoço, as ruas são mais tranquilas e torna-se mais fácil reparar nos cafés, restaurantes tradicionais, lojas e outros negócios que funcionam durante o dia. Santa Catarina é mais residencial e conta com bastante alojamento turístico, pastelarias locais, restaurantes e esplanadas particularmente agradáveis antes de a zona do miradouro ficar mais movimentada ao final da tarde.
Imagem cortesia de Bubbly & Living
A Bica e o Cais do Sodré têm outra atmosfera durante o dia. A Bica continua a ser parcialmente residencial, mas é também uma das principais ligações pedonais entre as zonas altas da cidade e o rio. O Cais do Sodré é um dos principais núcleos de transportes de Lisboa. O mercado atrai igualmente trabalhadores, passageiros, visitantes e pessoas que circulam entre a Baixa e a frente ribeirinha. À noite, a Bica passa a fazer parte do percurso entre o Bairro Alto e o rio, enquanto o Cais do Sodré fica progressivamente mais movimentado em redor da Rua Nova do Carvalho, mais conhecida como Rua Cor de Rosa ou, entre os estrangeiros, Pink Street.
Estas mudanças influenciam onde e quando faz sentido comer. Alguns lugares são mais indicados para um pequeno-almoço à portuguesa ou simplesmente para um café e um pastel de nata. Outros são sobretudo procurados à hora de almoço, para um prato do dia e um copo de vinho da casa. À noite, as opções passam também por petiscos para partilhar, jantares com fado, bares de vinho e alguns restaurantes onde ainda se pode comer mais tarde. Os restaurantes internacionais e os conceitos gastronómicos mais recentes também fazem parte destas zonas, sobretudo no Cais do Sodré, mas este guia concentra-se na comida portuguesa e nos estabelecimentos que mantêm uma ligação clara a Lisboa. Essa ligação nem sempre é fácil de identificar. Apesar da quantidade de restaurantes que anunciam “comida tradicional”, a aparência do espaço não garante uma refeição com uma ligação real ao bairro. Este guia mostra como a comida portuguesa se integra no quotidiano do Bairro Alto, de Santa Catarina, da Bica e do Cais do Sodré, do pequeno-almoço ao jantar.
Bairro Alto, Santa Catarina, Bica e Cais do Sodré em resumo
Imagem cortesia de Viaggia Scrittori
Explorar o Bairro Alto e Santa Catarina
– Destaques: ruas estreitas, restaurantes tradicionais, cafés, casas de fado, pequenas lojas e uma das zonas de vida noturna mais movimentadas de Lisboa. Durante o dia, o ambiente é mais calmo e propício a passeios, cafés e almoços. À noite, o Bairro Alto enche-se de pessoas a jantar, grupos a caminho dos bares e gente reunida nas ruas, enquanto Santa Catarina fica particularmente concorrida ao pôr do sol.
– Caminhar por: Rua da Atalaia, Rua do Diário de Notícias, Rua da Rosa, Rua do Norte e Travessa da Queimada, no Bairro Alto. Continue até ao Largo Trindade Coelho e a São Pedro de Alcântara, ou siga para sul em direção a Santa Catarina, passando pela Rua do Loreto, Calçada do Combro e pelas ruas em redor do miradouro.
– Visitar: a Igreja e o Museu de São Roque, pela arte e arquitetura religiosa portuguesa; o miradouro de São Pedro de Alcântara, com vistas sobre a Baixa e a colina do castelo; e o miradouro de Santa Catarina, virado para o Tejo, o porto e a Ponte 25 de Abril. Estas zonas também permitem chegar facilmente ao Chiado, ao Príncipe Real e à Bica.
– Experiência gastronómica: café e pastel de nata de manhã, um prato do dia ao almoço ou um jantar mais demorado antes de sair à noite. Procure restaurantes tradicionais, tascas, jantares com fado, peixe e carne grelhados, pratos de bacalhau, petiscos, vinho português e sobremesas tradicionais. Os restaurantes internacionais e conceitos gastronómicos modernos também são comuns, mas as refeições portuguesas mais convincentes encontram-se muitas vezes em estabelecimentos antigos, com menus curtos e coerentes.
Imagem cortesia de Jorge Franganillo no Flickr
Explorar a Bica e o Cais do Sodré
– Destaques: ruas residenciais íngremes, o percurso do Elevador da Bica, cafés tradicionais, o Mercado da Ribeira, vistas sobre o rio, marisco, bares e vida noturna. A Bica é geralmente mais calma durante o dia, enquanto o Cais do Sodré se mantém movimentado com passageiros, clientes do mercado e visitantes. Ambas as zonas ficam mais concorridas à noite.
– Caminhar por: Rua da Bica de Duarte Belo, Travessa do Cabral e as ruas que descem até à Rua de São Paulo. Continue pela Praça de São Paulo, Rua Nova do Carvalho e Praça do Duque da Terceira até chegar ao rio. A partir daí, a Ribeira das Naus proporciona um passeio fácil e agradável até à Praça do Comércio.
– Visitar: o Mercado da Ribeira e o Time Out Market, o percurso do Elevador da Bica, a Praça de São Paulo e a frente ribeirinha do Cais do Sodré. O terminal fluvial permite atravessar o Tejo até Cacilhas e Almada, enquanto a estação ferroviária liga o centro de Lisboa a Belém, Estoril e Cascais.
– Experiência gastronómica: café e bolos tradicionais na Bica, um almoço tradicional em redor de São Paulo, comida portuguesa no Mercado da Ribeira, marisco perto do Cais do Sodré ou comer mais tarde antes ou depois de sair à noite. O Time Out Market reúne vários restaurantes e chefs conhecidos de Lisboa, mas convém escolher com critério. Recomendamos procurar pratos portugueses ou chefs nacionais reconhecidos que sirvam receitas com uma identidade local clara.
Bairro Alto e Santa Catarina: restaurantes antigos, cafés de bairro e vida noturna
O Bairro Alto começou a desenvolver-se a partir do século XVI, como uma das primeiras expansões urbanas planeadas de Lisboa. A sua malha compacta continua a definir a zona, com ruas estreitas e edifícios baixos. Ao longo dos séculos, o bairro ficou associado aos ofícios, aos jornais, aos escritores, aos artistas, ao fado e à vida noturna. Vários nomes de ruas ainda fazem referência aos jornais e às profissões que existiram nesta área.
O bairro muda consideravelmente ao longo do dia. De manhã, os bares estão fechados e as ruas são relativamente tranquilas. É nesta altura que os moradores seguem as suas rotinas, as lojas recebem entregas e os cafés e pastelarias servem pequenos-almoços. À hora de almoço, os restaurantes tradicionais abrem para trabalhadores da zona, clientes habituais e visitantes à procura de um prato do dia. A menor afluência também torna mais fácil reparar em negócios antigos que passam despercebidos quando começa o movimento da noite.
Imagem cortesia de On The Grid
À noite, os restaurantes, algumas casas de fado e muitos bares dominam a atividade no Bairro Alto. Algumas pessoas vêm especificamente para jantar ou assistir a uma atuação, enquanto outras comem aqui antes de percorrerem os bares ou continuarem a descer em direção à Bica e ao Cais do Sodré. As ruas mais conhecidas podem ficar bastante cheias, sobretudo mais tarde e aos fins de semana. Para uma refeição mais tranquila, convém chegar cedo ou escolher ruas afastadas da maior concentração de bares.
Imagem cortesia de Home Lisbon Hostel
Santa Catarina tem um carácter mais residencial, embora fique imediatamente ao lado do Bairro Alto e partilhe alguma da sua atividade noturna. Durante o dia, as pessoas vêm tomar café, tomar pequeno-almoço, almoçar ou passear pelas ruas entre a Calçada do Combro e o miradouro. Ao final da tarde, o miradouro de Santa Catarina, conhecido popularmente como Adamastor, atrai pessoas que vêm apreciar a vista, beber um copo e encontrar-se informalmente, muitas vezes com performances de músicos de rua. As ruas em redor também ficam mais movimentadas, mas as multidões costumam estar mais dispersas do que no centro do Bairro Alto.
A comida nas duas zonas reflete a combinação entre vida quotidiana, turismo e vida noturna. Restaurantes portugueses tradicionais, cafés e pastelarias convivem com restaurantes internacionais, espaços de brunch, bares de vinhos e propostas gastronómicas mais recentes. O resultado é uma oferta variada, que muda ao longo do dia, desde pequenos-almoços ao balcão e menus de almoço acessíveis até peixe ou carne grelhados, pratos de bacalhau, petiscos, sobremesas tradicionais e jantares acompanhados por fado.
Onde comer no Bairro Alto e em Santa Catarina
No Bairro Alto e em Santa Catarina, a hora do dia ajuda a decidir onde comer. As manhãs são mais indicadas para cafés e pastelarias. Ao almoço, ganham destaque os restaurantes tradicionais e os pratos do dia. À noite, tornam-se mais relevantes os jantares demorados, as casas de fado e os bares de vinhos.
Imagem cortesia de Projetobra
Para um pequeno-almoço típico português ou um café rápido, a Pastelaria Orion (Calçada do Combro 1), aberta desde 1945, é uma das pastelarias mais emblemáticas da zona. Trata-se de uma pastelaria tradicional e não de um café de especialidade. Os pedidos habituais incluem uma bica, um galão, uma torrada, um bolo ou um dos salgados disponíveis ao balcão.
Imagem cortesia de Manteigaria no Facebook
A Manteigaria (Rua do Loreto 2) é uma das casas mais conhecidas do centro de Lisboa para provar um pastel de nata acabado de sair do forno. O espaço dedica-se exclusivamente a este doce, com novas fornadas a sair ao longo do dia. Não é o lugar indicado para um pequeno-almoço completo, mas sim para uma paragem rápida com um pastel ainda quente e uma bica. O horário alargado permite passar por lá de manhã, durante a tarde ou já depois do jantar.
Imagem cortesia de Donny Pusawong no Tripadvisor
Na Praça Luís de Camões, na entrada do Bairro Alto, O Trevo (Praça Luís de Camões 48) é um dos lugares mais conhecidos do centro de Lisboa para comer uma bifana. A visita de Anthony Bourdain deu-lhe projeção internacional, embora já fosse muito popular entre os lisboetas. A maioria dos clientes pede uma bifana ou um prego ao balcão, mas a ementa inclui também sopa e pratos do dia económicos. É uma boa paragem para um lanche, um almoço rápido ou algo mais substancial antes de entrar no Bairro Alto para beber um copo.
Imagem cortesia de Time Out Lisboa
Mais adiante, na Calçada do Combro, o restaurante As Zebras do Combro (Calçada do Combro 51) é uma opção informal para almoço ou jantar cedo. O restaurante serve comida portuguesa e regional num ambiente de tasca de bairro, apesar de se situar numa rota movimentada entre o Bairro Alto, Santa Catarina e a Bica. A ementa pode incluir sopa, peixe, marisco, pastéis de bacalhau e outros pratos tradicionais.
O Príncipe do Calhariz (Calçada do Combro 28-30) é outra alternativa para um almoço português tradicional na mesma zona. A ementa concentra-se em pratos típicos do repertório de cozinha caseira portuguesa, incluindo peixe grelhado, bifes e diferentes receitas de bacalhau.
Imagem cortesia de Comércio com História
No interior do Bairro Alto, o Antigo 1º de Maio (Rua da Atalaia 8) é um dos restaurantes mais conhecidos do bairro para uma refeição portuguesa à moda antiga. A casa remonta ao início do século XX e é reconhecida pelo programa municipal Lojas com História. A hora de almoço é uma boa altura para visitar, quando as ruas em redor estão mais tranquilas e o restaurante se encontra mais ligado à rotina diária do bairro do que à vida noturna.
Imagem cortesia de Lisbon City Break
Quase na entrada do Bairro Alto, a Casa da Índia (Rua do Loreto 49-51) está aberta desde a hora de almoço até bastante tarde. Apesar do nome, é um restaurante português conhecido pelos grelhados simples, incluindo peixe, frango e outros pratos de carne, servidos numa sala movimentada e informal. Como serve comida até à 1h00, é uma alternativa prática para quem pretende jantar mais tarde do que o horário habitual das refeições em Portugal.
Imagem cortesia de Antonio A no Tripadvisor
O Alfaia (Travessa da Queimada 18-24) aposta numa carta dedicada à cozinha regional portuguesa. Entre os pratos podem encontrar-se vitela maronesa, polvo à lagareiro e pataniscas com arroz de feijão. A casa também serve bacalhau à Brás, um prato que teve origem no Bairro Alto. A carta de vinhos dá destaque a produtores portugueses. Para quem não pretende uma refeição completa, o bar de vinhos contíguo oferece petiscos e vinhos de várias regiões do país.
O Sinal Vermelho (Rua das Gáveas 89) é outro restaurante de longa data do Bairro Alto para uma refeição portuguesa completa, sobretudo ao jantar. A extensa ementa inclui açorda de marisco, arroz de tamboril, bacalhau preparado de várias formas tradicionais, arroz de polvo, arroz de pato e carnes assadas. As doses são generosas e o ambiente mantém-se informal e tradicional. É aconselhável reservar, sobretudo ao jantar.
Para um jantar mais sofisticado sem fado, o Lisboa à Noite (Rua das Gáveas 69) apresenta cozinha portuguesa numa sala mais formal, na extremidade do Bairro Alto. É uma escolha para um jantar planeado, com tempo para degustar vários pratos acompanhados de vinho português.
Imagem cortesia de SUBA no Instagram
Para desfrutar da alta cozinha portuguesa em Santa Catarina, o SUBA (Travessa da Portuguesa 53) situa-se no interior do Verride Palácio de Santa Catarina. O chef Fábio Alves inspira-se nas suas origens transmontanas e utiliza ingredientes e receitas de diferentes regiões do país. Os menus de degustação incluem peixe, marisco, alheira e broa de milho, trabalhados com técnicas contemporâneas. A reserva é essencial e, depois do jantar, os clientes podem visitar o terraço do hotel, com vistas sobre Lisboa e o Tejo.
O Aldeia (Rua do Diário de Notícias 49) apresenta uma abordagem contemporânea aos petiscos e é sobretudo uma opção para o período da noite. A carta inclui queijos, enchidos, conservas de peixe, marisco, petiscos e outros pratos pensados para partilhar.
Imagem cortesia de TodoWeekend
A Adega Machado (Rua do Norte 91, na fotografia acima) e O Faia (Rua da Barroca 54-56), fundadas em 1937 e 1947, respetivamente, são duas casas históricas para jantar com fado no Bairro Alto. Ambas combinam cozinha portuguesa com atuações profissionais, embora os menus e formatos sejam diferentes. Deve contar com uma noite completa, e não com um jantar rápido.
A Tasca do Chico (Rua do Diário de Notícias 39) oferece uma introdução menos formal ao fado. Está associada ao fado vadio, no qual podem participar cantores amadores ou profissionais, e o ambiente aproxima-se mais de uma tasca cheia do que de um espetáculo formal com jantar. A música e as bebidas são o principal motivo da visita. A comida limita-se a alguns petiscos simples e não a uma refeição completa.
Bica e Cais do Sodré: mercado, frente ribeirinha e vida noturna
A Bica liga as zonas mais altas do centro de Lisboa à Rua de São Paulo e à frente ribeirinha. A sua rua mais conhecida, a Rua da Bica de Duarte Belo, acompanha o percurso do Elevador da Bica entre o Largo do Calhariz e a Rua de São Paulo. O bairro é pequeno e íngreme, com casas antigas, cafés, restaurantes e bares distribuídos pelas ruas que muitos visitantes percorrem entre o Bairro Alto e o Cais do Sodré.
Imagem cortesia de Accidentally Wes Anderson
Durante o dia, a Bica mantém um carácter claramente residencial. Os cafés locais, pequenas lojas e restaurantes recebem tanto os moradores como os visitantes que fotografam o elevador ou passam pela zona a caminho do rio. As horas mais tranquilas permitem conhecer o bairro para lá da sua rua mais famosa e parar para tomar café, almoçar ou petiscar qualquer coisa. À noite, os bares ficam mais movimentados e a Bica passa a fazer parte do percurso noturno entre o Bairro Alto e o rio.
Na base da colina, o Cais do Sodré é um dos principais centros de transportes e comércio de Lisboa, com ligações de comboio, metro e barco, incluindo cacilheiros que atravessam para a margem sul do Tejo. A proximidade ao porto marcou esta zona durante várias gerações, trazendo marinheiros, estivadores, armazéns, tabernas e alojamento barato para as ruas junto à estação e à frente ribeirinha. Essa identidade portuária e popular acabou por ficar muito ligada à vida noturna. Bares como o Tokyo e o Jamaica conservam nomes associados ao passado noturno da zona, enquanto a Pensão Amor se inspira de forma mais direta na história da Rua Nova do Carvalho, anteriormente conhecida pelos bordéis e estabelecimentos frequentados por marinheiros. Hoje, a zona tem outro perfil, marcado pelo turismo, pela restauração e vida noturna, pelas ligações de transportes e pela requalificação da frente ribeirinha.
Imagem cortesia de Maria Leite Castro
O Mercado da Ribeira é central para a cultura gastronómica diurna do Cais do Sodré. Inaugurado em 1882, foi durante muito tempo um dos principais mercados alimentares de Lisboa para peixe, fruta, legumes e flores. Parte do edifício continua a funcionar como mercado tradicional durante a manhã, enquanto outra parte acolhe o Time Out Market desde 2014. Os dois espaços cumprem funções distintas dentro do mesmo edifício, sendo que um mantém a função comercial do mercado e o outro reúne balcões de restaurantes selecionados, bares e projetos gastronómicos.
O Time Out Market transformou o Cais do Sodré num dos destinos gastronómicos mais conhecidos de Lisboa, mas não deve ser encarado como uma introdução completa à cozinha portuguesa. Além de comida internacional e conceitos contemporâneos, os seus balcões incluem chefs portugueses, pratos regionais e receitas tradicionais. Entre as opções encontram-se o polvo à lagareiro de Marlene Vieira e o bacalhau confitado com grão e tomate seco de Henrique Sá Pessoa, uma interpretação contemporânea de ingredientes familiares da cozinha portuguesa. Convém escolher com critério, dando prioridade a negócios com uma ligação estabelecida à cozinha portuguesa.
Fora do mercado, o Cais do Sodré recebe durante o dia passageiros, trabalhadores, clientes do mercado e pessoas que se encontram para almoçar. Cafés, marisqueiras, restaurantes tradicionais e negócios mais recentes funcionam lado a lado. A comida portuguesa continua certamente presente, embora o crescimento do turismo, da vida noturna e dos conceitos internacionais a tenha tornado menos dominante do que no passado.
Imagem cortesia de TravelAwaits
O ambiente muda depois de anoitecer, sobretudo mais tarde, quando os bares do Bairro Alto começam a fechar, geralmente por volta das 2h00. Muitas pessoas fazem então a descida de cerca de dez minutos até ao Cais do Sodré, onde os bares e discotecas em redor da Rua Nova do Carvalho, conhecida como Rua Cor de Rosa, permanecem abertos até mais tarde, muitas vezes até cerca das 4h00. A zona também conta com algumas opções de comida simples para quem continua a noite perto do rio.
Onde comer na Bica e no Cais do Sodré
A Bica e o Cais do Sodré têm uma grande variedade de lugares onde comer, desde bancas de mercado, cafés de bairro e restaurantes portugueses até espaços orientados para turistas e negócios voltados sobretudo à vida noturna. A melhor escolha depende da rua, do tipo de estabelecimento e do tipo de refeição procurado.
Imagem cortesia de Dguendel via Wikimedia
O Mercado da Ribeira (Avenida 24 de Julho 49) reúne duas experiências gastronómicas muito diferentes. Visite-o de manhã para conhecer o mercado municipal tradicional, onde as bancas vendem peixe, fruta, legumes, queijo, produtos de mercearia e flores. Quem estiver alojado num apartamento pode comprar ingredientes, enquanto os restantes visitantes podem levar fruta, queijo ou produtos portugueses antes de a maioria das bancas tradicionais fechar.
O Time Out Market ocupa outra parte do edifício e permanece aberto até muito mais tarde. Os seus balcões incluem chefs e restaurantes portugueses conhecidos, assim como comida internacional, bares e espaços dedicados a sobremesas. Para encontrar as opções portuguesas mais interessantes, escolha um prato específico em vez de encarar todo o espaço como uma experiência tradicional lisboeta. Procure marisco, receitas regionais, pastelaria portuguesa e balcões ligados a restaurantes locais estabelecidos.
Imagem cortesia de Pinóquio no Facebook
Entre as opções portuguesas mais interessantes do Time Out Market encontra-se o Pinóquio, que serve alguns dos seus pratos mais conhecidos, como garoupa assada no forno e pica-pau de vaca, fotografado acima. O Monte Mar e a Marisqueira Azul, duas das melhores marisqueiras de Lisboa, também têm balcões no mercado. São lugares onde pode provar marisco fresco, incluindo amêijoas à Bulhão Pato, camarões e o tradicional prego que muitas vezes encerra uma refeição de marisco.
Imagem cortesia de Pap’Açorda no Facebook
O Pap’Açorda situa-se no piso superior, acima do salão principal, e é um restaurante com serviço de mesa, não um balcão de mercado. A casa tornou-se conhecida no Bairro Alto durante as décadas de 1980 e 1990, antes de se instalar no Mercado da Ribeira após 35 anos naquele bairro. Vários dos seus pratos mais famosos permanecem na ementa, incluindo pastéis de massa tenra, açorda de gambas, costeletas de borrego panadas com esparregado e a conhecida mousse de chocolate.
Imagem cortesia de Brilhante
Ao lado do Mercado da Ribeira, o Brilhante (Rua da Moeda 1) oferece uma opção mais formal para almoço ou jantar. O restaurante combina o estilo de uma brasserie francesa clássica com referências aos cafés lisboetas do século XIX. O prato de assinatura é o bife à Brilhante, criado como homenagem ao bife à Marrare, uma receita histórica da restauração lisboeta. O bife à Marrare está associado a António Marrare, um empresário napolitano que abriu vários cafés na cidade, incluindo um nas proximidades, na Rua dos Remolares. A carta também inclui peixe e bacalhau, mas é este prato que representa a ligação mais forte à história da restauração lisboeta.
Atrás do Mercado da Ribeira, O Triângulo da Ribeira (Rua da Ribeira Nova 48) é um pequeno snack-bar familiar conhecido pelas bifanas. Peça uma bifana simples ou com ovo e queijo, ou escolha um prego, uma chamuça ou um rissol de camarão, caso estejam disponíveis. Há poucos lugares sentados e as filas são comuns à hora de almoço, mas o serviço é rápido e os preços mantêm-se acessíveis. Convém ir durante o dia, pois fecha antes de começar a vida noturna.
Imagem cortesia de FaceFood Mag
As ruas em redor do Mercado da Ribeira, a Rua de São Paulo e a Rua da Boavista tiveram outrora uma maior concentração de cafés, tabernas e negócios tradicionais que serviam os moradores da zona. Muitos foram substituídos por restaurantes internacionais, espaços de brunch, bares de cocktails e novos espaços de restauração. O Corrupio (Rua da Moeda 1) é um exemplo de um restaurante contemporâneo que aposta numa carta de cozinha portuguesa contemporânea. Os lugares distribuem-se sobretudo em redor de um grande balcão e a seleção, que vai mudando, pode incluir peixe curado, bacalhau, porco, polvo, pratos de arroz, sandes de inspiração portuguesa e versões atualizadas de sobremesas tradicionais. É indicado para almoço ou jantar quando se procura cozinha portuguesa contemporânea, em vez do formato de uma tasca convencional.
Para almoço, petiscos ou um jantar informal perto da Praça de São Paulo, a Taberna Tosca (Praça de São Paulo 21) serve queijos regionais portugueses, enchidos, salada de polvo, choco frito, pastéis de bacalhau, ovos verdes e sobremesas tradicionais. Os petiscos e o vinho português são uma boa combinação antes de continuar em direção à Bica, à Rua Cor de Rosa ou ao rio, sobretudo ao final do dia.
Imagem cortesia de Santa Bica
Na Bica, o Santa Bica (Travessa do Cabral 37-39) ocupa uma antiga padaria e dispõe de uma sala interior e de um pátio junto ao percurso do Elevador da Bica. A carta concentra-se em petiscos e pratos principais portugueses, acompanhados por vinhos nacionais e cocktails. É sobretudo indicado para um jantar na Bica antes de continuar a descer até ao Cais do Sodré, ou para quem prefere permanecer no bairro em vez de comer nas ruas mais movimentadas perto do mercado e da vida noturna.
O Bica Sour (Rua da Bica de Duarte Belo 31) é sobretudo um bar noturno, mas a carta de petiscos é suficientemente completa para um jantar informal. As opções portuguesas podem incluir moelas, chouriço assado, pastéis de bacalhau, peixinhos da horta, choco frito, salada de polvo e bacalhau à Brás. Também existem alguns pratos internacionais típicos de bar, por isso convém escolher com atenção quando a prioridade são os sabores portugueses.
Imagem cortesia de Na Boa no Instagram
Mais a oeste, onde o Cais do Sodré começa a aproximar-se de Santos, o naBOA (Rua da Boavista 128) é um espaço recente inspirado nos cafés e snack-bares tradicionais portugueses. Abre ao final da tarde e serve bifanas, pregos, pastéis de bacalhau, rissóis de camarão e sobremesas familiares, como pudim flan, arroz doce e leite-creme. É uma opção para acompanhar petiscos portugueses com cerveja antes de sair à noite, comer durante um jogo de futebol ou encontrar algo depois de os restaurantes tradicionais já terem fechado.
O Bairro Alto, Santa Catarina, a Bica e o Cais do Sodré mudam consideravelmente ao longo do dia. As manhãs e as horas de almoço são mais indicadas para cafés, pastelarias, menus tradicionais e as bancas do Mercado da Ribeira. Mais tarde, os restaurantes, casas de fado, bares de vinho e lugares que servem petiscos ganham maior destaque. Algumas das melhores descobertas gastronómicas não se encontram nas escolhas mais óbvias das ruas mais movimentadas.
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