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Sr. António, o amola-tesouras

O som da gaita-de-beiços é inconfundível e anuncia a chegada do Sr. António, o amola-tesouras, à Mouraria. Todos os meses faz uma ronda pelo bairro e é a salvação para qualquer guarda-chuva a precisar de arranjo, tesouras que já não cortam ou facas a precisar de uma nova vida.

Amola-tesouras há 30 anos, o que lhe vai valendo são os clientes mais velhos, que ainda têm gosto em arranjar objetos pelos quais têm estima. “Os mais novos não querem saber, usam as coisas e quando se estragam deitam fora, compram outras”. Enquanto estivemos à conversa, o Sr. António arranjou dois guarda-chuvas, uma tesoura “Corneta” – “destas já não se fazem, é uma bela tesoura” – e um cutelo de dimensões respeitáveis: “cuidado que agora está bem afiado!”.

Passa pela Mouraria de mês a mês e percorre o país de norte a sul, sempre acompanhado da fiel companheira: a bicicleta! “Pelo menos não me abandona, como fez a minha mulher”. É na bicicleta que guarda todos os utensílios que necessita para fazer todos os pequenos arranjos.

Reza a história que a chegada do amola-tesouras era prenúncio de chuva. Isto é mesmo verdade? “Isso é porque antigamente trabalhávamos mais durante o Inverno. No Verão estávamos no campo, na apanha do tomate”. (Curiosamente no dia em que estivemos à conversa com o Sr. António o tempo estava cinzento e com chuviscos!)

Desta vez foi o Sr. António a aproveitar a conversa para perguntar onde poderia almoçar “bem e barato” na Mouraria. Demos duas sugestões: Trigueirinho ou Santa Rita.

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