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Sobremesas de Natal tradicionais portuguesas (e onde as provar em Lisboa)

Traditional Portuguese Christmas desserts

 

Em todos os países existem rituais de Natal, mas Portugal será dos poucos lugares onde a mesa de sobremesas rouba claramente o protagonismo ao prato principal. O bacalhau pode ser a estrela oficial da consoada e o peru assado ter direito ao lugar de honra no dia 25, mas todo o português sabe aquilo que se espera em silêncio, e que é o momento em que se pode finalmente “atacar” a famosa mesa dos doces. Em muitas casas portuguesas, as sobremesas de Natal ficam expostas numa mesa à parte porque, com tanta coisa diferente para provar, simplesmente já não há espaço suficiente na mesa principal onde a família se senta. Estamos a falar de uma grande variedade de fritos cobertos de açúcar e canela, pudins cremosos, bolos aromatizados com especiarias, e frutos secos que ficam à disposição não só para fechar a consoada e o almoço do dia de Natal, mas também para pequenos-almoços prolongados e petiscos natalícios nos dias que se seguem.

Não é por acaso que Portugal leva tão a sério as coisas doces, sobretudo em dezembro. Há apenas alguns séculos, o açúcar era um luxo reservado a ocasiões especiais. Nos conventos espalhados pelo país, as freiras aperfeiçoaram a arte de transformar gemas de ovo, que sobravam depois de usar as claras para engomar a roupa, nos chamados doces conventuais que ainda hoje definem grande parte da nossa pastelaria. Somando a isto a longa influência da cozinha árabe em Portugal, a abundância de amêndoas no sul, e as rotas atlânticas que trouxeram especiarias, melaço e frutos secos em quantidade, temos a base de uma mesa de Natal que junta séculos de história, comércio e tradição familiar.

Mas, para além dos grandes clássicos que encontra em pastelarias, supermercados e mercados de Natal, existe uma outra camada mais discreta do doce Natal português, muito mais regional e doméstica. Muitas das sobremesas que as famílias portuguesas fazem por esta altura são receitas de família, transmitidas de geração em geração, que raramente saem da cozinha de casa. Pense na avó de Trás-os-Montes com a sua própria versão de formigos. Na tia alentejana que frita filhós do tamanho de pratos, todos os anos, a 24 de dezembro. No primo madeirense que insiste que as suas broas de mel precisam de, pelo menos, um mês de descanso antes de serem dignas da mesa de Natal. Para provar algumas destas maravilhas, teria de ter a sorte de ser convidado para casa de alguém. Para todas as outras opções doces, sugerimos em seguida onde as pode provar bem no coração de Lisboa.

O que se segue é um roteiro pelas sobremesas de Natal portuguesas mais apreciadas, aquelas que conquistaram lugar cativo nas mesas de Norte a Sul do país.

Imagem de capa cortesia de Pastelaria Batalha

 

Bolo-rei

Traditional Portuguese Christmas desserts - Bolo Rei, King's Cake

Imagem cortesia de Confeitaria Nacional

Nenhuma mesa de Natal portuguesa fica completa sem um bolo-rei, o bolo em forma de coroa com frutas cristalizadas, frutos secos e passas. Mesmo quem afirma que “não gosta” tem sempre uma opinião sobre onde se compra o melhor, porque o bolo-rei é mais um ritual da época do que uma simples sobremesa. Este bolo colorido faz parte do imaginário natalício português há mais de um século, apesar das suas origens serem surpreendentemente estrangeiras.

O bolo-rei só chegou a Portugal no final do século XIX, quando a Confeitaria Nacional, em Lisboa, apresentou uma receita inspirada no francês gâteau des rois. Na altura, a burguesia lisboeta vivia fascinada por tudo o que viesse de Paris, da moda à pastelaria, e o bolo-rei depressa se tornou sinónimo de sofisticação. Para além de ser um doce festivo, introduziu ainda um pequeno ritual que muitos de nós recordam desde a infância. No interior da massa escondia-se uma fava e, até há algumas décadas, também um pequeno brinde. Quem encontrasse a fava ficava responsável por comprar o bolo-rei do ano seguinte e quem descobrisse o brinde tinha “boa sorte”. Esta tradição perdeu força no século XXI por questões de segurança alimentar, mas as gerações mais velhas ainda sorriem quando se lembram da vez em que quase partiram um dente com um soldadinho de metal ou um amuleto de porcelana.

Apesar da sua origem francesa, o bolo-rei rapidamente absorveu o gosto português. Os pasteleiros adaptaram a receita aos ingredientes e preferências locais, usando mais frutos secos, mais passas e uma generosa quantidade de vinho do Porto ou aguardente para tornar a massa mais aromática. Com o tempo foram surgindo também variações regionais. A mais famosa é o bolo-rei escangalhado, típico da zona de Sintra. Em vez da forma perfeita de coroa, este “rei escangalhado” é uma versão mais indulgente, recheada com fios de ovos e frutos secos. É mais rico, mais pegajoso e tão guloso que muitas famílias já o preferem ao bolo-rei tradicional, sobretudo aqueles que não morrem de amores pelas frutas cristalizadas.

Embora inicialmente associado ao Dia de Reis, a 6 de janeiro, hoje o bolo-rei aparece nas montras assim que dezembro começa. É o bolo que se leva para o escritório (ou que muitas empresas oferecem aos seus funcionários para levarem para casa), que se partilha entre amigos e que se vai comendo ao longo dos dias, fresco, ou até torrado e barrado com bastante manteiga, algo que muitos defendem ser ainda melhor. Se quiser mimar-se com um pequeno-almoço bem português na manhã de Natal, esta é uma excelente ideia.

Onde comprar o melhor bolo-rei de Lisboa:

Confeitaria Nacional

Continuam a fazer a versão clássica, com o prestígio de terem sido os primeiros a introduzir este bolo em Portugal (foto acima).

📍Praça da Figueira 18B, 1100-241 Lisboa

https://confeitarianacional.com

 

Bolo-rainha

Traditional Portuguese Christmas desserts

Imagem cortesia de Inês Gomes Lourenço via NIT

Se o bolo-rei é o monarca tradicional da mesa de Natal portuguesa, então o bolo-rainha é a rainha que acabou por lhe roubar o trono, silenciosamente mas com firmeza. Criado como uma variação para quem não suporta frutas cristalizadas, o bolo-rainha mantém o espírito do bolo-rei clássico, mas troca o brilho das frutas coloridas por uma generosa quantidade de frutos secos. Apesar de ter um aspeto mais simples, pois não parece tão “real” como o bolo-rei, é, na verdade, mais caro, precisamente por causa da abundância de frutos secos.

As pastelarias começaram a vender bolo-rainha de forma mais generalizada apenas no final do século XX, promovendo-o abertamente como a alternativa ideal para quem adorava a textura do bolo-rei mas não as frutas cristalizadas. A massa é exatamente a mesma do bolo-rei, rica e amanteigada, mas aqui a cobertura leva apenas amêndoas, nozes, pinhões e, por vezes, avelãs. No interior, a massa fica mais simples e delicada, por vezes com passas ou sultanas, mas sem qualquer vestígio das frutas cristalizadas. O resultado é um bolo mais equilibrado, menos vistoso mas, para muitos, ainda mais apetecível. Em várias famílias, o bolo-rainha já ultrapassa o bolo-rei em popularidade, embora este seja um debate que vai certamente ouvir se fizer amizade com algum português durante a época festiva.

Onde provar bolo-rainha em Lisboa:

Gleba

Nesta altura do ano, praticamente todas as pastelarias e até supermercados vendem bolo-rei e bolo-rainha. Mas, para uma versão absolutamente irresistível, recomendamos a Gleba. Aqui, fazem uma versão de fermentação natural, o que torna a massa ainda mais leve e aromática. É enriquecida com muitos frutos secos, além de casca de laranja cristalizada, figos e passas maceradas em vinho do Porto e baunilha Bourbon.

📍Várias lojas em Lisboa

https://mygleba.com

 

Rabanadas (ou fatias douradas)

Traditional Portuguese Christmas desserts

Imagem cortesia de NIT

Se há um doce de Natal que cada família portuguesa prepara à sua própria maneira, esse doce são as rabanadas. Costumam ser descritas como a versão portuguesa de French toast, mas diríamos que vão muito além disso. Na essência, rabanadas são fatias de pão demolhadas, fritas e depois envolvidas em algo doce. Mas esta descrição básica não faz justiça à quantidade de variações regionais que existem de norte a sul do país.

A origem das rabanadas remonta a tempos em que nada na cozinha se desperdiçava. É uma das melhores receitas para aproveitar pão duro, transformando-o em algo indulgente, perfeito para a mesa de Natal, algo que encontramos em Portugal, mas também no estrangeiro, como em Espanha (torrijas) ou em França (pain perdu).

No norte do país, especialmente no Minho e no Douro, as rabanadas podem ser mergulhadas na clássica mistura de leite e gema de ovo, mas também, para surpresa de muitos, podem ser mergulhadas em vinho verde tinto com açúcar e canela. As chamadas rabanadas de vinho ganham um tom rosado e uma acidez suave que equilibra a doçura. Embora tenham um ar rústico, acreditamos que há uma certa sofisticação nesta versão. Normalmente são regadas com uma calda feita de água, açúcar, canela e casca de limão, a mesma calda que também pode ser usada para regar as rabanadas mais tradicionais.

Nas Beiras e no Ribatejo, as rabanadas são mais clássicas, embora aqui recebam muitas vezes o nome de fatias douradas. São demolhadas numa mistura de leite e ovo e fritas até ficarem bem douradas, daí o nome. Algumas famílias acrescentam um pouco de aguardente ou uma tira de casca de limão ao leite para lhes dar mais aroma. Depois de fritas, podem ser passadas por açúcar e canela ou mergulhadas numa leve calda perfumada com citrinos.

No Porto surge outra variação muito popular, as rabanadas de vinho do Porto. Como o nome indica, o pão é molhado em vinho do Porto antes de ser frito e servido com uma calda espessa feita do mesmo vinho. São irresistíveis, festivas e perfeitas para quem gosta de sobremesas mais intensas.

As rabanadas costumam ser feitas na tarde de 24 de dezembro, perfumando a casa com o cheiro quente de fritos, açúcar e canela. Ao contrário do French toast de brunch, as rabanadas comem-se normalmente frias, não só como sobremesa na noite da consoada, mas também ao pequeno-almoço do dia 25 ou a qualquer hora. Mesmo frias, depois de absorverem a calda ou o açúcar que se torna húmido com o tempo, continuam absolutamente irresistíveis.

Onde comer rabanadas em Lisboa:

Pastelaria Querubim

Em dezembro, muitas pastelarias e até restaurantes servem rabanadas, sobretudo a versão tradicional com leite. Para uma rabanada com verdadeiro sabor caseiro, sugerimos a Querubim, no bairro pouco turístico de Telheiras.

📍Alameda Q.ta de Santo António, 1600-675 Lisboa

www.querubim.pt

 

Sonhos

Traditional Portuguese Christmas desserts

Imagem cortesia de VortexMag

Sonhos é, provavelmente, um dos nomes mais poéticos do universo natalício português. Apesar da sua simplicidade, estes pequenos fritos de massa são das sobremesas mais queridas do país durante esta época.

O sonho clássico é feito a partir de uma massa semelhante à do éclair, uma massa tipo choux, preparada com ovos, farinha e, por vezes, um toque de raspa de citrinos. Quando a massa cai no óleo quente, incha e fica leve e muito fofa por dentro. Tradicionalmente, os sonhos são envolvidos em açúcar e canela, embora algumas famílias os sirvam com uma leve calda de açúcar, limão e canela.

Tal como acontece com outros fritos de Natal, há muitas versões diferentes de sonhos, dependendo da família que os prepara. Uma das mais emblemáticas é a dos sonhos de abóbora, feitos com puré de abóbora misturado na massa. Muito populares no norte e centro do país, são mais húmidos e densos do que os clássicos. Costumam ser aromatizados com raspa de laranja, noz-moscada ou um ligeiro toque de anis, sabores que cheiram imediatamente a Natal. Há também sonhos de cenoura, comuns sobretudo no Alentejo e no Algarve. A cenoura dá-lhes uma cor alaranjada delicada e uma doçura natural, tornando-os num dos tipos de sonhos mais macios que pode provar. Para quem prefere sabores cítricos, existem ainda os sonhos de laranja, com a massa aromatizada com raspa de laranja.

Independentemente da versão, os sonhos são quase sempre preparados na véspera de Natal. A fritura é um ritual em si, enquanto alguém faz a massa, outra pessoa fica encarregada da frigideira, e o resto da família “testa” os primeiros sonhos, em nome do controlo de qualidade, claro.

Onde comer sonhos de sonho em Lisboa:

Confeitaria Cistér 

Esta casa histórica, aberta desde 1838, teve tempo mais do que suficiente para aperfeiçoar todos os clássicos da pastelaria portuguesa. Quando dezembro se aproxima, o balcão enche-se de especialidades natalícias, incluindo sonhos bem fofos.

📍Rua da Escola Politécnica 107, 1200-424 Lisboa

www.instagram.com/confeitariacister

 

Filhós (ou filhoses)

Traditional Portuguese Christmas desserts

Imagem cortesia de NIT

Já terá reparado que muitas das sobremesas de Natal mais queridas em Portugal são, no fundo, variações de massa doce frita, e as filhós não são exceção. Também conhecidas como filhoses, são dos doces natalícios mais antigos e mais transversais ao país, embora a forma de as preparar varie bastante conforme a região e a tradição familiar.

As filhoses são feitas a partir de uma massa lêveda com farinha, ovos, um pouco de açúcar, bastante raspa de citrinos e, opcionalmente, aguardente. A massa é amassada, deixada a levedar, esticada à mão num formato rústico e frita até ficar cheia de bolhas e bem dourada. Depois de prontas, são polvilhadas com açúcar e canela ou pinceladas com calda.

Em algumas casas, as filhós são grandes, finas e esticadas até ficarem com um formato irregular e bordas delicadas. Noutros sítios, a massa é preparada com azeite em vez de manteiga ou margarina, resultando num híbrido entre um frito fofo e um doce mais crocante. Há também versões mais espessas e fofas, ligeiramente elásticas no centro, quase sempre perfumadas com laranja, aguardente ou ambos. Algumas famílias mergulham as filhós numa calda de açúcar e limão, que lhes dá brilho e as mantém húmidas durante vários dias.

Depois, existe a versão menos rústica, as filhoses de forma. São doces leves e rendilhados, preparados com moldes de ferro decorativos, muitas vezes em forma de estrela, flor ou floco de neve. Os moldes aquecem-se no óleo, mergulham-se numa massa líquida e voltam ao óleo para libertar autênticos biscoitos esculpidos fritos. São mais leves, mais crocantes e muito mais delicadas do que as versões de massa lêveda.

Onde provar filhoses em Lisboa:

Confeitaria Versailles 

Muitas pastelarias de bairro fazem as versões mais fofas de filhoses, mas as filhós de forma aparecem sobretudo em confeitarias tradicionais ou mercados de Natal. A histórica Versailles, no centro de Lisboa, é sempre uma aposta segura para tudo o que seja doces natalícios.

📍Várias lojas em Lisboa:

https://grupoversailles.pt

 

Coscorões

Traditional Portuguese Christmas desserts

Imagem cortesia de Uma Receita Vou Contar…

Estas finas tiras de massa, esticadas, cortadas e fritas até ganharem bolhas e ficarem douradas e estaladiças, são dos fritos festivos mais tradicionais de Portugal. Simples, rústicos e incrivelmente viciantes, sabem ainda melhor quando comidos mornos e polvilhados generosamente com açúcar e canela.

Ao contrário das filhós, que costumam ficar mais fofas, os coscorões querem-se estaladiços. A massa é feita com farinha, ovos e um pouco de gordura (óleo ou manteiga), aromatizada com raspa de citrinos e um toque de aguardente. Depois de descansar, é estendida em retângulos ou losangos bem finos e cortada com pequenas fendas que abrem quando vão ao óleo.

Os coscorões estão entre os doces de Natal portugueses mais antigos de que há registo, com origens que antecedem até a tradição conventual. Os pormenores regionais dão-lhes identidades ligeiramente diferentes. No norte, especialmente no Minho e no Douro, a massa costuma levar mais raspa de citrinos, tornando os fritos muito aromáticos. Nas Beiras e no Ribatejo, costumam ser um pouco mais espessos e aromatizados com aguardente ou anis, o que lhes dá um sabor mais quente e profundo.

O que torna os coscorões tão portugueses é a forma como unem simplicidade e celebração. São económicos, feitos apenas com ingredientes básicos da despensa, mas tornam-se festivos no instante em que saem da frigideira e passam pelo açúcar com canela. Costumam fazer-se tabuleiros inteiros, na teoria suficientes para durar para além da noite da consoada, embora raramente sobrevivam tanto tempo.

Apetece-lhe provar coscorões em Lisboa? É fácil:

Os coscorões começam a aparecer nas pastelarias lisboetas logo na primeira semana de dezembro. Muitas padarias tradicionais que se dedicam aos fritos de Natal fritam-nos todas as manhãs, vendendo-os ainda mornos, e é mesmo assim que sabem melhor. Frios, continuam saborosos e crocantes, mas nada supera um coscorão acabado de fazer acompanhado por uma bebida quente. Felizmente, não é preciso procurar muito, pois facilmente se encontra coscorões na maioria das pastelarias e até em supermercados por toda a cidade.

 

Broas castelares

Traditional Portuguese Christmas desserts

Imagem cortesia de O Careca

Não precisa de calendário para perceber que o Natal está a chegar a Lisboa, pois as pastelarias tratam de avisar. Basta verem-se tabuleiros de broas castelares nas montras, douradas e ligeiramente gretadas no topo, para sabermos que dezembro começou oficialmente. São dos doces mais emblemáticos desta época na capital e, ao contrário de muitas outras especialidades natalícias que viajam pelo país, as broas castelares pertencem quase exclusivamente à tradição lisboeta.

As suas origens remontam ao século XIX e têm ligação direta à doçaria conventual. As freiras de Lisboa aperfeiçoaram a combinação de batata-doce, um ingrediente barato e abundante, com açúcar, ovos e amêndoa moída. Desta massa densa e perfumada, aromatizada com canela ou cravinho, moldavam-se pequenos bolos ovais, pincelados com gema de ovo e levados ao forno até ficarem brilhantes e muito bem cheirosos. Ganharam fama rapidamente, tornando-se presença habitual em feiras de Natal, bancas de rua e pastelarias da cidade.

Existem variações, sobretudo dentro de Lisboa e arredores. Alguns pasteleiros acrescentam um pouco de mel, enquanto outros usam raspa de laranja ou um toque de funcho. A textura também varia, sendo que há versões macias por dentro, quase como um bolinho, e outras mais firmes, lembrando mais uma bolacha. Conservam-se bem durante vários dias e costumam aparecer na mesa de Natal ao lado dos fritos mais delicados, que precisam de ser consumidos mais depressa.

Onde comprar broas castelares em Lisboa:

Pastelaria O Careca

Apesar de esta pastelaria do Restelo ser mais conhecida pelos seus croissants, também prepara broas castelares surpreendentemente boas durante a época festiva.

📍Rua Duarte Pacheco Pereira 11D, 1440-139 Lisboa

https://pastelariaocareca.pt

 

Azevias

Traditional Portuguese Christmas desserts

Imagem cortesia de Ruralea

As azevias são pastéis em forma de meia-lua, feitos com uma massa fina por fora e um recheio doce e cremoso por dentro. São uma das ligações mais claras entre a longa presença árabe na Península Ibérica e a mesa festiva portuguesa. São típicas do sul do país, o que se percebe logo pelos ingredientes que compõem o recheio, tais como grão-de-bico ou tubérculos doces cozidos e reduzidos a puré com açúcar, canela, citrinos e, por vezes, amêndoa. Tudo isto é depois envolvido numa massa fina e frita até ficar dourada.

A variedade mais tradicional e mais comum é a azevia de grão, recheada com uma pasta sedosa de grão cozido, açúcar, canela, raspa de limão e, por vezes, um toque de vinho do Porto. Têm um sabor doce e subtilmente a frutos secos, com uma textura cremosa que surpreende quem não está habituado a ver grão em sobremesas. Igualmente populares, e muito queridas no Algarve e em partes do Alentejo, são as azevias de batata-doce. Neste caso, o recheio é feito com batata-doce, o que lhe dá uma textura mais suave e um sabor mais doce, que combina lindamente com laranja e canela. O resultado é delicado e reconfortante, muitas vezes mais leve do que o da versão com grão. Depois, existem as azevias de amêndoa, as mais ricas das três. A amêndoa, tão presente no sul do país, é moída e cozida com açúcar, limão e, às vezes, um pouco de ovo, criando um recheio que lembra um suave massapão. São mais densas e luxuosas, mas são bastante menos comuns.

Todas as versões partilham a mesma técnica de preparação, contando com uma massa fina, tradicionalmente feita com farinha, água, um pouco de gordura (antigamente banha, hoje em dia, mais frequentemente manteiga ou margarina) e raspa de citrinos. A massa estende-se, recheia-se, dobra-se em meia-lua, sela-se e frita-se até ficar dourada e crocante. Ao sair do óleo, passam quase sempre por açúcar e canela porque, no Natal, quase nenhum frito escapa a este passo.

Não precisa de viajar até ao sul de Portugal para comer azevias autênticas. Aqui em Lisboa pode experimentá-las em:

Xandite

Somos fãs do bairro de Campo de Ourique, exatamente por ser um equilíbrio perfeito entre tradição e modernidade. A Pastelaria Xandite prepara uma excelente seleção de fritos de Natal, incluindo azevias de grão absolutamente deliciosas.

📍Rua Tomás da Anunciação 51A, 1350-166 Lisboa

https://xandite.pt

 

Lampreia de ovos

Traditional Portuguese Christmas desserts

Imagem cortesia de VisitChamusca

Nada o prepara para o primeiro encontro com uma lampreia de ovos. É daqueles doces de Natal que nos faz parar, pestanejar duas vezes e perguntar se estamos a olhar para uma sobremesa ou para um projeto artístico que fugiu do planeamento. Amarela, brilhante e moldada como o peixe do rio que representa, é, sem sombra de dúvida, a sobremesa mais cénica da mesa de Natal portuguesa.

E sejamos honestos ao aceitar que, mesmo nas melhores pastelarias, algumas lampreias de ovos entram facilmente na categoria “expectativa vs. realidade”. As versões perfeitinhas podem ser elegantes e quase escultóricas. Mas muitas lampreias caseiras, e até as de algumas pastelarias mais otimistas do que habilidosas, acabam por parecer aquelas falhas culinárias virais em que alguém coloca lado a lado a foto impecável da receita original e o seu próprio resultado… ligeiramente assustador. Entre o formato estranho do peixe e o facto de tudo ser moldado à mão, o resultado pode variar entre o “engraçado e adorável” e o “por favor, alguém devolva este bicho ao rio”.

Passado o choque visual, vale a pena lembrar que esta é uma sobremesa de pura doçaria conventual, feita quase inteiramente de gemas e açúcar, que são os verdadeiros pilares da pastelaria portuguesa. Moldá-la como uma lampreia não é coincidência. O Ribatejo, onde nasceu esta tradição, sempre teve uma ligação forte ao Tejo e aos seus peixes, e muitos doces conventuais eram inspirados na simbologia local. Criar uma lampreia a partir de gemas era, de certa forma, uma homenagem à paisagem envolvente e, talvez, uma forma discreta de as freiras expressarem criatividade num tempo de poucas liberdades.

A preparação implica uma pasta espessa de gemas, açúcar e, por vezes, raspa de limão, cozida lentamente até ficar moldável. Depois de arrefecer até ao ponto ideal, a massa é moldada à mão em forma de peixe enrolado, decorada com amêndoas e frutas cristalizadas e, muitas vezes, pincelada com mais gema para ganhar brilho. Algumas versões incluem fios de ovos para mais textura e indulgência. O resultado é extremamente rico e doce, por isso, recomendamos uma dose pequenina.

Se a aparência não lhe intimida, pode ir pescar uma lampreia de ovos em Lisboa na:

Pastelaria Benard

Tal como muitos dos doces mencionados acima, a lampreia de ovos encontra-se facilmente tanto em pastelarias como em supermercados lisboetas. Para uma versão excêntrica mas deliciosa, sugerimos a clássica Pastelaria Benard, em pleno Chiado.

📍Rua Garrett 104, 1200-205 Lisboa

www.benard.pt

 

Aletria

Traditional Portuguese Christmas desserts

Imagem cortesia de NCultura

Cremosa, doce e aromatizada com canela, a aletria é um pudim de massa fina que aparece na mesa portuguesa pelo Natal, embora também possa surgir noutras celebrações religiosas, como a Páscoa, ou até em almoços de família ao domingo.

As origens da aletria estão ligadas à longa presença árabe na Península Ibérica. A própria palavra “aletria” liga-se ao árabe al-irtiyya, que fazia referência a fios de massa muito finos. Pudins de aletria cozidos com leite e açúcar existem em vários países da África do Norte, Médio Oriente, Turquia e partes da Índia. Portugal adotou esta ideia muito cedo, e as cozinhas conventuais refinaram-na até chegar ao doce que conhecemos hoje, rico em gemas e aromatizado com canela, duas marcas clássicas da doçaria conventual.

Apesar das raízes antigas, a forma como se faz aletria varia bastante consoante a região. No norte, especialmente no Minho e no Porto, a aletria é normalmente firme. A massa coze lentamente em leite, açúcar e casca de limão, e depois juntam-se as gemas até engrossar o suficiente para cortar à fatia. Depois de arrefecer, fica com a consistência de um bolo macio. A superfície é decorada com canela em linhas simétricas ou padrões geométricos. Já no centro e sul do país, encontra-se mais facilmente a versão cremosa, que se come à colher, sedosa e semelhante à consistência habitual do arroz doce (ver abaixo). É um doce simples e, ao contrário de sobremesas como a lampreia de ovos, é algo que a maioria das famílias prefere preparar em casa.

Experimente fazer aletria com a nossa receita:

Encontrar aletria pronta em pastelarias lisboetas não é impossível, mas não é muito fácil. Por isso, deixamos o desafio de preparar uma versão cremosa e simples deste doce em sua casa.

Aletria rápida (4 porções)

Ingredientes:
– 250 g de aletria
– 2 tiras de casca de limão
– 1 pau de canela
– 1 colher de chá de manteiga (50 g)
– 200 g de açúcar
– 500 ml de água
– 500 ml de leite
– 2 gemas
– Uma pitada de sal

Preparação:

  1. Leve ao lume a água, o leite, a manteiga, o sal, o açúcar, as cascas de limão e o pau de canela até ferver.
  2. Junte a aletria partida e deixe cozer de 3 a 4 minutos.
  3. Retire do lume e misture rapidamente as gemas, para que se envolvam sem talhar.
  4. Volte a colocar em lume brando mais 1 minuto, mexendo sempre.
  5. Distribua por taças e polvilhe com canela.

 

Arroz doce

Traditional Portuguese Christmas desserts

Imagem cortesia de Notícias de Coimbra

A aletria pode ser muito popular na época de Natal, mas o arroz doce é, sem dúvida, o doce com mais fãs em Portugal. Cremoso, reconfortante e aromatizado com limão e canela, este pudim de arroz come-se o ano inteiro, mas no Natal é presença obrigatória.

Tal como a aletria, o arroz chegou a Portugal durante séculos de contacto com o mundo islâmico, e pudins de arroz adoçados com leite encontram-se no Médio Oriente, Norte de África, Índia e Mediterrâneo. Os conventos portugueses adotaram a receita cedo, enriquecendo-a com gemas (como faziam com praticamente tudo) e criando uma versão que fica algures entre a tradição mourisca dos pudins de leite e a devoção católica por sobremesas cheias de gema.

A textura final do arroz doce depende muito de quem o prepara, mas preferimos a versão ultra cremosa, em que o arroz coze lentamente até quase derreter no leite, ficando totalmente sedoso. Tal como na aletria, a superfície é decorada com canela, seja um simples toque, seja em grelhas geométricas, cruzes ou desenhos mais criativos.

O arroz doce é também um dos doces mais democráticos da mesa de Natal. Não exige ingredientes caros, rende bastante e agrada a quase toda a gente. É também uma das sobremesas mais transversais do país, encontrando-se em todas as regiões, ao lado de outros favoritos como as rabanadas, os sonhos e as filhoses.

Não espere pelo Natal! Coma arroz doce em Lisboa durante todo o ano na:

Adega da Tia Matilde

Lisboa é um ótimo sítio para provar arroz doce, já que muitos restaurantes o servem ao longo de todo o ano. Este restaurante tradicional, aberto desde os anos 70, prepara uma versão genuína e caseira, muito próxima daquelas receitas de avó que raramente se encontram em estabelecimentos comerciais.

📍Rua da Beneficência 77, 1600-017 Lisboa

www.instagram.com/adegadatiamatilde

 

Pão de ló

Traditional Portuguese Christmas desserts

Imagem cortesia de O Melhor Pão de Ló do Universo

Poucos bolos portugueses têm a importância do pão de ló. Leve, arejado e enganadoramente simples, é daqueles doces que aparece em todas as celebrações, desde a Páscoa aos aniversários, passando pelos almoços de domingo, mas que no Natal ganha um significado ainda mais especial. À primeira vista parece um simples bolo esponjoso, mas na verdade faz parte de uma grande família de receitas que atravessa continentes.

Os seus primos mais próximos são os bolos esponja europeus que surgiram durante o Renascimento, como o pan di Spagna italiano ou o bizcocho espanhol, todos baseados na mesma fórmula essencial de ovos, açúcar e farinha batidos até triplicarem de volume. Mas Portugal não se limitou a herdar esta tradição e acabou também por exportá-la. Quando missionários e comerciantes portugueses chegaram ao Japão no século XVI, levaram consigo o pão de ló. Os japoneses adaptaram-no aos seus ingredientes e gostos e, com o tempo, nasceu o kasutera, hoje um dos bolos mais emblemáticos do Japão. Macio, elástico e ligeiramente perfumado com mel, o kasutera continua a ser reconhecido como descendente direto do pão de ló português.

Já por cá, o bolo seguiu outro rumo. Portugal abraçou a herança da doçaria conventual, tão marcada pelo uso abundante de gemas, resultado dos excedentes de ovos depois de engomar roupa. Com apenas ovos, açúcar, farinha e técnica apurada, criaram-se versões regionais que vão do quase líquido e cremoso ao seco, fofo e perfeito para molhar em café ou num cálice de vinho do Porto depois do almoço de Natal.

A versão mais famosa é o pão de ló de Ovar, conhecido pelo centro quase líquido que escorre assim que se corta. O pão de ló de Alfeizerão é igualmente cremoso, fruto (segundo a lenda) de um feliz “erro” de confecção. Já o pão de ló de Margaride e outros do norte são mais secos, esponjosos e ideais para acompanhar uma bebida quente. Independentemente da versão, o pão de ló é um dos doces mais simbólicos do Natal português.

Porque comer só um pão de ló normal quando se pode provar O Melhor Pão de Ló do Universo?

O Melhor Pão de Ló do Universo

Se este é mesmo “o melhor pão de ló do universo” é discutível. Mas este é sem dúvida um ótimo sítio para provar a versão portuguesa, tanto na receita tradicional de centro cremoso (como a da foto), como em versões mais contemporâneas, incluindo pão de ló de chocolate.

📍Rua Nova de São Mamede 54, 1250-204 Lisboa

www.instagram.com/omelhorpaodelodouniverso

 

Mexidos (or formigos)

Traditional Portuguese Christmas desserts

Imagem cortesia de Deliciosa Paparoca

Mexidos, conhecidos em muitas zonas como formigos, são um doce rústico do norte. Têm um ar simples e até um pouco antiquado e, embora não tenham o glamour do bolo-rei nem a diversão estética da lampreia de ovos, são um doce essencial em muitas mesas de Natal no Minho, Trás-os-Montes e nas Beiras.

Historicamente, era o doce preparado nas casas rurais quando nada podia ser desperdiçado. Aproveitava-se o pão duro, os frutos secos guardados ao longo do ano, o mel que sobrava, um pouco de vinho ou aguardente e os frutos de casca rija que a família tivesse disponíveis. Tudo isto era cozinhado lentamente com manteiga, açúcar e muita canela, criando uma sobremesa aromática e reconfortante, para comer à colher.

A base pode ser humilde, mas no passado usar ingredientes como passas, pinhões, nozes ou amêndoas já tornava o doce suficientemente especial para o Natal. Em muitas zonas, juntava-se ainda um pouco de vinho do Porto ou moscatel para dar aroma.

O nome formigos é explicado pelas pequenas manchas escuras, isto é, as passas e os frutos secos que lembram formigas. Mexidos refere-se à técnica, que consistia em levar um tacho ao lume, colocando os ingredientes a cozinhar devagar e ir sempre mexendo tudo muito bem mexido até ficar homogéneo.

Hoje, mexidos raramente aparecem nas pastelarias de Lisboa, precisamente porque são um doce tão ligado à cozinha caseira. Famílias do norte continuam a fazê-los de cor, com pequenas variações e improvisos, o que faz com que nunca existam dois tachos iguais. Uns ficam mais húmidos, outros mais secos, uns mais aromáticos e outros carregados de frutos secos, mas todos eles sabem àquele doce que só uma avó saberia preparar como deve ser.

Se não tem amigos do norte de Portugal, para experimentar formigos provavelmente terá de se virar na sua própria cozinha.

Receita de formigos / mexidos (4 porções)

Ingredientes:
– 200 g de açúcar
– 650 ml de água
– 50 g de mel
– 50 g de manteiga sem sal
– 2 paus de canela
– 3 tiras de casca de limão (só a parte amarela)
– 250 g de pão branco, esfarelado à mão
– 2 colheres de sopa de vinho do Porto
– 50 g de pinhões
– 50 g de nozes
– 25 g de passas
– 2 gemas
– Canela em pó para polvilhar

Preparação:

  1. Leve ao lume o açúcar, a água, o mel, a manteiga, os paus de canela e a casca de limão até ferver.
  2. Junte o pão esfarelado e misture bem.
  3. Reduza o lume e cozinhe 5 minutos, mexendo de vez em quando.
  4. Acrescente o vinho do Porto, os pinhões, as nozes e as passas. Misture e adicione as gemas.
  5. Cozinhe mais 5 minutos, mexendo sempre para não agarrar.
  6. Retire os paus de canela e a casca de limão, coloque numa travessa e deixe arrefecer. Polvilhe com canela antes de servir.

 

Broas de mel da Madeira

Traditional Portuguese Christmas desserts

Imagem cortesia de Visit Madeira

Na ilha da Madeira, onde a cana-de-açúcar chegou a tornar a região numa das principais fontes de doçura da Europa, o Natal rima sempre com broas de mel. Apesar do nome poder sugerir mel de abelha, na Madeira “mel” refere-se geralmente ao mel de cana, isto é, melaço de cana-de-açúcar.

A relação madeirense com o açúcar é antiga e profunda. Já no século XV, a ilha tinha extensas plantações de cana que abasteciam grande parte da Europa, muito antes do Brasil dominar o comércio. Esta abundância fez com que o açúcar entrasse no ADN culinário da Madeira muito mais cedo, e de forma muito mais generosa, do que no continente. As broas, densas, aromáticas e escuras, graças ao melaço, são um legado direto dessa época.

Tradicionalmente, as famílias madeirenses preparavam estas broas em novembro, para lhes dar várias semanas de repouso. O tempo intensifica o sabor das especiarias e do melaço e, além disso, o bolo dura praticamente uma eternidade. As receitas variam ligeiramente de casa para casa, mas a estrutura mantém-se, contando com melaço, açúcar, farinha, manteiga ou banha, e uma mistura aromática de especiarias como canela, erva doce, noz moscada e, por vezes, cravinho. Raspa de laranja ou limão é indispensável, e muitas famílias juntam ainda vinho da Madeira à massa. Algumas versões incluem amêndoa e fruta cristalizada.

Ainda hoje, as broas de mel são um clássico imprescindível no Natal madeirense, acompanhadas de café, como doce de manhã ou como guloseima nas longas visitas familiares. E, ao contrário dos fritos ou dos doces cremosos, conservam-se lindamente, o que as torna perfeitas para oferecer ou enviar para fora da ilha.

Não pode ir à Madeira provar broas de mel? Peça para entregar em casa:

Legado Português

Nada substitui o prazer de comer broas de mel em plena Madeira, mas não precisa de viajar para as provar. Há lojas em Lisboa que vendem doces tradicionais madeirenses em dezembro e, mesmo estando no estrangeiro, pode encomendá-los online. As broas de mel aguentam perfeitamente o transporte e, aliás, são das poucas sobremesas portuguesas de Natal que viajam mesmo muito bem.

https://legadoportugues.com

 

Bolo de Natal dos Açores

Traditional Portuguese Christmas desserts - Azorean bolo de natal from Ao

Imagem cortesia de AÇORES – Quiosques de Turismo

Nos Açores, o Natal cheira a melaço, fruta seca, especiarias e raspas de citrinos, tudo junto num bolo denso, escuro e intensamente aromático, cheio de tradição. O bolo de Natal dos Açores é um dos doces mais queridos do arquipélago.

Ao contrário do fofo pão de ló, este bolo açoriano é robusto e generoso. A base costuma ser melaço ou açúcar escuro, enriquecido com manteiga, ovos e farinha, e misturado com passas, frutos secos e fruta desidratada picada. Especiarias como canela, noz moscada, pimenta da Jamaica e cravinho dão-lhe um cheirinho que reflete bem a ligação histórica dos Açores às rotas marítimas, de onde chegavam ingredientes exóticos a portos como Ponta Delgada, Angra do Heroísmo ou Horta.

Durante séculos, a vida nos Açores assentou muito na conservação. A fruta secava-se, os frutos de casca rija guardavam-se, as especiarias eram preciosas. Este bolo denso e duradouro podia ser preparado com antecedência e resistia todo o período festivo. Assim, as famílias começavam a prepará-lo dias ou mesmo semanas antes do Natal, para que os sabores amadurecessem. Tal como acontece com as broas de mel madeirenses, o descanso enriquece e aprofunda o sabor.

Cada ilha, e muitas vezes cada família, tem a sua própria versão. Algumas incluem licores locais, como a aguardente do Pico, ou vinhos doces para humedecer a massa, enquanto outras juntam mel, raspas de citrinos ou até um toque de cacau. Este bolo de Natal açoriano é praticamente inexistente no resto do país, mas seria impossível falar de doces tradicionais portugueses de Natal sem incluir especialidades dos nossos arquipélagos, tantas vezes esquecidos quando se fala da gastronomia mais emblemática de Portugal.

Pode comprar bolo de Natal açoriano em Lisboa e levá-lo para casa, pois dura bastante tempo:

Mercearia dos Açores

Felizmente, Lisboa tem algumas lojas especializadas em produtos açorianos. Esta é das mais completas e vende este bolo típico, aqui chamado “bolo de fruta de Natal”, tanto na loja do centro da cidade como online, pronto a levar ou a enviar.

📍Rua da Madalena 115, 1100-318 Lisboa

https://merceariadosacores.pt

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