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Melhores sítios em Lisboa para um primeiro encontro (com comida e bebida)

Two people eating dessert with raspberries at a small round table.

 

Há muitos motivos que fazem com que Lisboa atraia tanta gente, mas fala-se pouco de como esta cidade funciona bem para encontros. É um sítio onde passear sem planos acontece quase de forma natural a quem gosta de perder-se um pouco, parar quando algo chama a atenção e ir ajustando os planos pelo caminho. Lisboa pede exploração, e isso encaixa na lógica dos primeiros encontros, que muitas vezes começam com uma caminhada, alguma conversa e, algures pelo meio, encontrar um café, um bar ou um restaurante onde se come qualquer coisa ou se bebe um copo. Com tantos cafés, bares e tasquinhas por perto, é fácil deixar que a própria cidade dite o rumo da noite.

Imagem de capa cortesia de Attitude Interior Design Magazine

Em Lisboa, os primeiros dates costumam ser simples. Para a maioria dos portugueses, um primeiro encontro raramente significa algo muito formal como um grande jantar ou um gesto muito teatral. O normal passa por combinar um café ou um copo de vinho, muitas vezes num café de bairro ou numa esplanada com vista. O ambiente é, na maior parte das vezes, descontraído, são duas pessoas a perceber se a conversa flui, sem obrigação de transformar aquilo num banquete prolongado de vários pratos. Pode envolver comida na equação, claro, muitas vezes uns petiscos ou um bolo a acompanhar o café, mas sem grande pressão para fazer dali um jantar longo e completo. E costuma ser tudo mais tarde do que noutras cidades, pois não é nada estranho encontrar-se depois do trabalho ou até depois de já se ter jantado.

Quando falamos de encontros entre portugueses e estrangeiros, a coisa ganha outras nuances. A presença de expats, nómadas digitais e viajantes já faz parte do dia a dia da cidade, e isso junta expectativas diferentes, sendo que há quem venha habituado a encontros mais formais, e quem ache surpreendente o quão descontraído tudo pode ser por aqui. Há mal-entendidos culturais, claro (divide-se a conta? cumprimenta-se com abraço, beijo ou aperto de mão?), mas, no geral, Lisboa tem fama de ser acolhedora. A própria cidade e a forma de estar local incentivam alguma flexibilidade e espontaneidade, e é tão provável acabarem num passeio sem destino certo como sentados num restaurante escolhido de propósito.

Ajuda muito o facto de Lisboa tornar isto relativamente fácil. Nunca se está longe de um bar com vista, de um banco de jardim ou de um cantinho à beira rio. Um encontro pode começar com um café e, sem grande esforço e se flui, acabar espontaneamente num jantar, sem reserva marcada e sem grande desculpa.

Claro que comida e bebida são parte essencial do ambiente de um encontro. Muita gente estabelece ligação a partilhar mesa, a dividir pratos, a prolongar um copo de vinho ou a petiscar qualquer coisa lado a lado. E o ambiente conta tanto como o que vem no prato sendo que, às vezes, um bar pequeno e um bocadinho barulhento funciona melhor do que um “restaurante romântico” quando ainda se está a conhecer alguém, precisamente porque ajuda a tirar peso da situação.

Por isso, em vez de o encaminharmos para “os restaurantes mais românticos de Lisboa”, vamos fazer isto de outra maneira. Esta é uma lista de sítios para primeiros encontros organizada por estado de espírito, carteira e personalidade. Lugares para causar boa impressão sem exageros, quando o orçamento é curto mas o charme compensa, quando prefere evitar um jantar completo ou quando procura algo um bocadinho fora do comum. Porque os melhores primeiros encontros não dependem de grandes gestos. Dependem de escolher um sítio onde a conversa, a química e a boa comida ou bebida possam acontecer naturalmente.

Para impressionar (sem exageros): Prado

Modern cafe interior with wooden furniture, plants, and people dining.

O Prado é a resposta quando quer mostrar que tem bom gosto, sem dar parte de vedeta. Levar alguém aqui diz “pensei neste plano”, mas sem ficar estranho. A sala é luminosa, bem desenhada, mas nada formal, por isso conseguem partilhar pratos e, ainda assim, sentir-se à vontade. A casa funciona com uma filosofia de cozinha de produto, muito ligada à estação, e o menu vai mudando conforme o que há de melhor no momento, o que pode até ser logo o primeiro tema de conversa: “alguma vez provaste…?”. Os pratos são feitos para partilhar, o que é a desculpa perfeita para perceber como é que a outra pessoa lida com dividir a última garfada de algo mesmo bom.

A cozinha, liderada pelo chef António Galapito, foca-se em legumes, peixe e carne de excelente qualidade, preparados de forma muito criativa. Pense em croissant de camarão caramelizado com tártaro de camarão vermelho, cogumelos porcini com nozes e vinho Amontillado, cavala com maçã verde e azeitona, ou lagosta curada com emulsão da cabeça e citrinos, só para abrir o apetite e aguçar a curiosidade.

Se a sua cara-metade de encontro for pessoa de vinho, vale a pena explorar a carta de referências biológicas, biodinâmicas e naturais, com a tranquilidade de saber que a equipa de sala sabe orientar quem quer evitar estilos que não sejam bem a sua praia.

Além disso, o Prado funciona muito bem para um primeiro encontro porque o serviço é atento sem ser intrusivo, e o ritmo da refeição favorece a conversa. Dá para manter a coisa simples, com dois ou três pratos e uma garrafa, ou esticar um pouco mais se quiser que a noite ganhe um peso mais “especial”. Para evitar desilusões, convém saber que este não é daqueles sítios para aparecer em cima da hora à procura de mesa, e que aqui, reservar é mesmo recomendado.

📍Tv. das Pedras Negras 2, 1100-404 Lisboa

https://pradorestaurante.com

Imagem cortesia do Prado no TripAdvisor

Pouco orçamento, muito charme: As Bifanas do Afonso

Person in a t-shirt holding a sandwich on a plate with a napkin.

Há sítios que não precisam de grandes esforços para provar o que valem, e As Bifanas do Afonso são um desses casos. Não há letreiros a prometer “as melhores” seja do que for, mas a fila na Rua da Madalena dá a entender que ali se passa qualquer coisa. Então qual é, afinal, o segredo, sobretudo quando falamos de bifanas, um clássico que supostamente é simples? Estamos a falar de fatias finas de carne de porco cozinhadas num molho de vinho com bastante alho, enfiadas dentro de um pão macio e, se souber bem o que está a fazer, rematadas com mostarda e um toque de molho picante, a gosto. É barato, é reconfortante, e é daquele tipo de comida que nos faz pensar em repetir antes de acabar a primeira.

A jogada para um encontro não é ficar encostado ao balcão, mas sim pedir duas bifanas, aceitar que se vão sujar um bocadinho e sair para a rua. Já estão em plena Baixa, por isso não faltam opções, seja dar uma volta pelas praças, subir pelas ruelas de Alfama, ou simplesmente andar sem destino até encontrar um sítio para colmatar tudo isto com uma cerveja fresca. Se continuar a descer, acaba inevitavelmente junto ao rio e, se a conversa estiver a correr bem, pode prolongar o encontro com uma bebida num quiosque à beira Tejo. Isto é namorar à lisboeta, sem complicar, sem reservas, só um bom pretexto para andar por aí e ver o que a cidade oferece a seguir.

Um aviso: toda a gente quer comer aqui, sobretudo em época alta, por isso não estranhe a fila. Se estiver mesmo impossível, há um quiosque mais recente das Bifanas do Afonso no Lisbon Art Stay Hotel, na Baixa. A sandes é a mesma, o espírito também, e continua perfeitamente bem situado para deixar que a cidade dite o resto do encontro.

📍Rua da Madalena 146, 1100-340 Lisboa

📍Rua dos Sapateiros 158 1100-580 Lisboa

www.instagram.com/explore/locations/440586039731769/as-bifanas-do-afonso

Imagem cortesia de NIT

Para um primeiro encontro bem português: Taberna Sal Grosso

Grilled octopus with herbs served on mashed potatoes on a white plate.

Se a ideia é ter um encontro que saiba mesmo a Lisboa, esqueça a sequência “entrada-prato principal-sobremesa” e abrace a verdadeira arte local dos petiscos. Na Taberna Sal Grosso, petiscar não é só uma forma de comer, é quase um teste prático de compatibilidade. Decidir o que pedir e quanto partilhar pode dizer muito sobre uma pessoa. Há encontros em que se partilha tudo, outros em que cada um prefere o seu prato, e às vezes só se percebe como é que a coisa funciona quando os pratos começam a chegar à mesa. Se a outra pessoa partilha, sem dramas, o último pastel de bacalhau ou croquete de carne, pode ser um bom sinal.

A sala do Sal Grosso é uma taverna de bairro pura e dura, com mesas próximas, ardósias com o menu escrito à mão, copos a tilintar e ruído q.b. para que qualquer silêncio constrangedor passe despercebido. Não há grandes cenários montados, só aquele conforto vivido que faz com que a atenção vá para a comida e para quem está do outro lado da mesa. E é mesmo pela comida que se vem até aqui. Os petiscos mudam com frequência, consoante a estação e aquilo que a cozinha tem vontade de trabalhar. Conte com pica-pau de atum, bochechas de porco com migas de tomate, lulinhas à algarvia, raia alhada e um bacalhau à Brás bem lisboeta, entre outras surpresas do dia.

O chef Pedro Bandeira, que comanda a casa, é conhecido por manter a cozinha honesta e as doses generosas, sem grandes floreados no empratamento nem ingredientes complicados. A carta de vinhos é curta mas bem pensada, e há quase sempre qualquer coisa interessante a copo.

Algumas regras de sobrevivência: convém reservar, sobretudo se quiser mesa nas horas de maior movimento, porque os lisboetas adoram este restaurante e as mesas voam. Se ainda assim tiver sorte e conseguir entrar sem marcação, pode agradecer aos deuses da gula. E não tenha medo de seguir a lógica dos petiscos, pedindo uns quantos para começar, sentindo a dinâmica da noite, e acrescentando mais se a coisa estiver a correr bem. Se não mais for, vai aprender muito sobre os gostos da outra pessoa (e sobre a disponibilidade para partilhar) antes de chegar à sobremesa que, já agora, inclui um leite creme de maracujá incrível, finalizado no momento com o maçarico, o que não deixa de ser apropriado para um primeiro encontro… em chamas.

📍Calçada do Forte 22, 1100-256 Lisboa

https://tabernasalgrosso.pt

Imagem cortesia de Taberna Sal Grosso

Primeiro os vinhos naturais: Locals & Nomads

Couple sits outside a bar with an orange table, under a sign reading 'Full of Wine Love.'

O Locals & Nomads é aquele tipo de sítio onde apetece marcar encontro quando quer mostrar que pensou no plano e até no vinho, mas sem transformar a noite num exame de enologia. A energia da casa encaixa bem num “vamos ver no que dá”, sem grandes rótulos.

É um wine bar pequeno, intimista e descontraído, com prateleiras cheias de garrafas escolhidas com cuidado, prontas a servir de tema de conversa. Não há nada de espalhafatoso, há luz suave, detalhes discretos e um ambiente que puxa pela conversa em vez de distrair, com um nível de ruído geralmente bastante civilizado.

A carta aposta sobretudo em produtores naturais, de baixa intervenção e biológicos, em grande parte portugueses, por isso quase todos os copos vêm com uma potencial história. Pode escolher algo que já sabe que gosta ou entregar-se às sugestões de quem está ao balcão. Em qualquer dos casos, o próprio vinho pode ser um belo quebra-gelo.

No que toca à comida, a aposta recai em pratos pequenos, bom pão, queijos e alguns petiscos que ajudam a forrar o estômago para mais um copo. Dá para partilhar, abrandar o ritmo e prolongar a conversa, sem cair naquele compromisso de um jantar pesado e interminável.

Se o Locals & Nomads estiver cheio, o que acontece muitas vezes porque é um sítio pequeno e bem conhecido, não é o fim do mundo. Lisboa tem bons planos de reserva sem fugir muito do tema, como o Vino Vero (Tv. do Monte 30), na Graça, que tem uma carta de vinhos naturais igualmente forte, mas com um ambiente um pouco mais mexido; ou o Black Sheep (Praça das Flores 62) que é outra boa opção para desfrutar de vinhos de baixa intervenção com petiscos descontraídos. Ambientes diferentes, energias diferentes, mas todos com a mesma ideia base de encontro não demasiado formal, com bons vinhos no centro da mesa.

📍Tv. do Monte 1, 1170-296 Lisboa

https://localsandnomads.com

Imagem cortesia de Locals & Nomads no Instagram

Primeiro encontro durante o dia: Do Beco

Two women smiling and talking at a cafe table with drinks and a laptop nearby.

Quando a ideia é algo que pareça natural mas ainda assim pensado com cuidado, o Do Beco Estefânia acerta em cheio nesse equilíbrio. O que começou durante o primeiro confinamento como um projeto de paixão, com um chef a experimentar massas de pão de fermentação lenta, cresceu para um sítio diurno muito agradável. O foco está no pão artesanal, pastelaria, pequenos pratos perfeitos para brunch ou almoço ligeiro, e café a sério, tudo feito com atenção ao detalhe e ingredientes de ótima qualidade.

O Do Beco é daqueles sítios onde se pode aparecer só para um café e um bolo, mas facilmente se passa à segunda ronda porque a conversa está a fluir e vê-se chegar outra coisa apetecível do balcão. A equipa não está a despachar ninguém, por isso, se o encontro estiver a correr bem, dá para ficar, pedir mais qualquer coisa e nunca ter a sensação de estar a ocupar lugar. Se não estiver a resultar, há sempre a desculpa de “voltar ao trabalho”. No menu costuma haver pão de fermentação lenta, pain au chocolat e tartes pequenas com recheios que vão mudando, como curd de limão, framboesa ou algo mais inesperado. Do lado salgado, costuma haver pelo menos um pãozinho recheado (por exemplo, com chouriço ou cogumelos), e pratos de ovos que vão muito além dos mexidos básicos, como ovos escalfados sobre húmus de beterraba, ou ovos no forno com tomate assado e queijo feta, por exemplo. O café é de especialidade, por isso tanto um flat white como um café expresso simples vêm sempre bem tirados.

Existem vários espaços Do Beco em Lisboa, mas o de Estefânia destaca-se para encontros pois tem muita luz natural e a possibilidade de ficar lá dentro ou apanhar uma mesa cá fora, no passeio, se o tempo ajudar. Dá para manter o plano leve, só com café e bolo, ou deixar que o encontro cresça para algo mais composto se a fome apertar e a conversa continuar a andar. O ambiente é descontraído e a comida é suficientemente interessante para encher aqueles momentos em que o diálogo abranda um bocadinho. Quando há química, é o tipo de sítio onde se perde a noção do tempo e ninguém leva a mal. Se depois apetecer caminhar para “queimar” parte das calorias, a Estefânia é um bairro agradável, fora da zona turística, e que transmite bem a sensação de “Lisboa autêntica”. E, se houver vontade de esticar o passeio, o Jardim do Campo Mártires da Pátria fica a uma distância perfeita para continuar a conversa sem ter de planear muito.

📍Rua Passos Manuel 106A, 1150-053 Lisboa

www.do-beco.com

Imagem cortesia de Do Beco

Porque preferem comer à base de plantas: Ao 26 Vegan Food Project

Two people dining with plates, bowls of food, and bread on a dark marble table.

Se os dois são veganos, ou se uma das pessoas quer marcar pontos ao lembrar-se de escolher um sítio 100% vegetal, o Ao 26 é uma aposta segura. Em pleno Chiado, tornou-se uma referência para quem leva a sério a cozinha plant-based em Lisboa, sem que isso signifique perder sabor ou afastar quem come de tudo.

O menu do Ao 26 está cheio de pratos que reconfortam e surpreendem, como um suculento bife de seitan com molho de mostarda, uma francesinha à moda do Porto feita com camadas de “carnes” de soja e cogumelos em vez de porco e vaca, ou uma alheira vegetal servida com chutney de maçã e citrinos e esparregado de espinafres. A tábua de petiscos (na foto), provavelmente a nossa opção favorita da ementa, junta várias versões vegetais de clássicos portugueses como “salada de polvo” feita sem polvo, “choco frito” de origem vegetal, cogumelos à Bulhão Pato, alheira artesanal com mostarda da casa, chouriço e pão de fermentação lenta. Para quem gosta de comer “carne” dentro do pão, há bifanas de seitan que conseguem reproduzir o prazer da original, e um hambúrguer em pão caseiro.

A sobremesa aqui não é opcional. O bolo de chocolate vegan é famoso na comunidade vegan lisboeta, sendo denso, intenso e completamente decadente. Costuma haver também um cheesecake cítrico com base crocante, e convém não ignorar a tarte de limão se estiver disponível nesse dia.

As bebidas recebem a mesma atenção, com cocktails criativos (pense em gin com ervas frescas, mezcal sour, ou uma sangria da casa carregada de fruta da época) e uma lista concisa de vinhos portugueses e internacionais, todos vegan-friendly. Para quem não bebe álcool, há chás gelados feitos na casa e sumos naturais que valem muito a pena.

O Ao 26 não encara a alimentação vegetal como limitação, e isso nota-se na forma como se come e se está ali. Se for vegan ou estiver a sair com alguém que o seja, vai perceber rapidamente como é importante poder sentar-se num sítio onde não é preciso justificar nada. Curiosamente, a sala é sempre um misto de vegans convictos, curiosos da cozinha vegetal e pessoas que vêm simplesmente porque gostam de comer bem, independentemente da origem da proteína.

Estando em pleno Chiado, as possibilidades depois do jantar são muitas. Podem subir até ao Bairro Alto para um copo, procurar uma esplanada com vista, ou simplesmente perder-se pelas ruas estreitas da zona. Se quiserem alongar a noite, o Miradouro de São Pedro de Alcântara fica a poucos minutos a pé e é sempre um bom cenário para continuar a conversa e observar a cidade lá em baixo. O Ao 26 ajuda a começar o encontro em grande e deixa tudo bem encaminhado para continuar.

📍Rua da Horta Seca 5, 1200-213 Lisboa

www.instagram.com/26veganfoodproject

Imagem cortesia de Ao 26 no Instagram

Para quem vai direto à sobremesa: Nat’elier

Two hands holding Portuguese custard tarts; one with whipped cream topping.

Há primeiros encontros em que se finge “não ligar muito a doces” e depois há aqueles em que toda a gente assume que veio, precisamente, para isso. O Nat’elier, bem no coração da Baixa de Lisboa, é o sítio certo quando quer que a conversa comece com a pergunta essencial: “quantos pastéis de nata é que pedimos?”

Pastéis de nata há em quase todas as esquinas, mas é aqui que a coisa fica realmente interessante. A montra mostra versões que não se encontram noutros lados, tais como tiramisú, cheesecake de bolacha Oreo, chocolate do Dubai, Biscoff… todas perigosamente viciantes. Há ainda um pastel de nata tipo crème brûlée, queimado na hora em frente ao cliente, com aquela camada estaladiça de açúcar que se parte à primeira colher. E, para quem come à base de plantas, há versões vegan tanto do pastel tradicional como dos sabores especiais, ao nível dos clássicos. A jogada ideal num encontro é pedir vários, provar à vez e discutir qual é o melhor. Se conseguirem chegar a um consenso, é um bom sinal.

A carta de bebidas inclui cafés de especialidade preparados por baristas, chás, batidos, vários tipos de limonadas e, se for preciso “descongelar” um bocadinho, vinho do Porto e alguns cocktails. E, se não lhe apetecer um encontro passado só a falar, o Nat’elier também organiza uma masterclass de pastéis de nata, que consiste numa aula prática onde podem aprender a fazer o doce mais famoso de Lisboa, meter as mãos na massa e rir um bocado. Como quebra-gelo bem docinho, é difícil de superar.

📍Rua de Santa Justa 87, 1100-581 Lisboa

https://natelier.pt

Imagem cortesia de Nat’elier no Instagram

Só um copo (que pode virar dois): Toca da Raposa

A glass of bubbly drink with a red heart stirring stick, hand reaching in.

Se a sua ideia de primeiro encontro é “vamos só beber um copo e ver no que dá”, a Toca da Raposa é exatamente o tipo de bar que espera que a outra pessoa sugira. Escondido ali ao pé do Rossio, parece quase um segredo bem guardado, sendo pequeno, intimista, com pouca luz e, importante, nunca tão cheio ao ponto de ser preciso gritar para se fazer ouvir. O espaço é moderno, com bastante personalidade, mas sem exageros, o que ajuda a conversa a fluir.

O verdadeiro encanto está atrás do balcão, comandado por Constança Cordeiro, bartender e “sommelier” de cocktails com fama sólida em Lisboa e lá fora. Ela traz um olhar de chef e uma curiosidade quase botânica à carta, que muda consoante a estação e gira à volta de ingredientes portugueses, ervas apanhadas à mão e infusões da casa. O resultado são bebidas que não encontra noutros sítios. Pode calhar um gin tónico perfumado com folha de figueira, um whiskey sour reinventado com medronho e camomila, ou um cocktail que sabe a passeio por um pomar português na primavera. Entre os clássicos da casa contam-se, por exemplo, o “Raposa”, com maçã verde, funcho e citrinos, ou o “Trigo”, que mistura vodka, trigo torrado, limão e mel. Até o gelo é feito ali, cristalino e cortado à medida de cada copo.

As opções sem álcool são tratadas com o mesmo cuidado, com refrigerantes fermentados em casa, infusões e bebidas com xaropes de fruta que sabem a bebida “a sério”. Para petiscar, há tábuas de queijos portugueses e enchidos, azeitonas, picles e pequenos acompanhamentos que se vão beliscando enquanto a conversa aquece. É comida q.b. para o manter de pé se aquele “só um copo” se transformar, naturalmente, num segundo ou terceiro.

A Toca da Raposa destaca-se no panorama de bares de cocktails de Lisboa sobretudo pelo que não tem, que é música aos berros, dress code ou grupos aos gritos a fazer rodadas de shots de despedida de solteira. Aqui, o foco está em apreciar o copo e a companhia. Dá para se sentar, desligar do resto e ver para onde é que a noite quer ir. E se o encontro estiver a correr tão bem que apetece mudar de cenário, está em plena Baixa, a poucos minutos do Terreiro do Paço, do rio, de bares de vinhos e de várias tascas clássicas e modernas onde pode completar a noite com qualquer coisa para comer.

📍Rua da Condessa 45, 1200-302 Lisboa

www.instagram.com/tocaraposa.cocktail

Imagem cortesia de Toca da Raposa no Instagram

Fazer algo original juntos e a caminhar por Lisboa (e sem receio de ficar sem conversa): Taste of Lisboa Food Tours

Two people examining a map or brochure indoors.

Se a ideia de passar um primeiro encontro frente a frente numa mesa lhe parece demasiado intensa, há um plano que tira a pressão de cima e ainda por cima inclui boa comida: fazer um passeio gastronómico. A Taste of Lisboa Food Tours (somos nós) é uma forma diferente de pensar num encontro. É um programa social, animado, onde há sempre qualquer coisa a acontecer, perfeito para manter a conversa a rolar ou, quando for preciso, deixar que seja outra pessoa a falar por si.

Em vez de tentar preencher todos os silêncios, vão andar por alguns dos bairros mais interessantes de Lisboa, integrados num pequeno grupo (ou numa experiência privada, se preferirem), acompanhados por um guia que conhece a cidade e o seu panorama gastronómico de trás para a frente. Não há grande performance exigida e podem concentrar-se em observar o que vos rodeia, ouvir histórias sobre a cultura gastronómica lisboeta e ir-se conhecendo num contexto muito mais descontraído.

O que é que torna os nossos tours ótimos para encontros? Antes de mais, a autenticidade. Visitamos restaurantes familiares onde se servem clássicos portugueses, mercearias de bairro onde o dono insiste em que provem queijos e enchidos regionais, e pequenos bares onde os locais se juntam ao balcão para beber a nossa tão querida ginjinha. Em percursos como o Passeio Raízes de Lisboa – Gastronomia e Cultura, a sobremesa nunca fica esquecida.

Cada paragem é um novo pretexto de conversa (“alguma vez imaginaste que o bacalhau viesse de tão longe e pudesse saber assim?”), e há sempre mais um vinho local, um licor improvável ou uma rua nova por onde seguir. Os nossos guias mantêm o ritmo com histórias sobre os bairros, as raízes multiculturais de Lisboa e a forma como a comida, aqui, junta pessoas de todo o lado.

Fazer um food tour é especialmente inteligente se um de vocês, ou os dois, forem novos na cidade ou quiserem ir além da superfície e perceber o que é que se come e bebe realmente em Lisboa. É uma experiência dinâmica, que afasta o peso da conversa infinita só a dois e abre mil oportunidades para perceber como a outra pessoa reage, por exemplo, a um queijo de ovelha bem intenso ou a umas gotas generosas de molho picante. No fim, já percorreram a cidade, aprenderam qualquer coisa e partilharam muito mais do que uma refeição. E se derem por vocês a combinar voltar a um dos sítios visitados para provar mais pratos, é porque a coisa está a ir no bom caminho.

📍Veja aqui os nossos tours:

www.tasteoflisboa.com/pt/experiencias

Imagem cortesia de Taste of Lisboa

Silêncio q.b. para se ouvirem: Inquieta Livraria

Yellow table with hot chocolate in blue cup and cinnamon roll on square plate.

Há quem queira barulho e cocktails num primeiro encontro. E há quem só queira conseguir ouvir a outra pessoa. A Inquieta Livraria é claramente para o segundo grupo. Em Campolide, este espaço de dois andares junta cafetaria vegan no piso de cima e livraria independente no de baixo. Tudo assenta em duas ideias que já não são assim tão fáceis de encontrar em Lisboa: calma e tempo para pensar.

A cafetaria é totalmente plant-based, por isso tudo o que vê no balcão é amigo de veganos e curiosos da cozinha vegetal. Há mini quiches (de cebola caramelizada com azeitonas, ou espinafres), tostas, tartes salgadas e uma seleção rotativa de bolos e bolachinhas. Pode calhar bolo de chocolate, banana bread, cookies ou outras tentações, além de um chocolate quente vegan daqueles que aparecem recomendados em vários sítios. O café aparece em todos os formatos habituais e há também chás e outras bebidas quentes, o que permite prolongar o encontro sem grande compromisso.

Lá em baixo, a livraria é o sítio onde os introvertidos de Lisboa podem finalmente respirar. As estantes estão cheias de editoras independentes, livros infantis e títulos sobre temas como veganismo ou direitos dos animais, em português e outras línguas. Para um certo tipo de encontro, isto é ouro. Folheiam, mostrem livros um ao outro, falem de autores de que gostam, talvez escolham um livro cada um e expliquem porquê. É quase um clube de leitura a dois, mas com snacks de qualidade. E, como o espaço é mesmo calmo, sem música alta nem pressão para desocupar a mesa, os silêncios não parecem estranhos, só naturais.

Campolide não é um bairro turístico, e isso é parte do charme. É residencial, vivido, com aquele ar de Lisboa do dia a dia. Se o encontro estiver a correr bem e quiserem continuar, há opções simples para “subir de nível”, como seguir a pé até ao Aqueduto das Águas Livres e ver a cidade lá de cima, ou descer na direção das Amoreiras e do Parque Eduardo VII, se ainda houver energia para mais conversa a caminhar.

📍Rua de Campolide 94B, 1070-028 Lisboa

www.instagram.com/inquietalivraria

Imagem cortesia de Livraria Inquieta no Instagram

Para quem leva o café a sério: Buna Coffee & People

Two people sitting at an outdoor table with a dog lying beside them.

O Buna Coffee & People fica na Rua Poço dos Negros, naquela zona entre Santos e a Bica onde Lisboa parece ainda mais internacional e muito virada para cafés e pequenos negócios independentes. É o sítio certo quando “vamos tomar um café” quer, na verdade, dizer “vamos a um sítio onde o café interessa mesmo”.

Aqui o terreno é de café de especialidade. O Buna trabalha com algumas das melhores torrefações europeias e vai rodando as origens, por isso tanto pode apanhar um expresso com grãos da Etiópia mais frutado numa semana, como algo mais achocolatado da América Central na seguinte. Pode jogar pelo seguro e pedir um duplo ou um flat white, ou então ir para batch brew, V60 ou cold brew se quiser mostrar que percebe do assunto, sem ter de fazer uma palestra.

O ambiente é claro e descontraído, e o espaço, apesar de pequeno, enche-se de uma mistura de locais, expats e gente que organiza o dia em função de um bom café. Não é um cowork disfarçado, com uma energia que é mais “fala com a pessoa que está à tua frente” do que “abre seis separadores e trabalha quatro horas”. Para um primeiro encontro, isso ajuda muito.

Para comer, a filosofia é simples mas cuidadosa, com sandes em focaccia, tostas e pastelaria como croissants de chocolate ou bolos sazonais que valem a partilha. Há sempre opções vegan e bebidas com leites vegetais sem ser preciso pedir nada “especial”.

Um encontro aqui pode ser tão técnico ou tão descontraído quanto quiserem. Podem ficar a discutir origens, processos e perfis de torra, ou simplesmente desfrutar do facto de o café ser mesmo bom enquanto a conversa segue para outros temas. Em qualquer dos casos, o Buna deixa claro que não escolheu o sítio ao acaso e que, muito provavelmente, sabe bem a diferença entre “um café” e “café a sério”.

📍Rua Poços dos Negros 168, 1200-267 Lisboa

www.instagram.com/bunaportugal

Imagem cortesia de Buna no Instagram

Para quem não quer propriamente jantar: By The Wine

People dining and drinking at a bar with bottle-lined arched ceiling.

Há encontros que giram em torno da comida e encontros que se fazem à volta do vinho, com “qualquer coisa para picar” a servir de apoio. O By The Wine, o bar de marca da Sogrape, o maior produtor de vinhos de Portugal com marcas icónicas como o Mateus Rosé e os Vinhos do Porto da Sandeman e Ferreira, entre muitos outras. Em pleno Chiado, foi claramente pensado para o segundo caso. A ideia é explorar o mundo do vinho português como deve ser, copo a copo, sem ter de se comprometer com um jantar completo e formal. O espaço ajuda, contando com um teto em arco forrado de garrafas verdes, balcões compridos de madeira, pipos e bancos corridos que fazem lembrar uma cave moderna plantada no centro da cidade.

A carta foca-se em Portugal e, em particular, no universo da Sogrape, com brancos do Dão, tintos sérios do Alentejo, Vinho Verde, vinhos do Porto e outras referências que talvez não encontre com facilidade no seu país de origem. São cerca de oitenta vinhos na lista, e a equipa está habituada a lidar tanto com quem sabe muito como com quem sabe pouco ou nada, por isso pode simplesmente explicar o que costuma gostar e deixar-se guiar.

Se a fome aparecer, a cozinha responde, mas sem sair do registo “vinho em primeiro lugar”. Há pão rústico com bom azeite, tomate e azeitonas, queijos portugueses (incluindo São Jorge e Azeitão), presunto de Pata Negra, ceviche de salmão ou de polvo, carpaccio de novilho, bochechas de vitela ou uma sandes de porco de cozedura lenta que tem muitos fãs. Tudo pensado para partilhar, suficiente para forrar o estômago e justificar mais uma garrafa, mas sem o peso de um jantar tradicional.

O que torna o By The Wine uma boa escolha para um primeiro encontro, em comparação com outros wine bars, é o equilíbrio, pois tem vida, mas não é caótico. Está numa zona super central, por isso é fácil combinar “só um copo” que, na prática, pode transformar-se numa pequena viagem por muitas regiões vinícolas de Portugal, talvez com uma tábua de queijos pelo meio se fizer sentido. Se os dois forem amantes de vinho, é uma forma simples de perceber como é que os gostos se encontram (ou não).

📍Rua das Flores 41 43, 1200-193 Lisboa

www.bythewine.pt

Imagem cortesia de D.R. na Revista de Vinhos

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