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Como identificar restaurantes autênticos em Lisboa

a group of people sitting at a table

 

Quando falamos da ligação intrínseca entre a comida, o seu local de origem e as pessoas que a cozinham e comem, é importante reconhecer as tradições e uma certa dose de autenticidade.

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O adjetivo autêntico refere-se a algo que tem uma origem claramente definida. Apesar de sermos adeptos da cozinha de fusão e das interpretações contemporâneas de receitas tradicionais, não vamos defender estabelecimentos que servem produtos de baixa qualidade ou pratos que parecem ter uma crise de identidade, sobretudo quando são rotulados como típicos, genuínos ou autênticos, de modo a atrair turistas.

Se, como nós, acredita que a integridade gastronómica está no cerne da autenticidade, temos algumas dicas para si sobre como navegar o panorama gastronómico de Lisboa, para poder sentar-se e desfrutar de uma boa refeição portuguesa.

 

Estas são as nossas melhores dicas para identificar restaurantes portugueses verdadeiramente autênticos em Lisboa e arredores:

 

Ruas turísticas = restaurantes turísticos

Começamos com uma dica bastante óbvia, que faz tanto sentido em Lisboa como em qualquer outro lugar do mundo com grande afluência turística. Quando procura um lugar para comer numa área altamente turística, geralmente no centro, é provável que acabe por gastar o seu dinheiro num lugar onde a qualidade ou a autenticidade não são os valores centrais. Faz sentido quando se pensa no assunto: em áreas turísticas, não há clientes recorrentes. Vai-se a um restaurante uma vez, talvez duas, durante as férias, e depois volta-se para casa. Portanto, os negócios não precisam de esforçar-se muito para encantá-lo até ao ponto de torná-lo um cliente recorrente.

Aqui em Lisboa, a maior concentração de restaurantes que atendem a turistas acontece na Baixa, principalmente na Rua Augusta, na Rua dos Coreeiros e na Rua das Portas de Santo Antão. Não estamos a afirmar que não existem estabelecimentos dignos por estes lados, é claro. Mas é preciso ter um pouco mais de cuidado nestas áreas se quiser comer uma boa refeição portuguesa, ou seja, uma que não seja apenas saborosa, mas também representativa da cultura gastronómica local.

 

a group of people walking on a city street

 

Será mesmo preciso um empregado de mesa para convencê-lo?

É precisamente neste tipo de zonas que se encontram mais empregados de mesa na rua, com menus na mão, a tentar convencê-lo a sentar-se e a pedir uma refeição no restaurante onde trabalham. Habitualmente, o seu discurso concentra-se em ter pratos representativos ou oferecer uma boa relação custo / benefício, mas isso é frequentemente questionável.

Muitas bandeiras no menu não são um bom sinal

Empregados de mesa-anunciantes e menus traduzidos para uma grande variedade de idiomas geralmente andam de mãos dadas. E o que combina com um menu que não deixa nenhum turista lost in translation? Grandes bandeiras dos seus países, para que os viajantes não se sintam excluídos. A bandeiras podem aparecer nas próprias ementas ou, de forma ainda mais chamativa, em placas à porta dos restaurantes, que por vezes até bloqueiam parcialmente as calçadas, publicitando as especialidades dos restaurantes ou os pratos do dia com fotos cujas cores o sol forte de Lisboa tende a ajudar a desvanecer com o passar do tempo.

Um restaurante típico português NÃO serve paella

Se há algo que tem grande potencial de incomodar um Português é quando os visitantes dizem gracias em vez de obrigado, como se não houvesse diferença entre as línguas de Espanha e Portugal. O equivalente dessa mentalidade no mundo da comida seria perguntar onde se pode comer uma boa paella. De facto pode encontrar este prato de arroz e marisco em Lisboa, mas se quer mesmo comer algo local e tradicional, a nossa versão mais soltinha de arroz de marisco, é o prato que deve considerar.

Em áreas muito turísticas, por vezes verá paella anunciada nos menus e nas placas dos restaurantes. Em vez de esforçar-se para promover pratos locais que os viajantes podem ou não conhecer, alguns estabelecimentos preferem “dar ao cliente o que o cliente quer”, anunciando doses de paella que muitas vezes são pré-cozinhadas. Então, como dizíamos, um restaurante português autêntico costuma servir arroz de marisco e não paella e, nos casos em que se encontra paella no menu de um bom restaurante local, muitas vezes como prato do dia e não tanto como parte da ementa permanente, e habitual que este apareça com o nome arroz à Valenciana.

arroz maladrinho

 

Não vai comer “as melhores sardinhas de Lisboa” durante os meses frios

A sardinha assada é um dos pratos de Lisboa por excelência. Como tal, é normal que os viajantes estejam ansiosos para experimentá-lo. A sardinha fresca é um alimento sazonal, disponível no final da primavera e no verão. Os moradores anseiam tanto pela época das sardinhas que, quando o peixe está finalmente disponível durante os meses mais quentes, aparece nos menus por toda a cidade. Aliás, durante as festas lisboetas de junho, o cheiro das sardinhas assadas no carvão espalha-se pelos bairros mais históricos da cidade, onde se instalam churrasqueiras e bares improvisados ​​ao ar livre para as pessoas comerem fora e festejarem.

Por isso, se estiver a passear por uma zona turística de Lisboa durante os meses mais frios e os funcionários dos restaurantes o tentarem seduzir anunciando deliciosas sardinhas, tenha em atenção que o peixe provavelmente será congelado. As sardinhas frescas sabem sempre melhor, com uma carne suculenta e pele grelhada até ficar crocante e fumada. As sardinhas congeladas também são perfeitamente comestíveis, claro, mas ninguém deve dizer que são as melhores, pois não representam o peixe ou o prato em todo o seu potencial, e podem por isso acabar por ser decepcionantes. Se quiser comer sardinhas durante o inverno, recomendamos optar por peixes enlatados de alta qualidade.

Ovos e bacon? Não! O pequeno-almoço português é café, pão e bolos.

Entendemos que os restaurantes e cafés lisboetas querem satisfazer os desejos dos viajantes internacionais e isso muitas vezes significa adaptar a sua oferta às expectativas esfomeadas de quem nos visita. Não há problema nisso, é claro. Não há nada de errado em servir ovos, bacon e feijão ao pequeno-almoço, mas não achamos correto chamá-lo de “pequeno-almoço português”, só porque se junta um pastel de nata ao menu. Quando se começa a dar nomes às coisas de uma forma que beneficia o negócio, e não tanto referindo-se ao que elas realmente são, os conceitos tradicionais começam a diluir-se e acabamos com chefs como Gordon Ramsay a cozinhar porco preto e ovos na frigideira, e a chamar a isto de pequeno-almoço português.

A proporção de clientes locais e internacionais é importante

Isto vale para Portugal e para qualquer outro lugar do mundo: se perceber que a maioria dos clientes que comem num determinado restaurante é local (ou do país de origem que o restaurante representa), é provável que a comida seja boa. Ninguém será mais crítico da comida portuguesa do que os portugueses, por isso, se vir muitos lisboetas a aprovarem o restaurante, isso funcionará como um selo de autenticidade e pode ter a certeza de que os pratos servidos são o que deveriam ser.

Portuguese tasca in Lisbon

 

Se estas observações se aplicam a todos os tipos de restaurantes portugueses em Lisboa, temos ainda mais dicas sobre como identificar uma verdadeira tasca. As tascas são estabelecimentos simples que apostam em bebidas, petiscos e alguns pratos típicos, normalmente servidos de forma despretensiosa e deliciosa.

Participando nos nossos passeios gastronómicos e culturais em Lisboa e seguindo as nossas dicas, esperamos que viva o lado mais genuíno da nossa cidade, das nossas gentes e da nossa cultura gastronómica. Se precisar de mais informações ou conselhos,ficamos sempre felizes em conversar consigo via Instagram ou Facebook. Marque-nos: @tasteoflisboa #tasteoflisboa 

 

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