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Páscoa em Portugal: as comidas típicas preferidas dos nossos anfitriões-guias

Intimamente ligada às antigas festas pagãs que celebravam o início da primavera, a Páscoa simboliza também o renascer, o reencontro e o recomeço. Das imponentes procissões às limpezas profundas das casas, passando pelo jejum da quaresma às mesas fartas do Domingo de Páscoa, esta é uma celebração única no nosso país.

O papel da comida na época pascal
Com uma forte ligação à comida, a época pascal inicia-se na Quarta-feira de Cinzas com um jejum que se estende durante 40 dias, evitando-se o consumo de carne à sexta-feira. O jejum é quebrado no Domingo de Páscoa, para celebrar a Ressurreição com casa cheia e mesa farta, com pratos doces e salgados, tradicionalmente servidos nesta data. Variando de região em região, a ementa é sempre extensa e saborosa: cabrito ou borrego, leitão, chanfana, bacalhau, folares, pão de ló, bolos fintos, empanadilhas, queijadas, broas, bolos de azeite, amêndoas, ovos de chocolate…
Quando o assunto é comer e provar, a equipa de anfitriões-guia da Taste of Lisboa tem de meter a colher e o garfo! Para cada um dos anfitriões-guia a Páscoa tem um gosto especial, normalmente associado às tradições familiares em que cresceram. Mas há sempre abertura e apetite para criar e provar novas tradições culinárias.

O Pão da Páscoa que sabe a amizade
Para a Filipa, Páscoa é sinónimo de folar – quer o tradicional, que adora torrado com manteiga ao pequeno-almoço, quer o folar de Olhão, que acha o mais guloso de todos. O primeiro é considerado o Pão da Páscoa: uma massa doce e seca, com um leve toque de canela e erva doce, enfeitado com ovos cozidos ainda na casca. O folar de Páscoa de Olhão consiste em camadas de massa intercaladas com manteiga, canela e açúcar amarelo que, no forno, resultam numa calda tipo caramelo, de onde vem o seu brilho e aspecto húmido. Uhmm, saboroso já antevemos que é… mas sabia que o folar da Páscoa simboliza reconciliação e amizade? Pois é, compre ou faça o seu próprio, para partilhar com os seus mais queridos.

Primeiro o salgado, depois o doce
Para o Miguel, com costela transmontana pelo lado da mãe, sentar-se à mesa na Páscoa é saborear uma (ou duas) generosas fatias de folar de carne: uma massa única que se apresenta como uma deliciosa mistura entre o pão e o brioche, generosamente recheada com vitela, frango, porco, coelho, salpicão e presunto, sabores que só intensificam a maravilhosa massa que dá forma ao folar. No final, para adoçar, vêm para a mesa do domingo de Páscoa as amêndoas: recheadas com chocolate ou cobertas de açúcar caramelizado, o que o Miguel prefere mesmo são as amêndoas de açúcar recheadas com licor.

Cabrito assado é o rei da mesa
A Madalena é mais uma adepta do folar tradicional como uma das delícias imprescindíveis na sua mesa de Páscoa, a competir lado a lado com o típico cabrito assado. Um prato que se vê em praticamente todas as mesas portuguesas no domingo de Páscoa, o cabrito -- às vezes borrego -- é assado lentamente em forno, de lenha nas casas onde há, depois de vários dias a marinar em vinho e alho, e servido com batata assada e arroz.

Chocolates e amêndoas, por favor.
Os ovos de chocolate e as amêndoas de Páscoa são as guloseimas preferidas da Rosa. Embora os primeiros não sejam originalmente portugueses, estão ligados a esta quadra festiva desde meados do século XIX quando a troca e a caça aos ovos de chocolate se tornou popular. De todos os tamanhos e feitios, são incontornáveis e os mais pequenos até acreditam que são presentes deixados pelo coelho da Páscoa. O mais importante é que sabem bem, pois o que é uma festa sem chocolate? Já as amêndoas são um clássico e no Minho havia uma tradição em que as raparigas ofereciam ovos aos rapazes, esperando que estes lhes oferecessem amêndoas. Existem ainda alguns locais no país que se prezam pelo fabrico artesanal das amêndoas de Páscoa, como em Alcobaça ou em Torre de Moncorvo, onde as amêndoas são enroladas à mão numa calda de açúcar durante uma semana e o resultado final é uma verdadeira obra de arte rendada. Iguarias a provar por quem é fã destas pequenas delícias.

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