Guia dos melhores miradouros de Lisboa
Lisboa é muitas vezes descrita como a cidade das sete colinas e, naturalmente, isso traduz-se numa enorme quantidade de miradouros. A capital portuguesa é, aliás, muito procurada precisamente por causa destes pontos de observação, que vão desde pequenos recantos até varandas amplas sobre a cidade, de onde se avista não só Lisboa, mas também o rio Tejo e a margem sul. Para quem nos visita, os miradouros são uma parte importante da experiência de conhecer Lisboa, já que permitem apreciar alguns dos elementos mais emblemáticos da cidade, incluindo os telhados vermelhos que cobrem as encostas, o Castelo de São Jorge lá no alto, cúpulas e torres de igrejas a desenharem a linha do horizonte e, por fim, o rio a completar a paisagem.
Imagem de capa cortesia de Mick Haupt
Mas os miradouros de Lisboa não são apenas paragens turísticas, pois também fazem parte da vida da cidade. Os lisboetas vão aos miradouros para ver o pôr do sol, fazer uma pausa entre bairros, encontrar amigos antes de jantar ou descontrair ao fim do dia de trabalho. Muitos dos melhores miradouros têm um quiosque por perto, convidando a abrandar o ritmo e a tomar um café, beber uma cerveja fresca ou até um copo de vinho, enquanto se observa o movimento à volta e se aprecia a vista. Também é bastante comum levar a própria bebida e alguns petiscos e usar o miradouro quase como se fosse uma sala de estar ao ar livre.
Cada miradouro de Lisboa tem o seu próprio ambiente. Há miradouros famosos pelas vistas de postal e, por isso, concorridos durante grande parte do dia, enquanto outros mantêm um lado mais local, com uma atmosfera de bairro mais vincada. Uns resultam melhor logo de manhã, quando a luz é mais nítida e há menos gente. Outros brilham sobretudo ao fim da tarde, naquela hora dourada em que Lisboa ganha tons mais quentes e o Tejo reflete a luz do sol a descer. Há ainda miradouros particularmente bons para perceber a geografia da cidade, a forma como Lisboa se espalha pelas colinas e vales até desembocar na água. Por isso, os melhores miradouros de Lisboa não oferecem apenas uma bela vista, ajudam também a compreender a cidade vista de cima.
Reunimos aqui os miradouros que são os mais interessantes para nós, e explicamos aquilo que torna cada um deles especial.
Miradouro do Parque Eduardo VII

Imagem cortesia de Bubbly & Living
O Miradouro do Parque Eduardo VII oferece uma perspetiva muito diferente da que se tem nos miradouros mais altos de bairros como o Bairro Alto, a Graça ou Alfama. Aqui, a cidade surge numa linha longa e limpa. Do topo do parque, o olhar desce pelas encostas geométricas do Parque Eduardo VII, passa pelo Marquês de Pombal, percorre a Avenida da Liberdade e prolonga-se até à Baixa e ao Tejo. É precisamente esse eixo direto e desimpedido que torna este miradouro tão memorável. Em Lisboa, onde a cidade raramente se organiza em linhas simétricas, isso por si só já o faz destacar-se.
O Parque Eduardo VII tem cerca de 26 hectares e chamou-se originalmente Parque da Liberdade, antes de ser renomeado em 1903, após a visita do rei Eduardo VII do Reino Unido. Mais tarde, tornou-se um dos principais espaços verdes públicos do centro de Lisboa e continua a receber grandes eventos da cidade, incluindo a anual Feira do Livro de Lisboa.
Este é também um dos miradouros mais fáceis de encaixar num dia sem obrigar a uma subida mais exigente, sobretudo se já estiver pela zona do Marquês de Pombal, da Avenida da Liberdade ou de São Sebastião. Mesmo ao lado do parque fica a Estufa Fria, um jardim-estufa com muita vegetação, grutas, elementos de água e pequenos percursos pedonais, que dá um bom motivo para explorar o parque para além do miradouro.
As pessoas vêm a esta parte de Lisboa para caminhar, correr, sentar-se na relva, trazer crianças ou simplesmente fazer uma pausa do trânsito que circula mais abaixo. Mesmo quando o miradouro está mais composto, nunca tem aquela sensação de aperto ombro com ombro que se pode encontrar noutros miradouros mais famosos em época alta. E, como este ponto de observação está integrado num grande parque público, muita gente vem aqui não apenas pela vista, mas também para aproveitar o espaço verde em volta.
No que toca a comida e bebida, a partir do Miradouro do Parque Eduardo VII pode caminhar até São Sebastião, onde há muitas opções práticas e variadas. A Avenida da Liberdade fica logo abaixo, caso procure cafés, bares de hotel ou uma refeição mais cuidada. Na parte norte do próprio parque, logo acima da zona do miradouro, fica ainda o Linha d’Água (Jardim Amália Rodrigues), um café com esplanada descontraída, em frente a um lago, ideal para um café, uma bebida fresca ou uma refeição leve. Esta zona é também bastante popular em Lisboa para piqueniques.
📍Alameda Cardeal Cerejeira, 1070-051 Lisboa
🗺️https://maps.app.goo.gl/EcrfhdotHVSjwkWN8
Miradouro de São Pedro de Alcântara

Imagem cortesia de SchiDD na Wikimedia
O Miradouro de São Pedro de Alcântara fica na orla do Bairro Alto, mesmo acima dos Restauradores, e abre-se de frente para o vale que leva até à colina do castelo. Num só olhar, consegue-se seguir a cidade desde o eixo central da Avenida da Liberdade e dos Restauradores, atravessando a Baixa até ao Castelo de São Jorge. É um dos sítios mais fáceis para identificar vários dos marcos mais conhecidos de Lisboa, e há até um painel panorâmico em azulejo que assinala os principais monumentos visíveis a partir daqui.
São Pedro de Alcântara foi pensado para ser mais do que um simples ponto de observação. Organizado como um jardim em dois níveis, com bancos, zonas de sombra, fonte e estátuas, é um lugar que convida a fazer uma pausa a sério, mais do que apenas parar uns minutos para tirar uma fotografia bonita. Por estar numa zona muito central, pode encher, sobretudo ao fim da tarde, mas o espaço é suficientemente amplo para raramente parecer apertado. A própria estrutura do jardim permite que as pessoas se espalhem, se sentem e fiquem por ali com calma.
Este miradouro encaixa naturalmente num dia a explorar algumas das zonas mais conhecidas de Lisboa, precisamente porque se encontra num ponto de passagem entre vários bairros. Para quem sobe do centro, é uma primeira paragem perfeita antes de seguir para o Bairro Alto e o Príncipe Real. No sentido inverso, funciona bem como pausa antes de voltar a descer para a Baixa. No fundo, integra-se facilmente em percursos que incluem a Avenida da Liberdade, o Rossio, o Chiado e o centro histórico. Ao mesmo tempo, está à porta de duas das zonas mais procuradas da cidade para comer e beber, por isso é frequente que o miradouro marque o arranque do resto da noite.
Basta afastar-se um pouco da varanda e já está no Bairro Alto, o bairro clássico da vida noturna lisboeta. Ao início da noite, é uma boa zona para beber qualquer coisa antes de jantar. Mais tarde, o ambiente intensifica-se bastante, já que as ruas estreitas se enchem de bares e de pessoas que compram a bebida e ficam cá fora, o que faz desta uma zona naturalmente ruidosa e animada. Se preferir algo mais calmo, siga na direção oposta até ao Príncipe Real, que tem uma personalidade bastante diferente. É uma das áreas mais procuradas de Lisboa para restaurantes e fins de tarde à mesa, com mais opções para jantar com calma, mais vida de esplanada e um ambiente, no geral, mais polido do que o do Bairro Alto. O Príncipe Real também tem vida própria durante o dia, o que torna este miradouro interessante para lá do pôr do sol. O bairro é conhecido pelos seus jardins, pelas ruas de comércio e pelo mercado biológico de sábado de manhã, um dos melhores mercados ao ar livre de Lisboa.
No próprio miradouro, o quiosque convida a descansar as pernas e a refrescar-se com uma bebida. Aqui verá muitos visitantes, claro, mas também lisboetas a passear o cão, a conversar, ou a beber uma cerveja antes de seguirem para outras paragens ali por perto.
📍Rua de São Pedro de Alcântara, 1250-238 Lisboa
🗺️https://maps.app.goo.gl/hdHggF8GzbvJrBKq5
Miradouro de Santa Luzia

Imagem cortesia de Hansfotos na Wikimedia
O Miradouro de Santa Luzia fica entre a zona da Sé e o coração de Alfama, tão perto da catedral e do percurso que sobe ao castelo que é bem provável que passe por aqui quase sem dar por isso. É um dos melhores miradouros de Lisboa para apreciar aquela imagem tão reconhecível da cidade antiga. Lá de cima, vê-se o emaranhado compacto de telhados de Alfama a descer em direção ao Tejo, pontuado aqui e ali por cúpulas e torres de igrejas que se erguem por entre o labirinto de ruas e vielas. Daqui é fácil identificar a cúpula do Panteão Nacional, instalado na Igreja de Santa Engrácia, ou a Igreja de Santo Estêvão, dois marcos bem conhecidos da paisagem lisboeta.
Mas Santa Luzia destaca-se não só pela vista. Os seus azulejos também ajudam a explicar por que razão este é um dos miradouros mais fotografados da cidade. Os dois grandes painéis de azulejo na parede da igreja são parte essencial do cenário e retratam episódios históricos como o Terreiro do Paço antes do terramoto de 1755 e o cerco de 1147, durante a reconquista cristã de Lisboa. Mesmo para quem não tem particular interesse por história, é um detalhe que acrescenta contexto ao que está diante dos olhos.
Em termos de ambiente, Santa Luzia é um miradouro lindíssimo, mas também muito concorrido. É frequente estar cheio de visitantes, e o som de fundo é bastante lisboeta, incluindo o sino do elétrico a passar ali perto, o burburinho dos grupos, um músico de rua ocasional e muita gente a tentar tirar praticamente a mesma fotografia. Ainda assim, continua a ser um daqueles miradouros de Lisboa que não faz sentido saltar. Para o aproveitar com mais calma, o melhor é vir de manhã cedo, quando Alfama ainda está a acordar e o espaço permite ficar por ali algum tempo sem grande confusão. Ao pôr do sol, conte com companhia, porque este é um daqueles miradouros que atrai toda a gente ao mesmo tempo, locais e visitantes incluídos. Seja de manhã ou ao fim da tarde, há um café e um quiosque onde se pode comprar uma bebida, sentar-se e absorver a paisagem com calma.
📍Largo de Santa Luzia, 1100-487 Lisboa
🗺️https://maps.app.goo.gl/qWRiCnxk8aFn3Sc67
Miradouro das Portas do Sol

Imagem cortesia de Duarte Drago na Time Out Lisboa
O Miradouro das Portas do Sol é um dos melhores miradouros de Lisboa para apreciar Alfama eo rio em toda a sua amplitude. Situado na parte alta do bairro, oferece uma perspetiva aberta sobre a zona mais antiga da cidade, com os telhados apertados e as ruas íngremes a descerem em direção ao Tejo. Do outro lado do vale, a Igreja de São Vicente de Fora ajuda a enquadrar a paisagem e serve como um bom ponto de referência para se orientar.
Convém ter em conta que as Portas do Sol ficam muito perto do Miradouro de Santa Luzia, e muita gente acaba por visitar ambos na mesma paragem. Ambas as vistas focam-se na zona de Alfama, mas a experiência não é exatamente igual. Santa Luzia tem um lado mais ornamental, com uma espécie de atmosfera de pequeno jardim e os seus famosos painéis de azulejo, enquanto as Portas do Sol são mais abertas e têm aquele efeito clássico de varanda sobre Lisboa. Se tiver pouco tempo, vale a pena escolher consoante aquilo que procura, seja um enquadramento mais bonito e decorado, com detalhes em azulejo, no caso de Santa Luzia, ou uma sensação mais ampla e panorâmica, no caso das Portas do Sol.
As Portas do Sol são também muito acessíveis para quem visita a cidade, já que os elétricos 12 e 28 param ali perto. Isso ajuda a explicar por que razão este miradouro é tão popular ao longo do dia. Essa conveniência tem, claro, o seu reverso, já que a zona pode ficar bastante cheia, sobretudo ao fim da manhã e a meio da tarde, quando se concentram por ali grupos turísticos e tuk-tuks. Para uma experiência mais tranquila, a manhã cedo costuma ser a melhor aposta, quando a luz é mais suave e o espaço ainda não está no seu pico de agitação. Mais para o fim do dia, o ambiente torna-se mais animado e social, precisamente da forma como muitos lisboetas continuam a usar este miradouro, apesar da pressão turística.
Como acontece com muitos miradouros, este não serve apenas para tirar uma fotografia. É também um ótimo sítio para fazer uma bela pausa. O quiosque e as esplanadas próximas fazem das Portas do Sol um daqueles lugares onde é fácil ficar algum tempo, sobretudo quando o calor abranda ao fim do dia durante o verão. Para o aproveitar à maneira local o ideal é pedir uma bebida e ver o pôr do sol sem pressa.
Há também alguns detalhes que dão carácter a este miradouro para lá da vista. Um deles é a estátua de São Vicente, padroeiro oficial de Lisboa, embora muitos visitantes, e até alguns lisboetas mais distraídos, tomem Santo António como tal, talvez por associação às festas dos santos populares em junho. Do outro lado do largo fica ainda o Museu de Artes Decorativas Portuguesas, dedicado às artes decorativas nacionais, com destaque para mobiliário histórico, cerâmica, têxteis e outras peças ligadas ao universo dos interiores.
Não há bilhete nem horário formal de encerramento, mas o ambiente no Miradouro das Portas do Sol muda bastante consoante a hora. Se a prioridade for sossego e espaço, vale a pena vir cedo. Se preferir apanhar a cidade no seu lado mais animado, venha mais tarde, quando a luz aquece os telhados e o miradouro se enche de gente e movimento.
📍Largo Portas do Sol, 1100-411 Lisboa
🗺️https://maps.app.goo.gl/apJxJZ5DiD7rThF38
Miradouro da Graça

Imagem cortesia de pxhere
O Miradouro da Graça fica num bairro que continua a sentir-se muito residencial, mesmo com o fluxo constante de visitantes que sobem até aqui para apreciar as vistas. É um verdadeiro espaço público, onde se sente o turismo, claro, mas também, em igual medida, o quotidiano lisboeta.
A vista é ampla e permite perceber facilmente a geografia da cidade, pois o miradouro fica suficientemente alto para enquadrar o castelo com clareza e, ao mesmo tempo, abrir uma vista generosa sobre o centro histórico até ao rio. Daqui, torna-se mais simples perceber a geografia de Lisboa. Veem-se os bairros antigos nas encostas em primeiro plano, o centro da cidade a estender-se mais além e o Tejo ao fundo, que ajuda sempre a situar o olhar. A vista também muda bastante consoante o tempo. Nos dias limpos, a visibilidade é larga e o rio destaca-se mais, mas quando há neblina, a distância perde definição e ganham protagonismo os detalhes mais próximos, como os telhados e a forma como a cidade se constrói em cima das colinas.
O miradouro fica mesmo ao lado da Igreja e Convento da Graça, o que dá ao lugar um enquadramento histórico evidente. Oficialmente, chama-se Miradouro Sophia de Mello Breyner Andresen, em homenagem a uma das mais importantes poetas portuguesas, mas a maioria das pessoas continua a referir-se a ele simplesmente como Miradouro da Graça.
O ambiente é uma das grandes razões para vir até aqui. Ao contrário de Santa Luzia ou das Portas do Sol, onde há uma rotação quase constante de pessoas a chegar, tirar fotografias e seguir caminho, a Graça convida mais a ficar. Costuma haver uma mistura de locais e visitantes, além de quem usa o espaço como ponto de encontro antes de seguir para outro lado. É um miradouro social, muitas vezes movimentado e até um pouco ruidoso, porque aqui vem-se mais para estar do que para contemplar a paisagem em silêncio. Isso combina bem com o bairro em redor, pois a Graça tem quase um ar de aldeia no topo da cidade, com ruas estreitas, comércio de proximidade e um ritmo que abranda assim que se sai das artérias principais.
No que toca a comer e beber por perto, este é um dos melhores miradouros de Lisboa para se ligar facilmente a sítios com verdadeiro carácter lisboeta. O Botequim da Graça (Largo da Graça 79) é uma referência inevitável, já que faz parte da memória cultural da cidade. Durante décadas esteve associado à escritora e poeta Natália Correia, uma das vozes culturais mais influentes do Portugal do século XX, conhecida pela sua escrita incisiva e pela forma destemida como intervinha na vida pública. O espaço tornou-se um ponto de encontro de artistas e intelectuais, e essa herança continua a dar-lhe relevância ainda hoje.
Se procura algo clássico e sem complicações, O Pitéu da Graça (Largo da Graça 95) é uma escolha segura ali perto, daquelas casas onde apetece sentar depois da subida para comer cozinha portuguesa reconfortante e sem grandes complicações. Se preferir peixe com um toque mais criativo, a A Taberna do Mar (Calçada da Graça 20B), a apenas um minuto do miradouro, serve um menu de degustação com cerca de 14 momentos por pouco mais de 30 euros, numa fusão surpreendentemente feliz entre sabores portugueses e japoneses. E se lhe apetecer algo ainda mais tradicional, basta caminhar até ao Estrela d’Douro (Rua da Graça 22), também conhecido como O Cardoso, uma tasca à moda antiga onde se serve excelente comida de conforto portuguesa.
A Graça é um daqueles miradouros que muitas vezes acaba ligado ao Miradouro da Senhora do Monte, que fica a poucos minutos a pé, mais acima. Muita gente passa primeiro pela Graça e depois continua até lá para uma vista ainda mais elevada. A Graça oferece uma panorâmica ampla com ambiente de esplanada de bairro, enquanto a Senhora do Monte, que veremos já a seguir, tem um lado mais cénico.
📍Calçada da Graça, 1100-265 Lisboa
🗺️https://maps.app.goo.gl/NLt6qU7CNqaRBqcc7
Miradouro da Senhora do Monte

Imagem cortesia de On The Grid
O Miradouro da Senhora do Monte é aquele a que se vai quando se quer ver Lisboa de uma só vez, numa perspetiva ampla e desimpedida. Fica acima da Graça, junto à pequena Capela de Nossa Senhora do Monte, e, embora a subida possa pesar um pouco nas pernas, isso até ajuda a saborear melhor a chegada, pois há qualquer coisa de gratificante em alcançar este ponto e sentir que a vista foi merecida.
É, sem dúvida, um dos grandes miradouros de Lisboa para quem procura uma panorâmica mais abrangente, já que reúne vários pontos emblemáticos num só enquadramento. Vê-se o Castelo de São Jorge de cima, a malha mais regular da Baixa, o Tejo ao fundo e, em dias limpos, até a Ponte 25 de Abril e o Cristo Rei ao longe. É um ótimo lugar para perceber como Lisboa se espalha pelas colinas e como as camadas mais antigas e mais recentes da cidade convivem entre si.
O ambiente aqui é diferente do da Graça, logo abaixo. A Graça é mais social e movimentada, muitas vezes usada como ponto de encontro. Já a Senhora do Monte tende a ser mais calma, e quem sobe até aqui costuma sentar-se, apreciar a vista com tempo, tirar algumas fotografias, claro, mas também ficar por ali durante mais tempo. Por ser um miradouro mais alto do que a maioria, o vento sente-se mais, sobretudo ao fim do dia, por isso convém trazer uma camada extra de roupa para que a temperatura não encurte a visita.
Se estiver a escolher a melhor hora para vir, a Senhora do Monte destaca se especialmente ao fim da tarde e ao pôr do sol, porque a linha do horizonte é ampla e as luzes da cidade começam a acender-se à sua frente à medida que o céu muda de cor. Também vale a pena considerar uma visita mais cedo, sobretudo se quiser a melhor visibilidade possível, já que este é um daqueles miradouros onde as condições meteorológicas fazem mesmo diferença no que se consegue ver.
Ao contrário de outros miradouros de Lisboa, a Senhora do Monte não conta com o habitual quiosque. Pode comprar água ou uma bebida no caminho e trazer qualquer coisa para petiscar, ou contar com os pequenos food trucks que costumam estar por perto, a vender coisas simples como café e limonada. Mesmo ao lado do miradouro fica ainda o Secret Garden LX (Largo Monte), um bar-jardim algo escondido, com instalações artísticas e programação musical regular. O espaço distribui-se por vários níveis, por isso costuma ser fácil encontrar um canto onde se possa sentar, e foi claramente pensado para ficar por ali com uma bebida na mão enquanto o sol se põe. Se quiser fazer uma refeição a sério durante a visita, o melhor é voltar a descer até à Graça, onde há muito mais opções.
📍Largo Monte, 1170-107 Lisboa
🗺️https://maps.app.goo.gl/VHh2DYPMUZnUndY6A
Miradouro de Santa Catarina

Imagem cortesia de Portugal de Norte a Sul
O Miradouro de Santa Catarina, mais conhecido por muita gente como Adamastor, oferece uma bela vista sobre o rio e a margem sul. Daqui vê-se a Ponte 25 de Abril bem enquadrada e, em dias limpos, o Cristo Rei do outro lado da água. A vista é ótima, claro, mas o que realmente define este miradouro é o ambiente. Este é um clássico lisboeta para o final do dia, um daqueles sítios onde se vem estar sem pressa.
O nome Adamastor vem da estátua que se encontra no terraço, uma referência ao gigante marinho de Os Lusíadas, o poema épico nacional escrito por Luís de Camões no século XVI, que celebra os Descobrimentos e as viagens marítimas portuguesas.
Santa Catarina tem uma energia muito própria, especialmente ao final da tarde. As pessoas vêm para aqui sentar-se, descontrair, beber qualquer coisa, ficar na conversa durante horas, ouvir quem esteja a tocar música ali perto e acompanhar o movimento do rio e a mudança da luz sobre a ponte. É um miradouro naturalmente social, e atrever-nos-íamos até a dizer que muita gente vem aqui tanto para conviver ao ar livre como para apreciar a vista em si.
É também um dos miradouros de Lisboa mais fáceis de integrar num fim de tarde ou numa saída à noite sem grandes planos. Há um quiosque mesmo ali, o que permite manter as coisas simples, ou então pode aproveitar para explorar melhor a zona, onde não faltam lugares para comer e beber.
Mesmo ali ao lado fica a Bica, um bairro que convida a andar sem rumo certo e talvez a parar num bar ou numa casa mais descomplicada para petiscar qualquer coisa. Mais acima, para nascente, está o Chiado, a curta distância a pé, onde encontrará facilmente wine bars com vinhos das várias regiões vitivinícolas portuguesas, cafés e opções mais compostas para jantar. A descer, está perto do Cais do Sodré, o que significa bares, espaços abertos até mais tarde e uma continuação fácil caso a noite ainda vá no início. No fundo, Santa Catarina é um miradouro perfeito para começar um encontro com um “vemos-nos aqui primeiro”, suficientemente central para servir de ponto de encontro e suficientemente versátil para se adaptar ao que vier a seguir.
📍Miradouro de Santa Catarina, 1200-012 Lisboa
🗺️https://maps.app.goo.gl/mk4EwPMnkTxpbnzF6
Miradouro do Jardim do Torel

Imagem cortesia de On The Grid
O Miradouro do Torel é uma boa prova de que nem todos os miradouros de Lisboa têm de vir acompanhados de multidões e filas para tirar praticamente a mesma fotografia. Inserido no Jardim do Torel, perto do Campo dos Mártires da Pátria, este parece mais um pequeno refúgio ajardinado com vista do que um ponto de observação clássico. O próprio jardim ocupa terrenos que em tempos fizeram parte de uma quinta do século XVIII, e esse passado residencial ainda se sente nas casas senhoriais que o rodeiam.
A perspetiva aqui também é diferente da dos miradouros mais conhecidos. Em vez de olhar para Alfama ou diretamente para o rio, o Torel abre-se sobre o vale da Avenida da Liberdade, com a Baixa mais adiante e a colina de São Roque em frente, onde se avista o Miradouro de São Pedro de Alcântara. Isso torna-o um bom contraponto aos miradouros mais óbvios, menos centrado na Lisboa de postal e mais útil para perceber os desníveis da cidade e o centro construído a partir de outro ângulo.
O espaço em si é muito agradável, com zona verde, bancos e sombras que convidam a ficar por ali algum tempo. É precisamente essa atmosfera mais calma que faz do Torel um lugar especial. Depois da agitação mais social da Graça ou de Santa Catarina, este é um miradouro que se sente mais resguardado, mesmo que, realisticamente, já não seja propriamente desconhecido. Não é aqui que se vem à procura da imagem mais icónica de Lisboa. Mas se lhe apetecer sair um pouco do circuito mais óbvio, fugir do calor do verão lisboeta e observar uma vista mais central e até mais residencial da cidade, esta é uma excelente opção.
Para chegar até lá, pode subir a pé, mas a forma mais simpática de o fazer é muitas vezes através do Elevador do Lavra, o funicular mais antigo de Lisboa, que o leva da cidade baixa até esta colina mais tranquila. A partir daí, o Torel encaixa bem num percurso que inclua o Campo dos Mártires da Pátria, a Colina de Santana e, se quiser continuar, as avenidas centrais logo abaixo.
📍Tv. do Torel 21, 1150-122 Lisboa
🗺️https://maps.app.goo.gl/uJ8JpubQV5LR6s6T8
Miradouro de Monte Agudo

Imagem cortesia de Arlindo Camacho na Time Out Lisboa
O Miradouro de Monte Agudo remonta à década de 1950, quando este ponto de observação natural foi transformado num pequeno jardim-miradouro com uma ligação pedonal entre a Rua Heliodoro Salgado e a Rua Ilha do Príncipe. Este recanto de bairro tem zonas de sombra, bancos e espaço suficiente para se sentar mesmo nas alturas em que o movimento aumenta.
Fica acima da Avenida Almirante Reis, entre os bairros da Graça e dos Anjos, numa parte de Lisboa por onde muitos visitantes passam sem parar para olhar em redor. É precisamente isso que lhe dá interesse, pois em vez de oferecer a típica imagem de postal da cidade antiga, abre-se para uma vista mais ampla e menos expectável, com longas linhas de telhados, um pouco do rio ao longe e uma perspetiva mais alargada sobre o norte e o oeste de Lisboa. É um dos miradouros mais tranquilos da cidade e vale a pena precisamente por mostrar um lado menos explorado de Lisboa. Monte Agudo lembra também que os miradouros lisboetas não servem apenas para admirar os monumentos mais conhecidos.
Arroios e a parte alta da Almirante Reis, nas imediações do miradouro, tornaram-se algumas das zonas mais variadas da cidade para comer, com cafés antigos, pastelarias, restaurantes portugueses descomplicados e uma forte presença de cozinha internacional, tudo misturado no mesmo tecido urbano. Por isso, Monte Agudo funciona muito bem como parte de um passeio mais longo por uma Lisboa mais quotidiana, sobretudo se lhe apetecer sair do circuito habitual entre Alfama, Baixa e Chiado. Está suficientemente perto da Graça e da Senhora do Monte para se poder combinar com ambos, mas o ambiente é diferente. Esses dois atraem mais gente e mais atenção, enquanto Monte Agudo se sente mais calmo e mais de bairro.
Há também um quiosque no miradouro, o que facilita uma pausa para um café, uma bebida fresca ou qualquer coisa simples para petiscar enquanto se aprecia a vista. Se vier até aqui, vale mesmo a pena continuar a explorar o bairro vizinho da Penha de França, que nem sempre entra nos roteiros mais óbvios de Lisboa, mas que tem várias pérolas gastronómicas para quem sabe onde procurar. Pode espreitar o nosso guia gastronómico da Penha de França se quiser aproveitar esta zona como ponto de partida para conhecer um lado menos evidente e mais quotidiano de Lisboa.
📍Rua Heliodoro Salgado, 1170-175 Lisboa
🗺️https://maps.app.goo.gl/7pQ1tPK75br3FwQp7
Miradouro da Penha de França

Imagem cortesia de Ricardo S. Alves
Junto à Igreja de Nossa Senhora da Penha de França, o Miradouro da Penha de França fica numa colina marcadamente residencial. A vista daqui é diferente da maioria dos restantes miradouros, já que não se centra na composição habitual do centro histórico, com o castelo e o rio como protagonistas. Em vez disso, abre-se sobre a zona oriental e norte de Lisboa, áreas que raramente recebem grande atenção nos guias de viagem. Daqui avistam-se bairros como o Areeiro, a Alameda e, quando a visibilidade ajuda, até partes de Marvila e mais além. É um daqueles lugares que mostram Lisboa como aquilo que ela realmente é: uma capital onde as pessoas vivem, e não apenas um conjunto de monumentos e colinas pitorescas.
A igreja ao lado do miradouro foi reconstruída depois de ter sido destruída no terramoto de 1755, mas o edifício original remonta ao final do século XVI. Esta colina esteve durante muito tempo ligada à devoção e à peregrinação, e essa história ainda se sente no largo e na envolvente, que mantêm um certo ar solene.
O miradouro em si é bastante simples, o que combina bem com o bairro onde se insere. Ainda assim, como já referimos acima, a Penha de França tem vindo a ganhar atenção pela oferta gastronómica. A apenas cinco minutos a pé do miradouro, recomendamos o Porta 17 (Rua Cesário Verde 17A) para petiscos e um copo de vinho. Um pouco mais abaixo, a alguns minutos de distância, há ainda o Tati (Rua Carrilho Videira 20B), que só abre ao serão. Se passar por aqui de manhã, vale a pena ir até à Pastelaria Nilde (Rua Morais Soares 61) para um pequeno-almoço ao estilo português, ou simplesmente para um café e um bolo tradicional.
A zona em redor do miradouro, e o bairro da Penha de França como um todo, dão boas razões para não seguir caminho imediatamente. Como aqui não há propriamente um conjunto de atrações para “ver” e o espírito é mais o de andar sem grande plano e deixar-se surpreender, esta parte de Lisboa pede caminhada. Pode continuar em direção a Arroios, descer até à Avenida Almirante Reis ou ligar esta paragem ao Miradouro de Monte Agudo, que fica também ali perto.
📍Rua Marques da Silva, 1170-318 Lisboa
🗺️https://maps.app.goo.gl/67CMaCzwRsJfZQAS6
Miradouro da Rocha de Conde de Óbidos

Imagem cortesia de CM Lisboa
O Miradouro da Rocha de Conde de Óbidos abre-se para um lado de Lisboa que a maioria dos miradouros quase ignora. Não se vem até este ponto, entre Santos e Alcântara, à procura dos telhados típicos das colinas medievais, mas sim para observar a frente ribeirinha, o porto, a ponte e a atividade ribeirinha. Aqui, no Jardim 9 de Abril, acima da Avenida 24 de Julho e mesmo ao lado do Museu Nacional de Arte Antiga, percebe-se bem como Lisboa é uma cidade virada para o Tejo, com o rio, a Ponte 25 de Abril, o Cristo Rei e a atividade da doca da Rocha de Conde de Óbidos todos no mesmo enquadramento. Pode dizer-se que, neste miradouro, se troca a Lisboa das colinas por uma perspetiva mais horizontal da cidade, substituindo igrejas e muralhas por navios, gruas, cais, tráfego fluvial e a ampla margem sul ao fundo.
Se vier até esta zona da cidade, vale a pena aproveitar para visitar o Museu Nacional de Arte Antiga. A área de Santos / Janelas Verdes também é boa para comer e beber, com uma mistura de restaurantes portugueses e propostas mais internacionais. No próprio miradouro encontra o Catch Me (Jardim 9 de Abril), um restaurante-bar com terraço onde pode beber um cocktail com vista, comer bem e, em algumas noites, ouvir música ao vivo.
Não é ao Miradouro da Rocha de Conde de Óbidos que se vem à procura da imagem mais icónica da panorâmica lisboeta, mas há qualquer coisa de especial em ver um lado de Lisboa que muitos visitantes acabam por deixar de fora.
📍Rua Pres. Arriaga, 1200-771 Lisboa
🗺️https://maps.app.goo.gl/tu3PbgHHq4wAuEi19
Miradouro de Santo Amaro

Imagem cortesia de Lisbohème
No bairro de Alcântara, o Miradouro de Santo Amaro oferece uma vista mais virada para o rio e com um lado mais industrial. Alguns poderão considerá-la menos romântica, mas também se pode dizer que é uma perspetiva mais realista de Lisboa. Este pequeno ponto de observação fica mesmo ao lado da Capela de Santo Amaro, uma capela datada de 1549 e classificada como Monumento Nacional, conhecida pelo seu interior revestido a azulejos. Daqui vê-se o Tejo, com a Ponte 25 de Abril a atravessar a paisagem e a margem sul a abrir-se ao fundo.
Este miradouro fica um pouco fora do percurso mais habitual por Lisboa. Não é tão panorâmico como outros que referimos acima, mas tem interesse precisamente porque mostra a cidade de outro ângulo, com Alcântara logo abaixo, a ponte quase ao alcance da mão e o rio a estender-se no horizonte.
É também um bom ponto de partida para explorar melhor Alcântara. Daqui pode descer até ao LX Factory se quiser bares, lojas e uma atmosfera mais criativa e contemporânea, ou ficar pela zona de Santo Amaro para descobrir pequenos espaços de restauração com um lado mais local, concentrados sobretudo na Rua Luís de Camões. O Café Dias (Rua Pedro Calmon 3B) é um dos tesouros desta área, uma casa de bairro com jazz ao vivo às quintas-feiras e sessões de poesia às segundas.
Se decidir vir ao Miradouro de Santo Amaro, tenha em conta que este funciona especialmente bem ao fim da tarde, quando a luz começa a suavizar sobre a água e se percebe a transição entre o dia e a noite.
📍Rua Academia Recreativa de Santo Amaro, 1300-001 Lisboa
🗺️https://maps.app.goo.gl/C9p4XUSRJf4HdRm26
Miradouro do Bairro do Alvito

Imagem cortesia de Amal Al Mansur
Se, depois de todos os miradouros acima, ainda lhe apetecer descobrir um lado menos óbvio de Lisboa, vale a pena considerar o Miradouro do Bairro do Alvito. Este não é o sítio para procurar a clássica silhueta da cidade antiga ou a composição habitual de castelo e telhados. Aqui, a grande protagonista é a ponte. Desta perspetiva, a Ponte 25 de Abril domina as vistas de forma mais frontal do que noutros miradouros, incluindo o de Santo Amaro, que referimos acima.
No bairro do Alvito, junto a Monsanto, este espaço é simples e sem grandes cuidados. Trata-se de um miradouro que resulta melhor quando se chega com as expectativas certas, pois o interesse está na perspetiva, não no conforto ou na infraestrutura.
Este pode também ser um ótimo ponto de partida se ainda tiver energia para continuar em direção ao Parque Florestal de Monsanto. A partir daqui, faz sentido seguir a explorar o parque e até alguns dos seus outros miradouros, como o Miradouro dos Montes Claros e o Miradouro do Moinho do Penedo, ambos integrados na rede mais ampla de pontos de observação espalhados por este grande pulmão verde de Lisboa. Os percursos pedonais de Monsanto ligam o Alvito a estas outras paragens, o que torna esta zona especialmente apelativa para quem gosta de miradouros e não se importa de caminhar bastante entre eles. É, portanto, um miradouro a guardar para quando lhe apetecer ver algo realmente diferente.
📍Estr. Estrangeira 2, 1300-052 Lisboa
🗺️https://maps.app.goo.gl/sF1bseKqLA8VNXmq7
Para mais recomendações sobre Lisboa que vão além do óbvio, siga a Taste of Lisboa no Instagram.
Continue a alimentar a sua curiosidade pela cultura gastronómica portuguesa:
Formas deliciosas de combater o calor do verão em Lisboa
Melhores sítios em Lisboa para um primeiro encontro (com comida e bebida)
Pessoas genuínas, comida autêntica. Venha connosco onde os portugueses e lisboetas vão:
Reserve o seu lugar na nossa próxima experiência gastronómica & cultural.
Siga-nos para mais em Instagram, Twitter e Youtube