Guia dos melhores quiosques de Lisboa
Há poucas coisas mais lisboetas do que estar sentado num quiosque com uma bebida fresca na mão, a admirar a vista ou simplesmente a observar o movimento das pessoas e o ritmo da cidade. Para muitos visitantes, os quiosques estão associados a miradouros e paisagens bonitas, mas muito antes de tantos turistas terem Portugal no radar, os quiosques já faziam parte da vida pública lisboeta.
Imagem de capa cortesia de Digital Hub
Há quiosques espalhados por toda Lisboa, não apenas em miradouros populares, mas também em bairros residenciais. Dependendo do quiosque onde se sentar, pode estar ao lado de um turista a provar a sua primeira ginginha, de um jovem casal num encontro para beber café, ou de um grupo de clientes habituais mais velhos a discutir o jogo de futebol da noite anterior enquanto pedem mais uma rodada de imperiais.

Imagem cortesia de D de Delta
Os primeiros quiosques começaram a surgir em Lisboa durante a segunda metade do século XIX, inspirados pelas transformações urbanas que estavam a acontecer noutras capitais europeias. Paris tinha os seus elegantes boulevards e quiosques de jornais, enquanto Viena desenvolvia uma forte cultura de cafés. Lisboa, ansiosa por se modernizar e acompanhar outras grandes cidades europeias, adotou a ideia de pequenos pavilhões de rua onde as pessoas podiam conviver, ler jornais, fumar, beber e escapar por momentos ao calor da cidade. Muitos dos primeiros quiosques foram construídos em ferro fundido, com influências decorativas Art Nouveau, alguns importados de França e outros produzidos localmente.
Ao contrário dos grandes cafés históricos de Lisboa, que atraíam sobretudo intelectuais, políticos, escritores e homens de negócios, os quiosques eram pensados para as pessoas comuns. Com preços acessíveis e serviço rápido, serviam trabalhadores em pequenas pausas, reformados que passavam horas ao ar livre, vizinhos a conversar de forma descontraída ou pessoas de passagem à procura de algo refrescante. Não havia pressão para consumir muito e era possível literalmente pedir apenas um café ou uma cerveja e ficar sentado toda a tarde.
A comida e as bebidas associadas aos quiosques caracterizavam-se pela simplicidade. Nos primeiros tempos, vendiam café, limonada, vermute, cerveja, tabaco e jornais. Durante os meses mais quentes, osquiosques também ficaram conhecidos por bebidas doces à base de xaropes, como o capilé e a groselha, misturados com água fresca como alternativa refrescante ao álcool, numa época em que os refrigerantesainda não eram comuns. Hoje em dia, estas bebidas são cada vez mais difíceis de encontrar, mas continuam fortemente associadas à antiga cultura lisboeta dos quiosques. Outros clássicos sobreviveram maisfacilmente, incluindo a imperial, a ginginha e salgados portugueses típicos como croquetes, rissóis, tostas mistas, tremoços, bifanas e pregos.
Lisboa, talvez mais do que muitas capitais europeias, aperfeiçoou a arte de fazer pausas ao ar livre. As colinas da cidade criam naturalmente miradouros e pontos de encontro e o clima ameno incentiva a vida no exterior durante grande parte do ano. Os quiosques ajudaram a transformar praças e miradouros em espaços de convívio que continuam a ser usados tanto por locais como por visitantes.

Imagem cortesia de D de Delta
Tal como aconteceu com grande parte de Lisboa, a cultura dos quiosques também passou por períodos de declínio e reinvenção. Durante parte do século XX, muitos quiosques históricos desapareceram ou ficaram ao abandono. Alguns foram demolidos por completo, enquanto outros sobreviveram como pequenas bancas de bairro a vender cigarros e refrigerantes. Mas, a partir do final dos anos 2000, a cidade voltou a apostar nos quiosques, restaurando estruturas antigas e abrindo novas concessões em jardins, miradouros e zonas ribeirinhas. Aos poucos, os quiosques voltaram a estar na moda.
Claro que as mudanças que Lisboa viveu nas últimas décadas também se refletiram nos quiosques. Hoje em dia, encontramos alguns claramente direcionados para turistas, com menus de cocktails em inglês, mas continuam a existir muitos outros com um ambiente bastante local e frequentados por clientes habituais. Se quiser abrandar o ritmo durante um dia a explorar Lisboa, recomendamos parar num quiosque para beber qualquer coisa, sentar-se um pouco e observar a cidade à sua volta.
Quiosques com as melhores vistas de Lisboa
Numa cidade construída sobre colinas e miradouros naturais, era inevitável que os quiosques acabassem por ocupar alguns dos melhores pontos de vista de Lisboa. Ao contrário de muitos bares panorâmicos da cidade, os quiosques continuam a ser mais informais, geralmente mais acessíveis e ainda bastante ligados ao quotidiano lisboeta. Nem sequer precisa de pedir um cocktail caro para desfrutar de algumas das melhores panorâmicas da cidade, já que um simples café costuma ser suficiente.
Imagem cortesia de Wine Enthusiast
Um dos exemplos mais conhecidos é o quiosque do Miradouro de Santa Catarina (Tv. de Santa Catarina 5), ainda muitas vezes chamado pelos locais simplesmente de Adamastor, por causa da estátua mitológica virada para o rio Tejo. Ao final da tarde, o espaço enche-se de uma mistura de lisboetas, estudantes Erasmus, turistas, músicos e grupos de amigos a beber cerveja enquanto observam a luz a mudar sobre o rio. O quiosque em si é bastante simples, servindo imperiais, refrigerantes, cocktails, tostas e snacks, mas é a atmosfera em redor que transformou este lugar num dos pontos clássicos para ver o pôr do sol em Lisboa.

Imagem cortesia de Lisbon Portugal Tourism Guide
O quiosque do Miradouro de São Pedro de Alcântara (Rua Dom Pedro V 4) oferece uma das vistas panorâmicas mais amplas da cidade, estendendo-se desde a Baixa até ao Castelo de São Jorge. Ao contrário do Adamastor, que costuma ter uma vibe mais jovem e barulhento, aqui o público é mais variado. É comum ver turistas a tirar fotografias, lisboetas mais velhos a parar para beber café, casais a partilhar uma jarra de sangria e grupos a descansar depois de subir as ruas de calçada do Bairro Alto. O jardim à volta do quiosque oferece sombra muito bem-vinda nos dias quentes de verão, tornando este um dos miradouros mais fáceis para passar algum tempo sem pressas.

Imagem cortesia de On The Grid
O Miradouro da Graça (Calçada da Graça), oficialmente chamado Miradouro Sophia de Mello Breyner Andresen, apesar de quase ninguém usar realmente o nome completo, talvez seja o local que melhor representa o encontro entre a antiga e a nova cultura de quiosques em Lisboa. O quiosque Esplanada da Graça espalha a sua esplanada sob grandes pinheiros, com uma das vistas mais cinematográficas da cidade sobre o Castelo de São Jorge e o centro histórico. Mas, ao contrário das Portas do Sol, que durante grande parte do dia podem parecer excessivamente turísticas, a Graça ainda preserva bastante vida de bairro à sua volta. Os moradores da zona continuam a usar o espaço de forma natural, parando para beber café ou cerveja, enquanto os grupos mais jovens começam a chegar mais perto do pôr do sol. Durante as noites de verão, é frequente haver música ao vivo nas redondezas e pessoas a ficar por ali muito depois de escurecer. Em termos de comida, o quiosque vai além do básico, servindo tostas, hambúrgueres, saladas e algumas tábuas de petiscos, o que faz com que muita gente acabe por ficar ali horas sem precisar de ir jantar a outro lado.

Imagem cortesia de Restaurant Guru
O quiosque do Miradouro das Portas do Sol está facilmente entre os mais fotografados de Lisboa. A vista desde aqui estende-se sobre os telhados de Alfama, cúpulas de igrejas e terraços até ao Tejo. Fica bastante cheio, sobretudo durante a época alta, mas tem fama porque a vista é realmente impressionante. Se quiser aproveitar este lugar antes das multidões chegarem, o ideal é aparecer cedo e beber um café enquanto observa a cidade a despertar. Como este é um dos pontos mais turísticos de Lisboa, o menu está também mais adaptado a visitantes internacionais do que muitos outros quiosques tradicionais, com cocktails, vinho, opções de brunch e refeições leves, além dos petiscos e bebidas portuguesas mais habituais.
Alguns dos melhores quiosques com vista da cidade, no entanto, são precisamente aqueles de que os turistas raramente ouvem falar. Para uma atmosfera mais local, o quiosque do Jardim do Monte Agudo (Rua Heliodoro Salgado), no bairro da Penha de França, oferece uma das vistas mais subvalorizadas de Lisboa. Ao contrário dos miradouros mais conhecidos, este jardim tem um ambiente genuinamente residencial, por isso é muito mais provável encontrar moradores da zona, famílias com crianças ou grupos de amigos a beber cerveja depois do trabalho do que grandes multidões de turistas. A vista estende-se sobre a zona oriental da cidade e o Tejo, mas o verdadeiro encanto aqui está no ritmo mais calmo do espaço.

Imagem cortesia de Time Out Lisboa
Ali perto, o quiosque do Jardim da Cerca da Graça (Calçada do Monte 46) tornou-se cada vez mais popular entre os lisboetas mais jovens. Situado dentro de um belo espaço verde, onde muitas pessoas se sentam na relva com bebidas ou passeiam os cães, este quiosque atrai uma mistura de moradores da Graça, estudantes, pessoas em teletrabalho e grupos que se encontram para beber qualquer coisa antes de jantar. Em termos de comida, servem também tostas, saladas e tábuas para partilhar, o que dá jeito caso queira prolongar a estadia, sobretudo durante o verão, quando em algumas noites há DJs a tocar ao pôr do sol. A vista panorâmica sobre Lisboa é impressionante e a vibe aqui é claramente mais jovem.

Imagem cortesia de The Infatuation
A cultura dos quiosques também está muito presente junto ao rio, por exemplo no quiosque da Ribeira das Naus (Av. Ribeira das Naus 5). Este espaço atrai pessoas para beber qualquer coisa ao final do dia, mas também quem passa por lá para um café rápido depois da corrida matinal ou simplesmente grupos que querem sentar-se a apreciar a vista sobre o Tejo e a margem sul a qualquer hora do dia. Se chegar cedo, pode sentar-se numa das espreguiçadeiras e observar os cacilheiros a atravessar o rio em direção a Cacilhas, com a Ponte 25 de Abril e o Cristo Rei ao fundo.
Os quiosques mais tradicionais de Lisboa
Enquanto alguns quiosques de Lisboa estão hoje muito associados a passeios turísticos e bebidas ao pôr do sol, outros ainda preservam uma faceta mais tradicional. Nestes quiosques, o menu costuma ser mais simples e mais português, e o ambiente tende a ser menos pensado para impressionar, aproximando-se mais daquilo que estes espaços sempre foram, isto é, lugares de passagem, pausa e convívio frequentados por quem os usa com regularidade, não apenas ocasionalmente.
Imagem cortesia de Lojas Com História
Um dos exemplos historicamente mais relevantes é o Quiosque de São Paulo (Praça de São Paulo), considerado um dos quiosques mais antigos ainda em funcionamento em Lisboa e protegido pelo programa municipal Lojas com História, que procura preservar estabelecimentos que contribuíram para a identidade e a economia da cidade. A sua estrutura data do início do século XX e ainda conserva muito do ferro trabalhado decorativo associado à arquitetura original dos quiosques lisboetas. A poucos minutos do Cais do Sodré, numa zona que mudou radicalmente nas últimas décadas, o quiosque continua a funcionar como ponto de encontro quotidiano. Ao longo do dia, o tipo de clientes vai mudando entre lisboetas mais velhos que param para beber café, turistas a explorar as ruas próximas e grupos que se juntam para beber qualquer coisa antes de seguir para a noite, já que a popular zona de bares da conhecida Rua Cor de Rosa fica mesmo ali ao lado.

Imagem cortesia de Quiosque de Refresco no Facebook
Outro nome importante na recuperação dos quiosques lisboetas é o Quiosque de Refresco da Praça Luís de Camões. Inaugurado em 2009 no âmbito do esforço da cidade para recuperar a tradição histórica dos quiosques, tornou-se um dos primeiros exemplos de como estas estruturas poderiam voltar a ocupar um lugar central na vida pública. Situado entre o Chiado e o Bairro Alto, transformou-se rapidamente num ponto de encontro para um público muito diverso, incluindo estudantes, trabalhadores de escritórios, turistas, músicos e residentes de longa data que partilham a mesma esplanada ao longo do dia. Quiosques como este incentivam uma forma de convívio mais espontânea, em que as pessoas param sem grandes planos e muitas vezes acabam por ficar mais tempo do que tinham previsto.

Imagem cortesia de Quiosque Lisboa
Na Praça das Flores, há também um quiosque (Praça das Flores 48) numa das pequenas praças mais bonitas de Lisboa. Rodeado por edifícios residenciais antigos e árvores que dão sombra à esplanada, atrai um público fiel do bairro ao longo do dia. As manhãs costumam ser mais calmas, com moradores mais velhos a ler o jornal enquanto bebem café, enquanto as tardes trazem pais com crianças, freelancers a trabalhar ao ar livre e pessoas do bairro que se encontram para uma cerveja antes do jantar. Ao contrário de alguns quiosques situados em miradouros muito populares, aqui sente-se menos pressão para rodar mesas rapidamente.
O quiosque do Jardim do Príncipe Real (Praça do Príncipe Real 19) também mostra como a cultura tradicional dos quiosques em Lisboa se adaptou a uma cidade em mudança. Apesar de a zona se ter tornado cada vez mais popular entre visitantes e residentes estrangeiros, este quiosque ainda conserva traços de bairro. Recomendamos passar por aqui aos sábados de manhã, quando o mercado biológico anima ainda mais o jardim, o que acaba por dar ainda mais vida ao quiosque.

Imagem cortesia de Lifecooler
Em Campo de Ourique, o quiosque do Jardim da Parada (Jardim Teófilo Braga) é um ponto incontornável num dos nossos bairros preferidos de Lisboa. Campo de Ourique é uma zona muito residencial e com forte sentido de comunidade, por isso faz todo o sentido que haja um quiosque num dos seus jardins centrais a funcionar como ponto de encontro para os vizinhos. Casais mais velhos param por ali depois das compras, as crianças brincam nas redondezas enquanto os pais bebem café e grupos de amigos juntam-se para imperiais descontraídas ao final da tarde. Também são conhecidos pelos hambúrgueres, por isso é um bom sítio para almoçar ao ar livre enquanto se sente o ambiente de Campo de Ourique. O jardim em redor cria uma separação agradável em relação ao trânsito e ao movimento das ruas próximas, tornando este um dos lugares mais fáceis de Lisboa para perceber como os quiosques funcionam como pontos de encontro locais.
Não muito longe de Campo de Ourique, o quiosque do Jardim da Estrela (Praça da Estrela) também preserva muito desse espírito tradicional, mesmo que a zona envolvente tenha mudado bastante nos últimos anos. Aos fins de semana, em particular, o público torna-se muito variado, com famílias, lisboetas mais velhos, adolescentes, pessoas a passear cães, casais e grupos a fazer exercício à sombra das enormesárvores do jardim. O menu mantém-se sobretudo clássico, com café, cerveja, refrigerantes, tostas, alguns salgados e pastelaria portuguesa típica.
Quiosques para comer e beber bem em Lisboa
Antigamente, os quiosques lisboetas estavam sobretudo associados a café, cerveja e snacks rápidos. Hoje em dia, alguns deles transformaram-se em verdadeiros destinos gastronómicos.
Historicamente, a comida de quiosque era bastante prática e pensada para acompanhar momentos de convívio ao ar livre, incluindo pastéis de bacalhau, croquetes, rissóis, sandes, tostas mistas e bolos. As bebidas também eram simples, focando-se sobretudo em imperial, vinho, café, vermute, ginginha, limonada e bebidas tradicionais à base de xaropes. Atualmente, porém, pode-se visitar um quiosque para continuar a pedir qualquer um destes clássicos, mas também para tomar brunch, provar opções internacionais ou beber cocktails mais elaborados.

Imagem cortesia de Revista RUA
Se quiser visitar um quiosque que ainda vende alguns clássicos antigos, incluindo capilé e groselha, vale a pena passar pelo Quiosque das Amoreiras (Praça das Amoreiras 14). Fica num bonito jardim, numa zona residencial pouco frequentada por turistas, rodeada pelo histórico Aqueduto das Águas Livres. Além destas bebidas mais tradicionais, o menu inclui também vinho, cocktails, refeições leves e snacks, tornando este um bom sítio para fazer uma pausa a qualquer hora do dia.

Imagem cortesia de Steak & Frites
A Avenida da Liberdade, o grande boulevard lisboeta rodeado de hotéis de luxo e lojas de marcas internacionais, também já tem conceitos de quiosque que vão muito além das bifanas e das imperiais. Um dos exemplos mais recentes é o Steak & Frites by Olivier (Avenida da Liberdade, Posto 5), que aposta em bifes com batatas fritas, ostras e cocktails em vez da típica comida de quiosque mais tradicional.
Para algo bastante mais animado, vale a pena conhecer o Quiosque Absurdo (Largo do Leão), perto de Arroios. Numa das zonas mais multiculturais de Lisboa, o menu reflete precisamente essa diversidade, misturando petiscos portugueses como croquetes e empadas com smash burgers, pão de queijo brasileiro, batatas carregadas de toppings, cerveja artesanal, cocktails e sangria de maracujá. O quiosque organiza regularmente DJ sets, encontros de samba e outros eventos, fazendo com que o ambiente se aproxime bastante do de um bar ao ar livre.

Imagem cortesia de NIT
Alguns dos quiosques mais recentes de Lisboa começam cada vez mais a misturar os conceitos de espaço gastronómico e espaço cultural, e o Quiosque Las Ganas (Parque Urbano do Vale da Montanha) é um ótimo exemplo disso. Além de cocktails e vinho, o menu inclui bolo do caco com manteiga de alho, croquetes, tábuas de queijo, pão de queijo, pratos de almoço e petiscos pensados para partilhar entre amigos ao ar livre. O que realmente distingue este quiosque é a programação, que inclui noites de quiz, DJ sets, sessões de comédia e encontros de jogos de tabuleiro, transformando-o num verdadeiro ponto de encontro de bairro.

Imagem cortesia de Clara Clara
O Clara Clara Café, no Jardim Botto Machado junto à Feira da Ladra, costuma adaptar o menu conforme a estação do ano. Nos meses mais frios, destacam-se o vinho quente, chocolate quente, scones e crepes de inspiração francesa, que podem ser apreciados debaixo das árvores com vista para o Tejo. Durante os meses mais quentes, o foco passa para cerveja, vinho, cocktails e refeições mais leves. Com a Feira da Ladra mesmo ali ao lado, este quiosque ganha um movimento especial às terças e sábados, tanto com turistas como com lisboetas que aproveitam o jardim.

Imagem cortesia de Mustarda Burgers no Instagram
Espaços como o Mustarda, no Jardim Constantino, mostram bem como a cultura dos hambúrgueres entrou no universo dos quiosques lisboetas nos últimos anos. O que começou como um simples quiosque de jardim evoluiu para um lugar bastante popular para comer hambúrgueres artesanais, beber cerveja artesanal e cocktails, ao mesmo tempo que organiza concertos, transmissões desportivas e até algumas sessões ocasionais de cinema ao ar livre.

Imagem cortesia de Quiosque Alto do Santo no TripAdvisor
No Alto de Santo Amaro, no bairro de Alcântara, a cultura de quiosque continua a sentir-se bastante portuguesa. Durante os meses mais quentes, os locais continuam a juntar-se aqui para comer caracóis acompanhados de imperiais geladas e longas conversas ao final da tarde. O menu inclui ainda chouriço assado, pizzas, tostas, hambúrgueres, sumos naturais e limonadas caseiras. Como esta é uma zona bastante residencial, este continua a ser um daqueles quiosques de Lisboa ainda frequentados sobretudo por moradores locais.
Os quiosques que os lisboetas realmente frequentam
Para sentir verdadeiramente a cultura dos quiosques em Lisboa, não precisa necessariamente visitar os miradouros mais famosos ou as praças mais centrais. Algumas das experiências mais genuínas da cidade acontecem em jardins residenciais, pequenas praças de bairro e parques onde os quiosques continuam a funcionar exatamente como foram pensados desde o início, ou seja, como pontos de encontro do quotidiano para quem vive ali por perto.
O quiosque do Jardim Fernando Pessa (Rua Teixeira de Pascoais), no Areeiro, é um dos exemplos mais claros desta cultura de bairro ainda bastante viva. O jardim está rodeado de prédios residenciais, o que significa que quase todas as pessoas que usam o quiosque vivem nas redondezas e fazem dele parte das suas rotinas familiares. Aos fins de semana, por exemplo, é comum ver famílias a ocupar a zona do parque infantil enquanto os pais ficam sentados a beber café.
Imagem cortesia de Quiosque Verde Lima
Outro quiosque de bairro verdadeiramente integrado na rotina local é o Verde Lima, no Jardim da Quinta de Santa Clara, perto do Lumiar. As famílias ocupam o jardim aos fins de semana, os moradores passam por lá para beber café ao longo do dia e grupos juntam-se ao final da tarde. Se quiser tomar um pequeno-almoço ao estilo português ao ar livre, numa zona afastada do centro mas facilmente acessível de transportes públicos, vale a pena fazer um desvio até aqui.
Em Benfica, vários quiosques continuam a preservar uma dinâmica de bairro bastante tradicional, cada vez mais rara no centro de Lisboa. Quiosques como o Caricato (Rua Paulo Renato) ainda funcionam como locais onde os reformados passam tardes inteiras a ler jornais, a conversar com funcionários habituais ou a ver futebol enquanto bebem café ou cerveja.

Imagem cortesia de Lisboa – SoulCity
Em Alvalade, o quiosque da Mata de Alvalade mostra claramente como estes espaços funcionam fora dos circuitos turísticos da cidade. Este pequeno refúgio verde dá uma boa ideia do quotidiano lisboeta, partilhando o espaço com pessoas que fazem jogging, moradores a parar para beber café depois de caminhar, crianças a sair da escola e grupos que se encontram descontraidamente ao final do dia.
Imagem cortesia de DejaVu Park no Instagram
A zona do Campo Grande também tem vários quiosques que atraem públicos muito diferentes ao longo do dia. Estudantes universitários, casais mais velhos, corredores, famílias, pessoas em teletrabalho e grupos a praticar desporto cruzam-se constantemente pelo jardim. O DejaVu Park (Campo Grande 351), por exemplo, recebe corredores que param para beber smoothies ou sumos naturais depois de fazerem exercício, estudantes que passam para comer wraps ou tostas, e pessoas à procura de opções mais compostas, incluindo queijo brie no forno, nachos com toppings, saladas, hambúrgueres e crepes.
No Jardim do Caracol da Penha, na Penha de França, a nova cultura de quiosques cruza-se com um dos bairros que mais rapidamente se tem transformado em Lisboa. O jardim é relativamente recente, criado num terreno anteriormente abandonado, mas rapidamente se tornou ponto de encontro para moradores de perfis muito diferentes. Muitos jovens levam as suas próprias bebidas para consumir na relva, enquanto o quiosque se enche de pessoas a beber cocktails, vinho natural e a partilhar petiscos e refeições leves. A sensação é quase a de que o quiosque funciona como uma extensão natural do próprio jardim. Apesar da crescente atenção internacional dada a zonas próximas como a Graça e os Anjos, o ambiente aqui continua surpreendentemente local.

Imagem cortesia de Francisco Santos on Time Out Lisboa
Já no centro da cidade, o Quiosque do Saldanha (Praça Duque de Saldanha) reflete uma rotina completamente diferente. Rodeado de escritórios, centros comerciais, prédios residenciais e movimento constante, este quiosque ganha vida sobretudo durante as pausas de almoço e ao final do dia. Trabalhadores passam por lá para um café rápido de manhã, uma cerveja depois do trabalho ou um almoço informal ao ar livre sempre que o tempo permite. O menu aposta em comida prática de esplanada, incluindo tostas, hambúrgueres, saladas, refeições leves e pastelaria. Ao contrário dos quiosques mais pitorescos da cidade, aqui as pessoas raramente ficam muito tempo sentadas, preferindo fazer uma pausa rápida antes de continuar o ritmo acelerado do dia.
O espaço público continua a desempenhar um papel social muito forte em Lisboa e os quiosques ajudam precisamente a incentivar esse convívio descomplicado. Estão também entre os melhores lugares para se sentar ao ar livre e observar as pessoas e o ambiente específico de cada bairro. Por isso, quando visitar Lisboa, vale a pena parar num destes quiosques para beber um café ou uma imperial fresca e sentir o ritmo da cidade.
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