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Príncipe Real ou Chiado? Onde comer comida lisboeta autêntica nos dois bairros mais charmosos da cidade

Aerial view of patterned cobblestone street with people and a tram in Lisbon.

 

Se passar mais do que um ou dois dias em Lisboa, é provável que o Chiado e o Príncipe Real acabem nos seus planos. O Chiado fica entre a Baixa, o Bairro Alto e o Cais do Sodré, e é conhecido pelos cafés históricos, lojas antigas, livrarias e um certo charme de outros tempos que ainda combina com o centro de uma das capitais mais antigas da Europa. O Príncipe Real fica logo acima, mais verde e com um ambiente mais residencial, centrado num jardim sombreado e em ruas ladeadas por palacetes do século XIX. Continua a ser Lisboa central, mas com mais espaço para respirar do que o Chiado e uma vida local que continua por detrás das boutiques, esplanadas e fachadas bonitas.

Imagem de capa cortesia do Bairro do Avillez

Ambas as zonas valem a visita, mas também são fáceis de reduzir à lista do costume. No Chiado, isso costuma querer dizer tirar uma fotografia junto à estátua do poeta Fernando Pessoa no café A Brasileira; entrar na livraria Bertrand, reconhecida como a livraria mais antiga do mundo ainda em funcionamento; e percorrer as lojas da Rua Garrett e das ruas à volta. No Príncipe Real, costuma ser o jardim, a EmbaiXada, algumas boutiques e talvez uma bebida antes de descer para o Bairro Alto à noite. Tudo isto é agradável, mas há mais para ver, fazer e comer quando se sai do percurso habitual.

Outdoor cafe with statue and tables under an umbrella on a pedestrian street.

Imagem cortesia de VDT2021 no Wikimedia

Neste artigo, olhamos para o Príncipe Real e o Chiado através da comida, como forma de se aproximar da cultura local em Lisboa. No Chiado, pense em cafés históricos que interessam mais pelo contexto do que pelo café, cervejarias, bares de vinho longe das primeiras esplanadas da Rua Garrett e paragens rápidas para comer qualquer coisa durante um dia cheio no centro da cidade. No Príncipe Real, o percurso afasta-se das boutiques e dos bares de cocktails para incluir quiosques de jardim, a Praça das Flores, comida portuguesa contemporânea, bares de vinho e moradas mais antigas que mostram a faceta mais quotidiana do Príncipe Real. Ambas as zonas são famosas e muito visitadas, mas continuam a ter boa cozinha quando se escolhe com algum critério.

Príncipe Real e Chiado em resumo

Outdoor cafe with people sitting under trees in a European square.

Imagem cortesia da Time Out Lisboa

Explorar o Príncipe Real

Destaques: o jardim, a arquitetura do século XIX, lojas independentes, design, restaurantes da moda, bares de cocktails, vida noturna LGBTQ+ e uma versão mais residencial da Lisboa central, logo acima do Chiado e do Bairro Alto.

Caminhar por: Jardim do Príncipe Real, Rua Dom Pedro V, Rua da Escola Politécnica, Rua Nova de São Mamede e as ruas que descem em direção à Praça das Flores e a São Bento. O jardim e a EmbaiXada são as paragens óbvias, mas as ruas mais tranquilas mostram como os lisboetas usam realmente esta zona.

Visitar: EmbaiXada, no Palácio Ribeiro da Cunha, o Jardim Botânico, o Reservatório da Patriarcal quando estiver acessível, o Miradouro de São Pedro de Alcântara ali perto e a Praça das Flores se quiser uma pausa mais de bairro, fora do percurso mais movimentado.

Experiência gastronómica: comida portuguesa contemporânea, petiscos atuais, casas de almoço à antiga, bares de vinho, brunch, cafés de jardim e restaurantes que, em geral, parecem menos apressados do que na Baixa. Há espaços mais na moda e casas simples que já resistiram a várias fases do bairro.

Sunny plaza with patterned paving, historic buildings, and people walking in Lisbon.

Imagem cortesia da NIT

Explorar o Chiado

Destaques: cafés históricos, lojas antigas, livrarias, arquitetura lisboeta clássica, ruas elegantes e a memória literária e comercial da cidade. Esta é uma das zonas onde os visitantes reconhecem Lisboa mais facilmente, e é precisamente por isso que convém escolher onde comer com algum cuidado.

Caminhar por: Rua Garrett, Largo do Chiado, Largo Rafael Bordalo Pinheiro, Rua Nova da Trindade, Largo do Carmo e as ruas que descem em direção ao Cais do Sodré. Os percursos mais movimentados são bonitos, mas a melhor comida costuma estar um pouco fora do caminho mais óbvio.

Visitar: o café A Brasileira pelo contexto histórico, não necessariamente pelo café; a Bertrand pela história livreira; os Armazéns do Chiado pela dimensão comercial da zona; o Teatro Nacional de São Carlos, o Teatro São Luiz, a Igreja do Carmo e as Ruínas do Carmo, bem como as ruas mais pequenas à volta da Trindade e do Carmo, onde o Chiado ainda deixa ver um pouco da Lisboa central de outros tempos.

Experiência gastronómica: cafés históricos, doces conventuais, cervejarias, bares de vinho, salas de jantar clássicas, casas de almoço antigas e restaurantes mais elegantes para uma refeição antes ou depois de passear, fazer compras ou atravessar o centro da cidade.

Sprawling tree in a park with benches and paved paths.

Imagem cortesia de Nicola no Wikimedia

Príncipe Real: jardins, palácios e comida portuguesa contemporânea

O Príncipe Real fica logo acima do Chiado e do Bairro Alto, mas a zona muda assim que se chega ao jardim. As ruas são mais largas, os edifícios tornam-se mais residenciais e a Lisboa central ganha árvores, bancos e espaço para se sentar sem sentir a pressão do centro da cidade. Por aqui, sítios para comer e beber ficam lado a lado com casas, lojas e antigos palácios, por vezes de forma tão bonita que os visitantes se esquecem de que este também é um bairro onde se vive, se vai às compras, se trabalha e se passeiam cães.

O Jardim do Príncipe Real, oficialmente Jardim França Borges (Praça do Príncipe Real), é o ponto de encontro natural do bairro. Desenhado no século XIX com inspiração nos jardins românticos ingleses, é conhecido pelo seu cedro monumental, pelos quiosques, bancos e palacetes em redor. Aos sábados de manhã, o jardim recebe também o mercado bio do Príncipe Real, onde produtores da região de Lisboa vendem fruta, legumes e outros produtos biológicos da época. Quando os moradores passam por ali para as compras de fim de semana, o jardim parece menos cenário para visitantes e mais parte da vida local.

Trio performing music for seated audience in stone-walled room.

Imagem cortesia da Real Fado

O Museu da Água – Reservatório da Patriarcal fica por baixo do jardim e acrescenta uma camada subterrânea à história do bairro. Construído no século XIX para abastecer de água a zona baixa de Lisboa, coloca a infraestrutura prática da cidade debaixo de um dos jardins mais bonitos do Príncipe Real. Hoje, a Real Fado Concerts também usa o reservatório para concertos de fado intimistas, aproveitando a acústica do espaço em pedra.

A EmbaiXada, no Palácio Ribeiro da Cunha, um edifício neoárabe do século XIX (Praça do Príncipe Real 26), é uma das paragens óbvias, mas vale a pena entrar para ver o edifício por dentro, mesmo que não esteja interessado em compras. Hoje, o palácio funciona como espaço comercial para marcas portuguesas ligadas ao design, artesanato, moda, gastronomia e cultura. O Príncipe Real torna-se mais interessante quando não se fica por aqui. As ruas em direção à Rua da Escola Politécnica, Rua Dom Pedro V, Rua Nova de São Mamede, Praça das Flores e São Bento mostram um bairro onde a Lisboa antiga, a Lisboa mais ligada ao design e a Lisboa quotidiana coexistem.

Aerial view of a lush garden with circular pathways and a central pond surrounded by trees.

Imagem cortesia da Universidade de Lisboa

O panorama gastronómico no Príncipe Real muda de rua para rua. À volta do jardim e da Rua da Escola Politécnica, muitos restaurantes apostam hoje em cozinha portuguesa contemporânea, interiores cuidados e influências internacionais. A poucas ruas de distância, moradas mais antigas continuam a servir pratos do dia, peixe grelhado, carne, arroz e vinho da casa a quem vive ou trabalha por perto.

O Príncipe Real é muitas vezes associado a bares de cocktails e restaurantes da moda, mas a comida portuguesa não desapareceu da zona. Ainda há estabelecimentos onde os ingredientes locais são levados a sério, bem como cafés onde uma simples bica pode ser uma boa porta de entrada para a cultura do café em Lisboa.

Onde comer no Príncipe Real

No Príncipe Real, a escolha depende muito da rua onde está. À volta do jardim e da Rua Dom Pedro V, os restaurantes tendem a ser mais visíveis e atentos ao design. A Rua de O Século junta estabelecimentos portugueses mais pequenos e casas de almoço de uso quotidiano. Ao descer em direção à Praça das Flores, a zona torna-se mais calma, com esplanadas, vinho, café e uma vida de bairro mais evidente do que no percurso movimentado à volta da EmbaiXada.

Assorted dishes with wine, including meat, bread, and appetizers on a dining table.

Imagem cortesia do Restaurante Pica-Pau

Para comida portuguesa, uma das nossas principais recomendações na zona é o Pica-Pau (Rua da Escola Politécnica 27). Mesmo estando longe de ser uma tasca à moda antiga, o restaurante prepara pratos tradicionais portugueses com cuidado e é uma boa porta de entrada para a cozinha portuguesa atual, sobretudo para viajantes que gostam de comer bem. No menu podem aparecer pastéis de bacalhau, rissóis, açordas, pica-pau, pratos de porco, marisco, sugestões sazonais e sobremesas tradicionais portuguesas. A criatividade da casa também aparece nas bebidas, com cocktails feitos a partir de licor de amêndoa amarga, ginjinha ou Moscatel, algumas das bebidas típicas portuguesas.

An overhead view of a restaurant table with various dishes and drinks.

Imagem cortesia do Faz Frio no Instagram

O Faz Frio (Rua Dom Pedro V 96) faz parte do Príncipe Real desde antes de o bairro se tornar associado a lojas de design e restaurantes feitos para serem fotografados. Lá dentro, os reservados de madeira e o ambiente de sala de jantar antiga dão à refeição um tom mais tradicional, mesmo com uma cozinha atualizada. O menu inclui petiscos portugueses como peixinhos da horta, salada de polvo e croquetes de alheira, além de pratos principais como polvo à lagareiro ou bife à portuguesa.

O Tascardoso (Rua de O Século 242) é um dos restaurantes portugueses mais descomplicados desta parte do Príncipe Real. O menu assenta em doses generosas, pratos do dia, assados, peixe grelhado, arroz, vinho da casa e o tipo de almoço que o público mais à antiga de Lisboa costuma apreciar. Numa zona onde muitos restaurantes se inclinam hoje para o design, os cocktails e os pratos pequenos, o Tascardoso mantém-se mais perto da mesa portuguesa tradicional.

Um pouco mais à frente na mesma rua, a Mercearia do Século (Rua de O Século 145) tem um registo mais pequeno e tranquilo. Apesar do nome, funciona mais como restaurante de bairro do que como mercearia, com cozinha portuguesa numa sala simples. O menu muda, mas, dependendo do dia, pode incluir bacalhau à Brás, carapauzinhos em azeite com salada de batata à algarvia ou polvo cozinhado com azeite e vinho.

Person eating ceviche with fork, cured meat on toast beside.

Imagem cortesia do Tapisco no Instagram

O Tapisco (Rua Dom Pedro V 81) é uma escolha animada para pratos para partilhar, sobretudo se o grupo quiser algo central e fácil antes de sair à noite. O menu circula entre Portugal e Espanha, com petiscos, croquetes, marisco, enchidos, vermute e cocktails. Está mais virado para beber e partilhar do que para explorar a cozinha lisboeta antiga em detalhe, o que combina bem com este lado do Príncipe Real.

O Atalho Real (Calçada da Patriarcal 40) ocupa parte do antigo Palácio Ribeiro da Cunha, o edifício neoárabe hoje conhecido como EmbaiXada. O restaurante centra-se na carne grelhada, com bifes, hambúrgueres, vinho, cocktails e uma esplanada que aproveita o cenário do palácio. Pertence ao lado mais contemporâneo do Príncipe Real, onde edifícios antigos foram adaptados a lojas, restaurantes e bares.

A Praça das Flores mostra um lado mais residencial do Príncipe Real, sobretudo durante o dia. O Pão de Canela (Praça das Flores 25-29) faz parte desse cenário, com mesas viradas para o jardim e um formato descontraído para pequeno-almoço, brunch, café ou uma refeição leve. O largo faz parte da experiência, com árvores, movimento de bairro, cães à trela e pouca pressa.

O Quiosque da Praça das Flores (Praça das Flores) é um bom exemplo da cultura dos quiosques em Lisboa. [inserir link para artigo sobre quiosques] Um quiosque pode ser balcão de café de manhã, ponto de cerveja depois do trabalho, mesa para um petisco rápido ou o sítio onde os vizinhos fazem uma pausa de dez minutos entre recados. Na Praça das Flores, o quiosque mantém o largo ativo ao longo do dia, à medida que as ruas à volta se enchem cada vez mais de brunch, bares de vinho e apartamentos renovados.

A Black Sheep Lisboa (Praça das Flores 62) foca-se em vinhos portugueses de pequenos produtores, com forte presença de referências naturais, biológicas, biodinâmicas e de baixa intervenção. O espaço é pequeno e informal, por isso a experiência depende menos de uma grande carta de comida e mais da conversa com a equipa. Para quem quer perceber melhor o vinho português para lá das propostas mais habituais nos restaurantes, é um bom lugar para provar opções fora da zona de conforto.

Table with wine, bread, cheese, prosciutto and apple slices on plates.

Imagem cortesia de Neoplan185 no Tripadvisor

A Casa da Praia (Rua Dom Pedro V 5) é um pequeno bar de petiscos e vinho perto da Rua Dom Pedro V, de São Pedro de Alcântara e do Bairro Alto. O nome de praia pode enganar, porque o foco está sobretudo no vinho, nos pratos pequenos e numa pausa informal entre bairros. É mais indicado para um petisco e um copo, sobretudo antes de seguir para o Bairro Alto ou de descer novamente para o Chiado.

O Pavilhão Chinês (Rua Dom Pedro V 89-91) é um bar, não uma recomendação gastronómica, mas entra neste roteiro porque tem um dos interiores mais marcantes do Príncipe Real. As salas estão cheias de coleções de aviões em miniatura, capacetes, medalhas, brinquedos antigos e outros objetos reunidos ao longo de décadas. Passe por aqui para beber um copo ao fim da noite e ver o espaço, sobretudo se quiser conhecer um lado mais excêntrico do Príncipe Real.

Outdoor café in Lisbon with green umbrellas and people seated at tables.

Imagem cortesia de O Valor do Tempo

Chiado: cafés históricos e a Lisboa comercial de outros tempos

O Chiado fica entre a Baixa, o Bairro Alto, o Carmo e a descida para o Cais do Sodré, o que explica por que tantos visitantes passam por aqui mesmo sem o terem planeado. Esta é uma das zonas mais reconhecíveis da Lisboa central, onde cafés antigos, livrarias, lojas revestidas a azulejo e fachadas elegantes partilham espaço com carrinhas de entregas, trabalhadores de escritório, turistas e pessoas a tentar atravessar a Rua Garrett sem perder a paciência.

O bairro é famoso por bons motivos. A Rua Garrett ainda concentra muito da identidade comercial do Chiado, a Bertrand reforça a ligação do bairro aos livros, A Brasileira mantém viva a memória dos cafés literários e os teatros à volta de São Carlos, São Luiz e Trindade recordam que esta foi durante muito tempo uma das zonas culturais de Lisboa. Ali perto, as ruínas do Convento do Carmo acrescentam outra camada de história, enquanto as ruas que descem para a Rua do Alecrim e o Cais do Sodré mostram como o Chiado se liga rapidamente a outras partes da cidade.

Street view of a European city with cars, people, and historic buildings.

Imagem cortesia da Athena Advisers

Para comer bem no Chiado, convém escolher com cuidado. É uma zona bonita, central e tão movimentada que a localização, por si só, consegue encher um restaurante. Há excelentes opções, mas também muitos menus pensados para quem só vai passar uma vez. Uma esplanada na Rua Garrett ou no Largo do Chiado pode ser agradável, mas a vista da mesa não deve ser o principal motivo para se sentar. Chegue com uma ideia clara do que procura, seja café numa sala histórica, uma bifana rápida, marisco e cerveja numa cervejaria, vinho português com petiscos ou uma boa refeição longe dos pontos mais movimentados.

O Chiado é uma zona de passagem, e as pessoas costumam atravessá-lo depois das compras, depois de visitar o Carmo, entre a Baixa e o Bairro Alto, ou a caminho do Cais do Sodré. Por isso, o Chiado tem um lado mais apressado e urbano do que o Príncipe Real. Comer aqui pode ser mais formal e mais condicionado pelo movimento do centro e, às vezes, mais caro do que devia. As melhores escolhas costumam estar um pouco fora do circuito principal, sobretudo em redor da Trindade, do Carmo, da Rua das Flores e das ruas pequenas que muitos visitantes tratam apenas como atalhos.

A Brasileira pertence à história do Chiado, mesmo que o café em si não seja o motivo para lhe dar prioridade. A Rua Garrett faz parte do passeio, mas nem todos os menus ao longo dela merecem o seu dinheiro. Use os lugares famosos para contexto e tome as decisões gastronómicas com mais cuidado.

Onde comer no Chiado

As moradas abaixo mostram diferentes formas de comer no Chiado, dos cafés históricos e balcões de pastelaria às bifanas, salas de almoço tradicionais, cervejarias, restaurantes de chef e bares de vinho. Algumas servem para uma paragem rápida entre a Baixa e o Bairro Alto, e outras pedem uma refeição com mais tempo.

Para conhecer a cultura dos cafés históricos de Lisboa, A Brasileira (Rua Garrett 120-122) é uma referência óbvia, sobretudo pela ligação a Fernando Pessoa e à Lisboa literária do início do século XX. A Pastelaria Bénard (Rua Garrett 104) oferece outra pausa antiga no Chiado, com menos confusão à porta e uma longa história na Rua Garrett. Pare para tomar café, chá, comer um bolo ou um almoço leve, e lembre-se de que a sala também faz parte do motivo para entrar.

Assorted pastries on display, including cream-filled cones and round, glazed sweets.

Imagem cortesia da Pastelaria Alcôa no Facebook

A Pastelaria Alcôa (Rua Garrett 37-39), uma casa originalmente de Alcobaça, é provavelmente o melhor lugar no centro de Lisboa para provar vários doces conventuais portugueses no mesmo sítio. Estes doces vêm de receitas historicamente associadas a conventos e mosteiros, onde gemas e açúcar, junto com alguns outros ingredientes, deram origem a algumas das sobremesas mais ricas de Portugal. A montra costuma incluir cornucópias, cones de massa estaladiça recheados com creme de ovos; trouxas de ovos, rolinhos delicados de gema; e toucinho do céu, um bolo denso de amêndoa e gema.

O Trevo (Praça Luís de Camões 48) centra-se sobretudo em bifanas e cerveja. A bifana suculenta é o motivo das filas, e a localização no Camões mantém o balcão ocupado do almoço ao início da noite. A fama aumentou, sobretudo desde a visita de Anthony Bourdain em 2012, mas a fórmula básica continua quase a mesma, consistindo em comida rápida, acessível e que sabe mesmo bem na altura certa.

De gestão familiar, o Das Flores (Rua das Flores 76-78) é um pequeno restaurante tradicional numa rua cada vez mais marcada por visitantes, bares de vinho e moradas fotografadas. É uma casa de comida portuguesa caseira, com doses justas e pratos do dia. Dependendo do dia, pode encontrar pratos de bacalhau, carne de porco à portuguesa ou iscas. A sala continua a atrair trabalhadores de escritório, vizinhos, clientes antigos e visitantes à procura de um bom almoço no Chiado.

Diners at tables with green checkered tablecloths in a cozy restaurant.

Imagem cortesia da Time Out Lisboa

Tal como o Das Flores acima, a Popular do Capelo (Rua do Capelo 8) mostra outro lado quotidiano do Chiado, perto de algumas das salas de jantar mais caras de Lisboa, mas assente numa ideia muito mais simples. O menu foca-se em pratos de almoço portugueses, grelhados, peixe frito, assados de forno e doses generosas servidas numa sala simples com balcão de inox. Conte com comida de almoço sem complicações, como peixe, carne, batatas, arroz, sopa ou o que estiver indicado como prato do dia.

Elegant restaurant with arched ceiling, wall art, and centered tree.

Imagem cortesia da Betar

A Cervejaria Trindade (Rua Nova da Trindade 20C) é central e turística, mas a sala continua a ser a principal razão para a incluir num roteiro pelo Chiado. O restaurante ocupa um antigo convento, com grandes painéis de azulejo, tetos altos e a escala de uma cervejaria tradicional lisboeta. Aqui, faz sentido pedir como numa cervejaria clássica, com marisco, cerveja, bife, croquetes, amêijoas ou uma das especialidades da casa. O menu da Trindade destaca pratos como a mariscada Trindade, o bife do lombo à Trindade, bacalhau e sobremesas feitas com cerveja.

Man in white coat leaning on railing, blue wall with windows and bird decor behind him.

Imagem cortesia da The World’s Best 50 Restaurants

O chef José Avillez é impossível de ignorar no Chiado, onde vários dos seus restaurantes ocupam algumas das moradas gastronómicas mais visíveis do bairro. O Bairro do Avillez (Rua Nova da Trindade 18) reúne vários conceitos no mesmo espaço, incluindo petiscos de taberna, marisco, pizza e cocktails. O Belcanto (Rua Serpa Pinto 10A) é um restaurante de alta cozinha, com gastronomia portuguesa contemporânea num formato e preço bastante mais elevados. O Encanto (Largo de São Carlos 10) segue uma abordagem de menu de degustação vegetariano, colocando os vegetais no centro da refeição de forma criativa e surpreendente.

Na Taberna da Rua das Flores (Rua das Flores 103), que não deve ser confundida com o Das Flores acima, o chef André Magalhães apresenta um menu que muda frequentemente e costuma ser explicado à mesa. A sua cozinha parte de produtos e receitas portuguesas, mas recorre também a ingredientes, técnicas e referências de países historicamente ligados a Portugal. O resultado é uma versão mais inquieta da cozinha de taberna portuguesa, moldada pela estação, pelo mercado e pela direção que a cozinha estiver a explorar nesse dia.

Dining table with wine, meat on beans, and fruit dessert.

Imagem cortesia da Paradigma

O Ofício (Rua Nova da Trindade 11K) serve cozinha de tasca portuguesa contemporânea perto da Trindade. O menu parte de referências conhecidas como alheira, escabeche, peixe português, marisco e bebidas regionais, e transforma-as em pratos pensados para partilhar. Dependendo da estação, isso pode aparecer num croquete de alheira no pão, peixe azul com emulsão de escabeche ou sobremesas com sabores portugueses como Amarguinha ou Moscatel.

Gourmet dish with mussels, green sauce, and garnish on a plate.

Imagem cortesia do Broto

No Broto (Largo Rafael Bordalo Pinheiro 20A), o chef Pedro Pena Bastos trabalha produtos e referências portuguesas com uma abordagem contemporânea. O restaurante fica num dos largos mais interessantes do Chiado, com um ambiente mais calmo do que os percursos movimentados à volta da Rua Garrett. É uma refeição para fazer com tempo, sobretudo para quem procura cozinha portuguesa atual em vez de uma paragem rápida entre visitas.

O By The Wine (Rua das Flores 41-43) é um dos bares de vinho mais conhecidos de Lisboa, embora seja mais correto vê-lo como a montra lisboeta dos vinhos da Sogrape do que como um bar de vinhos independente. A lista inclui referências como Casa Ferreirinha, Herdade do Peso, Quinta dos Carvalhais, Quinta da Romeira, Sandeman e vinhos do Porto Ferreira. A comida foi pensada para acompanhar e partilhar, com opções como pão caseiro algarvio, tábuas de presunto ibérico de bolota, bacalhau com grão, ceviche de salmão, carpaccio de novilho, bochecha de vitela e pregos. A sala, forrada a garrafas, deixa claro desde o início que o vinho é o centro da experiência.

Gourmet dish with diced salmon tartare, herbs, and sauce in a blue bowl.

Imagem cortesia do Tágide no Tripadvisor

O Tágide Wine & Gastrobar (Largo da Academia Nacional de Belas Artes 20) fica num recanto mais tranquilo, perto do Chiado mas longe do movimento mais intenso da Rua Garrett. No menu, pode encontrar pratos como sopa de cebola caramelizada com pão caseiro gratinado com queijo de São Jorge, croquetes inspirados no cozido à portuguesa, tábuas de queijos portugueses e bife à casa. O vinho também é central, com uma lista focada em terroirs portugueses e harmonizações, incluindo algumas opções biológicas.

 

O Príncipe Real e o Chiado ficam perto o suficiente para caberem no mesmo passeio, mas mostram versões diferentes da Lisboa central. O Chiado é mais denso, mais movimentado e mais ligado à antiga vida comercial e cultural da cidade. O Príncipe Real é mais verde, mais residencial e mais fácil de transformar numa refeição demorada ou numa saída à noite. Ambos são muito visitados, por isso convém não escolher restaurante só pela localização.

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