Os 10 melhores bares de vinho de Lisboa
O escritor escocês Robert Louis Stevenson escreveu um dia que “o vinho é poesia engarrafada” e, em Portugal, não falta matéria de leitura para quem gosta de vinho. Dos brancos frescos e espumantes aos tintos encorpados, passando pelos brancos de curtimenta e pelos vinhos fortificados com séculos de história, a cultura vínica portuguesa é extraordinariamente diversa, sobretudo tendo em conta a dimensão relativamente pequena do país.
Imagem cortesia de Nova Wine Bar
Se tiver tempo, continuamos a achar que uma das melhores formas de perceber o vinho português é ir à origem. Há excelentes experiências de enoturismo perto de Lisboa, onde pode passear pelas vinhas, visitar adegas e perceber o que acontece antes de o vinho chegar ao copo. Mas não é preciso sair de Lisboa para começar a explorar.
Na maioria dos restaurantes encontrará pelo menos algumas referências portuguesas, e pedir um copo de vinho ao almoço ou ao jantar não está reservado a ocasiões especiais. Mesmo num almoço em dia de trabalho, é perfeitamente normal beber um copo de vinho à refeição e voltar ao trabalho depois.
Em Lisboa encontra vinho praticamente em todo o lado, inclusive em sítios que podem surpreender quem visita a cidade, como lojas junto a postos de combustível ou até algumas cadeias de fast food. Ainda assim, vale a pena procurar bares especializados em vinho para ir um pouco mais longe. Alguns concentram-se quase exclusivamente em produtores portugueses, enquanto outros ajudaram a tornar Lisboa num destino cada vez mais interessante para vinhos naturais e de baixa intervenção. Há pequenos bares de bairro, garrafeiras onde também se pode ficar a beber um copo, espaços pensados para provas guiadas e bares de vinho com cozinhas que justificam chegar com fome.
Nos bares de vinho, pedir a copo é perfeitamente normal e permite provar uma maior variedade. Nos espaços mais pequenos, a seleção costuma mudar consoante as garrafas abertas nesse dia. Se encontrar castas que não conhece, peça recomendações a quem o estiver a servir, explicando o que costuma gostar e quanto pretende gastar. Pode escolher estilos que já conhece ou experimentar algo completamente diferente.
Pode beber um copo sem acompanhamento ou juntar-lhe pouco mais do que azeitonas ou queijo, mas também há conservas portuguesas, enchidos e outros petiscos. Nos bares com uma oferta de comida mais desenvolvida, alguns pequenos pratos podem facilmente transformar-se numa refeição. Pode parar para um copo antes de comer noutro sítio, ficar para provar vários vinhos com algo mais substancial ou fazer do próprio bar o destino da noite.
Vinhos naturais, biológicos, biodinâmicos e de baixa intervenção aparecem com frequência nas cartas de Lisboa, sobretudo nos bares independentes mais recentes. Tal como explicamos mais abaixo, os termos não significam todos a mesma coisa. Estes espaços também deram maior visibilidade a pequenos produtores, vinhos menos convencionais e estilos menos familiares, a par das regiões vínicas portuguesas mais clássicas e de produtores que continuam a merecer atenção.
Seja qual for o tipo de vinho que procura durante uma viagem à capital portuguesa, é muito provável que o encontre entre estes 10 lugares de Lisboa onde vale a pena beber vinho:
10 – Melhor para descobrir vinhos portugueses: Nova Wine Bar

Imagem cortesia de Nova Wine Bar
A seleção do Nova Wine Bar, na Rua Nova do Almada, entre a Baixa e o Chiado, reúne mais de 600 vinhos de pequenos produtores portugueses e cobre uma parte muito ampla da produção vínica nacional. No estrangeiro, o vinho português é muitas vezes reduzido a alguns nomes familiares do Douro, Alentejo e, talvez, Vinho Verde, apesar de o mapa vínico do país se estender de Trás-os-Montes e Minho, a norte, até ao Algarve, sem esquecer os arquipélagos da Madeira e dos Açores. A seleção do Nova procura mostrar essa diversidade, incluindo regiões, castas e estilos de vinificação que raramente aparecem numa carta de restaurante convencional.
No Nova pode, por exemplo, explorar a própria região de Lisboa, que reúne nove denominações de origem, entre elas Bucelas, conhecida sobretudo pelos brancos de Arinto; Colares, onde tradicionalmente as vinhas crescem em solos arenosos junto ao Atlântico; e a pequena Carcavelos, associada a um vinho fortificado histórico hoje produzido em quantidades muito reduzidas. Uma carta com esta dimensão permite ir além das regiões portuguesas que dominam as exportações e muitas cartas de restaurantes em Lisboa, mostrando melhor a diversidade regional do vinho português.
O Nova abriu em 2017, quando Pedro Caixado e Miguel Branco, então a trabalhar em publicidade, transformaram um interesse comum por comida e vinho num bar e garrafeira. Desde o início, a aposta esteve em vinhos portugueses mais recentes e pequenos produtores, e Pedro continua a acompanhar de perto grande parte da seleção e do serviço de vinhos, além de estar envolvido na comida.
O menu é pensado com harmonizações em mente, com pratos como sardinhas em conserva com pimentos assados sobre pão torrado, carpaccio de barriga de porco preto salgada, morcela fumada com compota de ginja e lima, bacalhau a baixa temperatura com puré de grão e atum ou peixe-espada fumado com ananás e hortelã. As sugestões de vinho podem variar entre regiões, castas e estilos consoante o prato, e essa diversidade chega também à sobremesa, onde o vinho da Madeira pode surgir entre as harmonizações.
📍Rua Nova do Almada 20, Chiado, 1200-289 Lisboa
9 – Melhor para vinhos naturais, biológicos e biodinâmicos: Black Sheep Lisboa

Imagem cortesia de Fem Hektar
O Black Sheep Lisboa serve vinho desde 2019 num pequeno espaço na Praça das Flores, mesmo abaixo do Príncipe Real. O bar foi aberto originalmente pelos norte-americanos Brian e Jennifer Patterson, com uma forte aposta em produtores portugueses independentes, e hoje é gerido pelos brasileiros Bruna Ventura e Lucas Ferreira, que continuam a construir a seleção em torno de pequenos produtores nacionais, juntamente com um número mais reduzido de referências internacionais. Todos os dias são abertas garrafas diferentes para servir a copo, por isso a seleção muda constantemente.
No Black Sheep encontra vinhos naturais, biológicos, biodinâmicos e de baixa intervenção, mas os termos não devem ser usados como sinónimos. O vinho biológico é regulamentado na União Europeia e tem de cumprir regras tanto na viticultura como na vinificação. A viticultura biodinâmica segue uma filosofia agrícola mais específica, encarando a vinha como um ecossistema interligado. O vinho natural não tem uma definição única e universalmente regulamentada, mas refere-se geralmente a vinhos feitos com uvas de agricultura biológica ou biodinâmica e com intervenção mínima na adega. “Baixa intervenção” é igualmente um conceito abrangente e pode incluir práticas como fermentações espontâneas com leveduras indígenas, pouca filtração e menos aditivos.
Nas prateleiras e nos copos do Black Sheep aparecem vinhos naturais, sustentáveis, biológicos e biodinâmicos, escolhidos tanto pelas práticas de viticultura e vinificação como pela sua origem. Dependendo das garrafas abertas nesse dia, pode encontrar brancos de curtimenta, pet-nats, vinhos fermentados com leveduras indígenas ou vinhos com muito pouco sulfuroso adicionado. Um vinho natural não tem obrigatoriamente de ser turvo, ter aromas pouco convencionais ou ser laranja, e a seleção do Black Sheep mostra bem a variedade que pode existir dentro da vinificação de baixa intervenção.
O bar é famoso por ser muito pequeno, com apenas alguns lugares no interior mas, quando o tempo está bom, a Praça das Flores convida a ficar cá fora com um copo na mão. O Black Sheep também vende garrafas para levar. Para quem tem curiosidade por produtores independentes e métodos de vinificação menos convencionais, este é certamente um dos bares mais relevantes de Lisboa.
📍Praça das Flores 62, 1200-192 Lisboa
8 – Melhor para beber vinho e jantar a sério: Prado Wine Bar

Imagem cortesia de The Infatuation
A poucos passos da Sé de Lisboa, o Prado Wine Bar tem uma cozinha que, por si só, justifica ir lá fazer uma refeição. O menu segue a mesma abordagem sazonal muito centrada na qualidade e origem dos ingredientes do vizinho restaurante Prado (Tv. das Pedras Negras 2), trabalhando com agricultores, pescadores, produtores de queijo, padeiros e outros pequenos produtores portugueses. Os pratos mudam consoante a disponibilidade dos ingredientes, por isso a oferta vai muito além das tábuas de queijo, charcutaria e conservas normalmente associadas aos bares de vinho.
O espaço abriu em 2018 como Prado Mercearia, inicialmente uma loja onde se vendiam muitos dos ingredientes e produtos portugueses utilizados no Prado logo ao lado. A comida e o vinho foram ganhando mais peso e a antiga mercearia acabou por se transformar no atual bar de vinhos e restaurante. Os dois projetos estão ligados ao chef António Galapito, que regressou a Lisboa depois de trabalhar em Londres, incluindo com o chef português Nuno Mendes, e abriu o restaurante Prado no final de 2017.
No menu pode encontrar pratos como tártaro de carne barrosã com shiitake e couve grelhada, robalo marinado com maçã verde e azeitonas, enguia fumada com manteiga de cabra e tupinambo, cogumelos ostra com mostarda e mizuna ou porco alentejano alimentado a bolota com batata e espinafre-do-mar. As sobremesas costumam ser igualmente criativas, com combinações como brioche, café, avelã e sabayon com vinho da Madeira. Peça vários pratos para partilhar e facilmente faz daí uma refeição completa. O menu muda com as estações e consoante aquilo que a cozinha consegue obter junto de produtores portugueses.
Os vinhos são todos portugueses, com uma atenção especial a produtores biológicos e de baixa intervenção. O Prado já trabalhava com este tipo de vinho antes dos vinhos naturais e biodinâmicos se tornarem tão comuns nas cartas dos restaurantes de Lisboa como são hoje.
📍Rua das Pedras Negras 35, 1100-404 Lisboa
7 – Melhor para beber vinho sem gastar muito: Adega Etelvina

Imagem cortesia de NIT
Com vinhos a copo a partir de 4€ e garrafas desde 14€, a Adega Etelvina é um dos sítios mais acessíveis no centro de Lisboa para explorar vinho português sem ficar por um tinto ou branco da casa sem grande interesse. Cerca de 50 vinhos podem ser pedidos a copo, o que permite provar vários estilos sem gastar demasiado.
Tiago Pinheiro Alves abriu este pequeno bar no Bairro Alto no final de 2025, depois de vários anos como sócio da Taberna da Rua das Flores (Rua das Flores 103-109). O nome homenageia a avó Etelvina e uma história familiar ligada às tabernas que atravessa várias gerações. A bisavó abriu uma taberna em Manaus depois de emigrar para o Brasil ainda adolescente e, mais tarde, outra em Lisboa, e Etelvina acabaria por gerir a terceira taberna da família.
Tiago descreve a comida como “comida de avó”, com coisas simples pensadas para acompanhar um copo. Há queijos portugueses, enchidos, conservas de peixe, tibornas e ostras, entre outros petiscos. O espaço é pequeno, com pouco mais do que um balcão e cerca de uma dúzia de lugares.
Tiago procura pequenos produtores, cooperativas e referências menos óbvias que ainda possam ser servidas a preços acessíveis, incluindo tintos, brancos, rosés e espumantes. Também pode encontrar dois estilos antigos de vinho português que têm voltado a chamar a atenção: os palhetes, tradicionalmente feitos com fermentação conjunta de uvas tintas e brancas, e os claretes, tintos de cor mais aberta e perfil mais leve.
📍Tv. dos Fiéis de Deus 74, 1200-190 Lisboa
www.instagram.com/adega.etelvina
6- Melhor para uma noite animada: Vino Vero

Imagem cortesia de Vino Vero
O Vino Vero fica na Graça, na rua pedonal Travessa do Monte, a poucos minutos do Miradouro da Senhora do Monte e do Jardim da Cerca da Graça. A zona tem bastante movimento entre os miradouros, restaurantes e bares, e o Vino Vero atrai uma mistura de clientes habituais lisboetas, residentes estrangeiros e visitantes. As mesas no exterior estão muitas vezes cheias e, mais ao final da tarde, o pequeno espaço interior pode ficar bastante apertado. Quem procura um ambiente calmo de sala de provas deve chegar mais cedo, pois nas horas de maior movimento, este é um bar animado e ruidoso, onde é comum ficar para beber vários copos.
O projeto nasceu em Veneza em 2014, quando Matteo Bartoli, a mulher Mara Sartore e o irmão de Matteo, Massimiliano, abriram o primeiro Vino Vero depois de Matteo e Mara terem estado ligados a uma adega biodinâmica na Toscânia. Na altura, foi o primeiro bar de Veneza inteiramente dedicado ao vinho natural. O espaço de Lisboa abriu em 2019, com Giulia Riva, ligada ao projeto Vino Vero, a mudar-se para a cidade para lançar a casa portuguesa e começar a trabalhar com produtores locais.
A origem italiana continua bem presente em Lisboa, sobretudo numa seleção de vinhos que vai muito para além de Portugal. Pequenos produtores portugueses dividem espaço com vinhos naturais de outros pontos da Europa, com Itália e França especialmente bem representadas e garrafas de outros países que vão aparecendo à medida que a seleção muda. O Vino Vero foi pensado tanto para apoiar produtores portugueses que trabalham com métodos naturais como para dar a conhecer em Lisboa produtores europeus interessantes. Numa mesma noite, pode passar de um branco português de curtimenta para um tinto italiano ou um pet-nat francês, e há muitos vinhos disponíveis a copo.
A comida tem influências italianas e mediterrânicas bem visíveis e é suficientemente substancial para acompanhar mais do que um copo. Consoante o menu, pode encontrar focaccia, burrata, carpaccio, peixe e pequenos pratos à base de vegetais, incluindo algumas opções veganas. Os pratos são pensados para partilhar e podem ser pedidos aos poucos enquanto se provam vinhos diferentes ao longo da noite.
Visitas de produtores, provas e outros eventos fazem parte da vida do Vino Vero em Lisboa desde o início. Os fundadores trabalham há vários anos com pequenos produtores europeus, muitos dos quais já participaram em provas e eventos no bar lisboeta. O Vino Vero fecha tarde e as mesas no exterior fazem dele um dos bares de vinho mais animados desta zona da Graça.
📍Tv. do Monte 30, 1170-265 Lisboa
5 – Melhor para uma prova de vinhos portugueses: Lisbon Winery

Imagem cortesia de Winalist
Desde 2015, o Lisbon Winery organiza provas estruturadas de vinhos portugueses no seu espaço perto da Avenida da Liberdade. A prova standard inclui cinco vinhos portugueses escolhidos pelos sommeliers da casa, com destaque para castas autóctones, produtores familiares e vinhos feitos em pequenas quantidades. A maioria corresponde a produções inferiores a 6.000 garrafas, por isso a prova pode dar a conhecer produtores que dificilmente encontrará nas prateleiras de um supermercado ou numa carta de restaurante habitual.
A seleção muda regularmente e procura abranger regiões, castas e estilos diferentes. Ao longo da sessão, o sommelier explica de onde vem cada vinho, quais as castas utilizadas, como foi feito e algumas diferenças regionais que nem sempre são fáceis de perceber apenas através de uma carta. Os cinco vinhos são servidos com seis queijos artesanais portugueses e seis enchidos, incluindo pata negra de cura prolongada, além de pão e uma prova de azeite português. O sommelier fala também de alguns dos produtores dos queijos e enchidos, dando à prova um contexto gastronómico português mais amplo.
O Lisbon Winery apresenta-se como um bar de vinhos, mas a maioria das pessoas vai lá especificamente para uma das provas organizadas. As sessões duram, em geral, entre uma hora e meia e duas horas e têm um máximo de 12 participantes, embora seja possível participar sozinho ou em casal. Convém reservar, já que, sem marcação, a participação depende da disponibilidade de um sommelier naquele momento.
Num bar de vinhos convencional, pode pedir recomendações à equipa e aprender bastante pelo preço daquilo que decidir beber. No Lisbon Winery paga mais porque a experiência é organizada do princípio ao fim: são escolhidos vários vinhos para comparar entre si, os acompanhamentos estão incluídos e um sommelier acompanha o grupo durante toda a sessão, explicando os vinhos e respondendo a perguntas. A prova standard custa atualmente 89€ por pessoa e destina-se a quem procura uma introdução guiada e estruturada ao vinho português. Quem já tem mais experiência pode optar por provas privadas centradas em vinhos raros e garrafas de coleção. O Lisbon Winery também organiza provas à parte de vinho do Porto, com foco em produtores de vinho do Porto de menor dimensão.
📍Rua Rodrigues Sampaio 18 A, 1150-278 Lisboa
4 – Melhor para uma enorme escolha de vinhos a copo: Grapes & Bites

Imagem cortesia de Grapes & Bites no Facebook
A seleção do Grapes & Bites reúne mais de 600 vinhos portugueses, com cerca de 300 disponíveis a copo. Para quem prefere provar vários vinhos em vez de escolher uma só garrafa, há poucos sítios em Lisboa com tanta escolha. A carta percorre as regiões vínicas portuguesas e inclui tintos, brancos, rosés, espumantes e fortificados, desde referências mais familiares e acessíveis até garrafas pouco comuns e vinhos de maior prestígio.
Pode ficar por produtores conhecidos e estilos portugueses clássicos, mas a carta inclui também regiões menos conhecidas, castas autóctones e garrafas que raramente aparecem em cartas de restaurantes comuns. Há igualmente nomes de prestígio, incluindo Pêra-Manca, ao lado de vinhos mais acessíveis, assim como Porto tawny envelhecido e muita coisa pelo meio. As centenas de referências permitem provar desde vinhos relativamente fáceis de encontrar até estilos regionais que raramente fazem parte de uma carta mais curta.
O Grapes & Bites abriu em 2010, quando Sílvia e António Baeta juntaram o interesse dele pelo vinho português à paixão dela pela cozinha regional. O vinho esteve no centro do conceito desde o início, e uma oferta tão extensa a copo torna a carta muito mais fácil de explorar. Pode comparar vinhos da mesma região, provar diferentes expressões de uma casta autóctone, passar de vinhos tranquilos para espumantes ou terminar com um vinho do Porto sem ter de pedir várias garrafas.
A comida vai dos queijos, enchidos e outros petiscos a pratos portugueses mais substanciais e doces conventuais tradicionais. Há música ao vivo todas as noites, das 19h às 22h, por isso o Grapes & Bites tem mais ambiente de casa de vinhos e restaurante do que os pequenos bares de vinho mais intimistas espalhados pela cidade.
📍Rua do Norte 85, 1200-284 Lisboa
3 – Melhor bar de vinhos e garrafeira: Pinot Bar de Vinhos

Imagem cortesia de Pinot no Instagram
De frente para o Jardim da Estrela, o Pinot funciona como bar de vinhos, garrafeira e a sede de um pequeno negócio de importação e distribuição de vinho. Pode cá vir para beber um copo e petiscar qualquer coisa, escolher uma garrafa das prateleiras para levar, participar numa prova ou comprar vinho e comida para um piquenique no jardim em frente. A seleção junta produtores portugueses a um número significativo de vinhos internacionais, com forte presença de referências naturais, biológicas, biodinâmicas e de baixa intervenção.
O Pinot abriu em novembro de 2023 como um novo projeto do casal canadiano formado pela chef Stéphanie Audet e pelo sommelier Marc Singh Davidson. Nessa altura, os dois já eram bem conhecidos em Lisboa pelo Senhor Uva, que tinham aberto ali perto em 2019. O Senhor Uva tornou-se uma das primeiras referências da cidade para vinho natural e cozinha criativa de base vegetal, com Marc a cuidar de uma cave em constante mudança e Stéphanie a desenvolver pratos centrados nos vegetais, influenciados pelos vários lugares onde viveu e trabalhou, incluindo México, Brasil e Havai. O Senhor Uva fechou em novembro de 2025, depois de quase sete anos, e o casal passou a concentrar-se no Pinot.
O Pinot tornou-se também a base do La Cave, o negócio de importação e distribuição de vinhos de Marc e Stéphanie, que abastece restaurantes em Portugal e também clientes particulares. No bar são servidos muitos desses vinhos, juntamente com vinhos portugueses e outras referências internacionais escolhidas pela equipa. Como o La Cave importa diretamente, o Pinot pode oferecer vinhos de produtores com pouca distribuição em Portugal. A seleção aposta em vinhos naturais e de baixa intervenção, com bastante variedade de origens, castas e estilos.
Marc descreveu originalmente o Pinot como uma cave à manger, o conceito francês que junta uma garrafeira a um espaço informal onde se pode comer e beber. A cozinha de Stéphanie, muito centrada nos vegetais, tem aqui um registo mais descontraído, com pão de massa-mãe e manteiga temperada, pratos de legumes, queijos, patês e combinações mais elaboradas com ingredientes e sabores vindos de fora de Portugal. No menu pode aparecer ceviche de jaca verde com ají amarillo, cogumelos ostra com pak choi, soja e coco, ou vegetais combinados com ingredientes como limão em conserva, tamarindo, trigo-sarraceno ou sésamo. A seleção muda, por isso tanto pode passar pelo Pinot para um copo e um petisco rápido como ficar para vários pratos e vários copos.
Entretanto, o Pinot alargou a oferta de comida para além dos petiscos ao fim do dia. Há almoço de sexta-feira a domingo, com menus de dois pratos e sobremesa e a possibilidade de acrescentar um copo de vinho. A programação inclui ainda chefs convidados, eventos pontuais de comida e vinho, provas com produtores e outras iniciativas, por vezes com os próprios enólogos a servir as suas garrafas junto com menus criados para a ocasião.
📍Rua João Anastácio Rosa 4 B, 1200-693 Lisboa
2 – Melhor para beber vinho com vista: Terraço Editorial

Imagem cortesia de Terraço Editorial
O Terraço Editorial fica no oitavo piso da Pollux, uma conhecida loja da Baixa especializada em artigos para casa. Se chegar ao nível da rua e se perguntar se está no sítio certo, sim: entre na Pollux e apanhe o elevador até ao terraço. Do terraço veem-se os telhados do centro de Lisboa, o Elevador de Santa Justa, as ruínas do Convento do Carmo, o Tejo e as colinas mais a oeste. O espaço abre desde a hora de almoço até à noite, por isso tanto pode passar para beber um copo durante o dia como ir mais tarde para ver o pôr do sol e jantar.
O projeto atual abriu em 2020 com o chef Rui Rebelo e o produtor do Douro Rodrigo Soares, com uma proposta centrada na comida e vinho portugueses. A garrafeira reúne cerca de 190 referências, na maioria de pequenos produtores, incluindo uma grande variedade de estilos portugueses. Além de tintos, brancos e rosés, há também espumantes portugueses, pet-nats e palhete, bem como fortificados como Porto branco e tawny envelhecido, Moscatel Roxo de Setúbal e Madeira de castas como Sercial e Verdelho. Castas autóctones como Arinto, Baga, Encruzado, Loureiro, Rabigato e Moreto também aparecem na carta, por vezes em vinhos monovarietais que permitem perceber melhor o caráter de cada uma. Há ainda uma boa seleção disponível a copo, incluindo espumantes, pet-nats e fortificados.
O Terraço Editorial organiza ocasionalmente provas com pequenos produtores, feiras de vinho, noites de quiz dedicadas ao mundo dos vinhos e eventos sobre diferentes métodos de vinificação, incluindo fermentação natural.
A cozinha de Rui Rebelo trabalha muito com ingredientes portugueses e pequenos produtores, entre petiscos e pratos mais completos. No menu pode encontrar croquetes de choco com tinta de choco e malagueta, arroz de polvo, bacalhau fresco, barriga de porco ou tábuas de queijos e enchidos portugueses, seguidos de sobremesas como mousse de chocolate com azeite e flor de sal. Pode visitar apenas para apreciar a vista enquanto bebe um copo, mas a cozinha também dá boas razões para ficar para almoçar ou jantar.
📍Rua dos Fanqueiros 276, piso 8, 1149-031 Lisboa (dentro da Pollux)
1 – Melhor bar de vinhos de bairro, longe dos circuitos mais turísticos: Red Nose

Imagem cortesia de Mike P no Tripadvisor
O Red Nose fica em Campo de Ourique, um bairro residencial com um dos panoramas gastronómicos de que mais gostamos em Lisboa. Aqui encontra o Mercado de Campo de Ourique, pastelarias tradicionais, lojas especializadas em comida e vinho, restaurantes e um número crescente de bares contemporâneos, numa zona onde a vida de bairro continua muito mais visível do que na Baixa, no Chiado ou no Príncipe Real. O Red Nose é um pequeno bar de vinhos naturais onde se pode parar para beber um copo à tarde, ficar até à noite ou comprar uma garrafa e algumas coisas para comer em casa.
A seleção concentra-se em vinhos naturais, biológicos e biodinâmicos de Portugal e de outros países. Ao lado de produtores portugueses, as prateleiras têm vinhos de França, Espanha, Itália e outras partes da Europa, oferecendo algo diferente das garrafeiras mais tradicionais de Campo de Ourique. As garrafas mudam regularmente, incluindo desde vinhos de baixa intervenção mais acessíveis até estilos menos comuns para quem já conhece bem este universo. O Red Nose está também ligado à distribuição de vinho, o que permite à equipa trabalhar com produtores que têm pouca presença noutros bares de Lisboa.
Para acompanhar o vinho há uma seleção de queijos, charcutaria e outros produtos, enquanto os pop-ups e colaborações trouxeram mais variedade à comida servida no Red Nose. Chefs convidados assumem pontualmente a cozinha ou preparam menus especiais, que já incluíram comida brasileira e bruschettas italianas acompanhadas por vinhos naturais. Provas, visitas de produtores e colaborações com outros negócios locais também fazem parte da programação, normalmente anunciada no Instagram do Red Nose.
Campo de Ourique merece mais do que uma visita só para beber um copo. O mercado, as lojas independentes e os restaurantes fazem deste um dos nossos bairros favoritos de Lisboa para passar uma tarde à volta da comida e do vinho, e vários desses estabelecimentos e tradições também fazem parte do nosso passeio gastronómico e cultural por Campo de Ourique. O Red Nose é também uma boa paragem depois do tour, se lhe apetecer continuar por perto desfrutando de mais um copo de vinho.
📍Rua Almeida e Sousa 10C, 1250-065 Lisboa
www.instagram.com/rednoselisbon
BÓNUS – Melhor para vinho do Porto e outros vinhos fortificados portugueses: O Jardim Wine Bar

Imagem cortesia de The One Hotels
Quando se fala em vinho fortificado português, o vinho do Porto é provavelmente o primeiro nome que vem à cabeça. É, sem dúvida, o mais conhecido internacionalmente, mas Portugal também produz Madeira, Moscatel e o muito mais raro vinho de Carcavelos, cada um com as suas castas, métodos de produção e história. Estes quatro vinhos fortificados portugueses são bastante diferentes entre si, e Lisboa permite prová-los sem ter de viajar até às respetivas regiões de origem.
O Jardim Wine Bar fica dentro do The One Palácio da Anunciada, um hotel de cinco estrelas instalado num palácio do século XVI restaurado, perto dos Restauradores. O bar ocupa uma das antigas salas nobres, com teto de caixotões recuperado, grandes janelas, balcão circular e acesso direto aos jardins do palácio. O ambiente é mais formal do que na maioria dos bares de vinho desta lista, mas pode entrar apenas para beber um copo e aproveitar a secção de fortificados da carta para comparar alguns dos estilos históricos de vinho português.
Há vários estilos de vinho do Porto, incluindo branco extra seco, tawny, tawny com indicação de idade e vintage. A seleção de Madeira inclui um Verdelho de 10 anos, meio seco, e uma Malvasia de 10 anos, mais doce. Pode ainda pedir Moscatel de Setúbal e um Carcavelos de 15 anos, particularmente interessante porque este vinho fortificado é produzido em quantidades muito pequenas na região de Lisboa e pode ser surpreendentemente difícil de encontrar, mesmo em Portugal. Todos são servidos a copo, por isso não é preciso pedir uma garrafa inteira para os comparar.
Se quiser explorar especificamente o vinho do Porto, a Taylor’s tem uma loja em Alfama com sala de provas dedicada ao vinho do Porto (Rua do Cais de Santarém 8), perto do Chafariz d’El Rei. A histórica casa de vinho do Porto serve 15 referências a copo, incluindo branco seco, LBV, tawny com indicação de idade e vintage, além de uma prova introdutória de quatro vinhos. Para quem não vai até ao Porto ou a Vila Nova de Gaia, é uma forma de explorar vários estilos de Porto sem sair de Lisboa.
O From The Vine – Port & Wine Tasting Bar (Tv. do Fala-Só 15C), perto do Príncipe Real, é outra opção para quem prefere um formato mais estruturado. A prova de vinho do Porto dura uma hora, requer reserva e pode ser feita como aperitivo ou digestivo, com alguém a orientar a degustação ao longo da sessão.
📍Rua das Portas de Santo Antão 112-134, 1150-268 Lisboa
www.hotelstheone.com/pt/hoteis-lisboa/the-one-palacio-da-anunciada/restaurantes
Ficou com vontade de explorar o mundo dos vinhos em Lisboa? Venha provar alguns connosco numa das nossas experiências gastronómicas e culturais.
Explore Lisboa de forma independente visitando os wine bars acima mencionados, e aprenda mais sobre a cultura do vinho em Portugal:
Breve introdução ao vinho português (e às regiões vinícolas de Portugal)
Os quatro vinhos fortificados de Portugal
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